Lojas começam a reabrir no interior do Estado. Com ruas relativamente movimentadas em algumas cidades. A reabertura cautelosa também deve chegar ao turismo, em momentos seguintes. O isolamento social já impôs perda superior a R$ 1,5 bilhão ao comércio capixaba, de modo geral. Na segunda quinzena de março, as atividades focadas no turismo no Espírito Santo perderam R$ 201,4 milhões em faturamento, segundo estudo da Confederação Nacional do Comércio e Serviços (CNC). Nesse período, o cancelamento de voos no aeroporto de Vitória atingiu recorde: 93% do total previsto. Quase todas as viagens de recreio e para reuniões corporativas foram canceladas.
Aliás, o novo coronavírus deve custar às empresas aéreas latino-americanas cerca de US$ 15 bilhões neste ano. No mundo, a perda das voadoras pode chegar a US$ 113 bilhões, diz a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA). O transporte terrestre também pede socorro. Tanto o de passageiro quanto o de carga.
Com o planeta parado, em quarentena, poucos se movimentam. O volume de cargas também é pequeno, em função da recessão. Em todo o mundo, o turismo é uma das partes da economia mais afetadas. Imagina no Espírito Santo, que nunca soube explorar bem economicamente o seu enorme potencial.
O cenário atual configura a segunda grande pancada no turismo capixaba. A primeira veio com as enchentes na segunda quinzena de janeiro. O interior sofreu muito. As águas destruíram ou danificaram 639 edificações públicas e privadas, 211 pontes (deixando muitas localidades isoladas) e 200 mil metros quadrados de estradas e rodovias. Nada menos de 39 municípios foram atingidos. Destes, 6 decretaram estado calamidade pública e, em 16, situação de emergência.
Entre os mais afetados estão alguns da região serrana e do litoral, de forte atratividade para o turismo. Inclusive Guarapari. É lógico que os turistas arrumaram as malas e anteciparam a volta ao local de origem. Assim, o faturamento sazonal do verão foi interrompido prematuramente. Empresas e prefeituras foram abaladas financeiramente. Até hoje, expressiva parte dos danos não foi reposta.
A crise econômica atual não tem precedentes, e o turismo pode demorar de cinco a sete anos para se recuperar das perdas de 2020. Esta é a previsão - inquietante, diga-se - da Organização Mundial do Turismo (OMT). A sociedade toda, não apenas o turismo, precisa encurtar esse período de convalescença. Por que a sociedade toda? Porque o turismo é responsável por um a cada dez empregos. A sobrevivência das empresas é extremamente importante, e para que isso aconteça haverá necessidade de diálogo muito afinado entre empresários e setor público.
No provável cenário turístico pós-coronavírus o Espírito Santo terá a vantagem de ser um destino tradicionalmente sossegado, sem grandes aglomerações - que certamente continuarão a ser evitadas durante algum tempo. Esse fator de competitividade do Estado precisa ser trabalhado em termos de comunicação. O marketing deve exaltar segurança sanitária (e outras). Além disso, as empresas devem entender e dar respostas às demandas que virão dos clientes.