Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Estímulos

Juros baixos no país sinalizam riscos que rondam a economia

Manutenção da Selic em 2% ao ano não muda a vida da sociedade, mas sinaliza posição de cautela do Banco Central diante de riscos inflacionário e fiscal

Publicado em 18 de Setembro de 2020 às 05:00

Públicado em 

18 set 2020 às 05:00
Angelo Passos

Colunista

Angelo Passos

apassos@redegazeta.com.br

Taxa Selic está no menor patamar da história
Taxa Selic, os juros básicos da economia, está no menor patamar da história Crédito: Reprodução/Web
Questões muito sérias estão por trás da manutenção da Selic em 2% decidida nesta semana pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Nas circunstâncias atuais da economia, esta decisão espelha mais fatores negativos do que positivos. Esse é o ponto crucial.
O cidadão comum logo pergunta: o que muda na minha vida com a permanência da Selic no patamar em que estava? Nada. De imediato, ninguém vai sentir impacto no bolso. Mas os 2% sinalizam posição prudente da autoridade monetária diante de riscos no cenário econômico. A atenção maior deve ser no que pode ser mudado nos próximos meses na vida da sociedade e não no fato de a Selic ter ficado congelada, temporariamente.
É muito fácil e simples entender que a taxa básica em 2% é coerente com a fraqueza dos indicadores econômicos, com o desemprego muito elevado, e que há necessidade de estímulo da política monetária à economia. Perfeito. Mas também é preciso ficar atento à existência de dois riscos principais no cenário: o risco fiscal (péssimo estado das contas públicas) e o risco inflacionário, puxado pela alta exorbitante dos alimentos. As duas inquietações (a inflacionária e a fiscal), dentre várias outras, implicarão em mais dificuldades para a prática de juros menores ao consumidor.
Se o momento requer política monetária que ajude a dinamizar a atividade econômica, por que a Selic não caiu para alguma coisa menor que 2%? Justamente em função desses dois riscos. Primeiro, o inflacionário. Há quem diga que seria temerário, em meio à alta de preços de produtos essenciais. Estimularia mais aumentos, apesar da demanda estar deprimida. O Banco Central está apostando que a inflação dos alimentos é passageira, e logo perderá força. Tomara. Ademais, todo mundo sabe que os preços do arroz, do feijão, do óleo de soja etc. não seriam reduzidos se a Selic tivesse recuado para menos de 2%.
De fato, a parte fiscal é mais preocupante. Novo corte da Selic também seria considerado ousado. Desestimularia a entrada de capitais e incentivaria a saída. Porém, o maior temor está em eventual elevação dos dispêndios públicos, acima do chamado teto dos gastos. E parece que o governo tomou gosto pelo impulso gastador. Se houver sinal de que o teto fiscal será desrespeitado, a desconfiança irá se alastrar na economia. Descontrole fiscal é veneno. Nesse caso, o Banco Central terá de elevar os juros.
O estímulo da política monetária (manutenção da Selic em 2%) está condicionado à trajetória das contas públicas e à expectativa de uma inflação futura que não ameace a meta anual.

Angelo Passos

É jornalista. Escreve às segundas e às sextas-feiras sobre economia, com foco no cenário capixaba, trazendo sempre informações em primeira mão e análises, sem se descuidar dos panoramas nacional e internacional

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem BBC Brasil
Soldado dos EUA que participou da captura de Maduro é preso após ganhar R$ 2 milhões em aposta sobre saída do líder venezuelano
Imagem de destaque
O polvo de 19 metros que dominava os mares há 100 milhōes de anos
TJES
Juiz do ES é condenado à aposentadoria pela 2ª vez por não aparecer no local de trabalho

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados