Amigos e familiares de Odevaldo Ferreira, dono de bar assassinado a tiros em Santa Paula II, Vila Velha, se despediram do comerciante na manhã deste sábado (2). O enterro foi realizado no cemitério de Santa Inês, no mesmo município, sob clima de comoção. Ferreira foi morto a tiros pelo administrador de condomínios Ronaldo Antônio da Silva, na madrugada de sexta (1º), após adverti-lo por usar o banheiro feminino indevidamente. Ele e o irmão, o comerciante Reginaldo Menezes da Silva, estão presos pelo crime.
Nos relatos de amigos para Isabelle Oliveira, da TV Gazeta, as lembranças revelam um homem sério, acolhedor e bom nos preparos que fazia na cozinha do estabelecimento que levava seu sobrenome. O Bar do Ferreira era referência no bairro com os petiscos que o comerciante fazia e atraía clientes de vários lugares.
O gerente comercial Sérgio Rangel é do Rio de Janeiro e lembra quando chegou ao Estado, há três anos, para se estabelecer em Vila Velha. Ele conta que era um domingo e todo o comércio estava fechado, menos o Bar do Ferreira. "Foi o primeiro contato que eu fiz com ele. Não tinha nada aberto, só o bar que ele estava preparando para começar o dia, e aí ele me deu as boas-vindas", relembrou.
Na noite antes do crime, Sérgio foi com a esposa ao estabelecimento para comer a costela do comerciante. "Eu adorava! Eu comi e fui para casa. De manhã, fiquei sabendo o que tinha acontecido logo depois de eu sair", lamentou, reforçando sua incredulidade diante da banalidade com que a vida das pessoas é tratada.
Por fim, o gerente comercial, destacou o perfil de Ferreira, que fazia dele um amigo. "Acho que a característica mais forte dele é que era de verdade, sabe? Todo mundo gostava dele sabendo do jeito que era, da forma que agia, muito sério, mas que tratava todo mundo bem. Ele vai deixar muita saudade! Acho que Santa Paula não será mais a mesma sem ele, porque conseguia trazer pessoal de tudo quanto é lugar para visitar o bar", contou.
A aposentada Socorro Fonseca, amiga de Ferreira há 20 anos, desde que o comerciante abriu o bar, reforça o sentimento de tristeza pelo assassinato.
"É muito triste e uma perda muito grande. Ele não era uma pessoa de confusão, tratava todo mundo bem. Não merecia", desabafou Socorro, acrescentando que o melhor torresmo de Santa Paula era Ferreira quem fazia.
Entenda o crime
Conforme relato de testemunhas, na madrugada de sexta-feira (1º), o bar ainda estava cheio e Ronaldo foi usar o banheiro feminino. Ferreira o advertiu pela conduta, numa conversa amigável segundo o delegado Adriano Fernandes descreveu, mas o administrador não gostou. Os dois começaram a discutir e trocaram agressões, iniciadas por Ronaldo.
Então, ele deixou o bar. Enquanto Ferreira e outros frequentadores limpavam a bagunça causada pela briga, o administrador retornou acompanhado do irmão Reginaldo. A ação foi registrada pelas câmeras de segurança do estabelecimento.
Na sequência, Ronaldo tirou a arma da cintura e deu uma coronhada na cabeça do dono do bar, que, em seguida, foi atingido por dois tiros no peito. Ronaldo guardou a arma e foi embora. Ferreira chegou a ser socorrido às pressas, mas morreu a caminho da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Riviera da Barra, no mesmo município.
Ferreira era bastante conhecido no bairro, onde mantinha o bar em funcionamento há pelo menos 20 anos. O comerciante deixa 4 filhos, entre eles duas crianças, de 10 e 7 anos.