Quando querem, parlamentares agem com celeridade. A admissibilidade da reforma tributária (unificação de impostos), foi aprovada a jato pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara. O parecer do relator saiu em uma semana e, na seguinte, a matéria passou. Tudo sem nenhum acerto com o governo. E o texto não é do Executivo. Ao contrário, o Planalto não concorda.
Após chegar ao Legislativo, a proposta de reforma da Previdência demorou 62 dias para avançar na CCJ. Então, por que a Câmara agiu tão rápido no caso da tributária? Havia um acordo com o Executivo para que essa reforma só começasse a tramitar após a votação da matéria prioritária, a da Previdência. Agora...
Há mudanças nas relações dos poderes, com forte aumento da influência da Câmara em grandes decisões. Quando não impõe a pauta, dita o ritmo. O papel do presidente da Casa ganhou relevância extrema. Rodrigo Maia, chamado de “primeiro-ministro”, tornou-se fiador da reforma tributária. O andamento vai ser quando ele quiser. Enquanto isso, o matreiro centrão vende mais caro a função de pêndulo nas votações. A articulação entre o Planalto e o Parlamento é péssima como poucas vezes se viu em início de governo.
A Câmara está dando o troco à série de provocações de Bolsonaro, ao destempero de ministros e às arengações dos filhos do Capitão. Haja brigas. “Radical”, “deslumbrado”, “essa loucura aí”, são alguns termos de Rodrigo Maia contra o vereador Carlos (que o atacou nas redes sociais) e o deputado federal Eduardo. A mais recente rusga lembra a “Escolinha do Professor Raimundo”. Maia rompeu com o líder do governo, major Vitor Hugo, porque este divulgou uma charge de uma pessoa chegando ao Congresso com um saco de dinheiro na cabeça com a inscrição “diálogo”.
Aliados e adversários do governo têm algo em comum: muitos veem nos ataques do presidente da República a políticos o objetivo de jogar a população contra o Congresso – o que seria deplorável para a democracia. Essa mágoa é combustível para reação. E o tom é crescente. Até abril, o governo era açoitado por sucessivas derrotas na Câmara. Agora, está sendo atropelado.
Quais os capítulos seguintes da guerra após o caso da reforma tributária? Do embate político em alto nível pode sair bons frutos. Da medição de forças, do confronto ressentido, personalístico, dificilmente. O Brasil precisa de resultados sensatos na política para tratar graves problemas.