As dúvidas que o mundo político capixaba leva para o carnaval
Política
As dúvidas que o mundo político capixaba leva para o carnaval
As elites políticas regionais devem ir para o carnaval, no circuito Aldeia-Iriri, com três indagações para os tradicionais almoços que costumam juntar os políticos para as “fofocas” políticas de início de ano
Publicado em 10 de Fevereiro de 2024 às 01:40
Públicado em
10 fev 2024 às 01:40
Colunista
Antônio Carlos Medeiros
acmdob@gmail.com
Neste ano bissexto, o carnaval começa mais cedo. Com ele, as dúvidas sobre os eventos políticos mais importantes se antecipam – e não esperam a chegada das águas de março.
As elites políticas regionais devem ir para o carnaval, no circuito Aldeia-Iriri, com três indagações para os tradicionais almoços que costumam juntar os políticos para as “fofocas” políticas de início de ano.
Primeiro vem, neste ano, a especulação sobre quem será escolhido(a) para a vaga do ex-conselheiro Sérgio Borges no Tribunal de Contas.
Não sendo Marcelo, Davi Diniz cresce como opção entre os deputados. Como de praxe, o governador será ouvido. Casagrande, por estilo e instinto político, não deverá usar a chamada “mão pesada” na escolha. Mas se Marcelo Santos realmente declinar, ele deverá articular a ida do seu chefe da Casa Civil, pelo qual tem apreço. Seria uma solução semelhante à escolha, anterior, do atual conselheiro Luiz Ciciliotti. A conferir.
Segundo, vêm indagações sobre as tendências das eleições municipais deste ano no Espírito Santo. Aqui, elas não deverão ter a nacionalização como padrão. Na Grande Vitória, os candidatos à reeleição partem na “pole position”. Arnaldinho Borgo (Podemos); Euclério Sampaio (MDB); Lorenzo Pazolini (Republicanos); Sérgio Vidigal (PDT); e Wanderson Bueno (Podemos). São gestões bem avaliadas. O eleitor capixaba parece querer menos ideologia e mais entregas e gestões, segundo as pesquisas.
Desta vez, como o governador Casagrande não poderá ser candidato à reeleição em 2026, a novidade é que as eleições de 2024 vão mirar 2026. Mirar principalmente as posições majoritárias: governador e duas vagas de senador, além do vice-governador.
Trata-se, para os partidos, de acumular força em 2024 para aumentar as suas respectivas bancadas na Câmara Federal e, assim, aumentar o quinhão de cada partido nos fundos partidário e eleitoral. Mas trata-se, sobretudo, de acumular forças para as eleições majoritárias de 2026.
Sede da Assembléia Legislativa do ESCrédito: Carlos Alberto Silva
Portanto, a terceira indagação para as “fofocas” nos convescotes do carnaval é: quem vai suceder Renato Casagrande? Quem terá capital político e eleitoral para disputar as duas vagas ao Senado?
De pronto, tem um fato novo no horizonte. O ex-governador Paulo Paulo Hartung já sinalizou aos seus aliados históricos que poderá voltar para a política e disputar um cargo majoritário. Principalmente governador. Isso interfere no tabuleiro do xadrez político regional, apesar da diminuição do recall de Hartung.
O candidato natural à governadoria é o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB). É nele que estão, hoje, depositadas as expectativas de poder. O poder se alimenta de expectativas de poder.
Além de Ricardo, vários políticos da chamada nova geração política se colocam para as vagas majoritárias em 2026. Por exemplo: Arnaldinho, Euclério, Pazolini, Helder Salomão (PT); Marcelo Santos; Evair de Melo (PP); Josias da Vitória (PP); Sérgio Meneguelli (Republicanos); e Fabiano Contarato (PT).
Mas a eventual entrada para valer de Paulo Hartung no jogo mexe no tabuleiro. Intuo, a preços de hoje, que a velha guarda ainda tem mais capital político de amplitude estadual/regional do que a nova geração.
Assim, Ricardo Ferraço, Renato Casagrande e Paulo Hartung teriam mais capital político, capital simbólico e capital social para as disputas dos três cargos majoritários: governador e dois senadores. A vaga de vice-governador vem sempre no bojo dos arranjos eleitorais necessários.
É óbvio que será preciso “combinar com o beque”, ou seja, com Sua Excelência, o eleitor. Mas, a preços de hoje, é isso que aparece no horizonte. O que significa que a esperada transição política no Estado poderá se estender mais um pouco, até 2030.
Com a ressalva de que, no Espírito Santo, aqueles tempos de geopolítica de gabinetes não existem mais. As máquinas políticas das redes sociais não permitem mais esse xadrez “pelo alto”.
São apenas anotações para as “fofocas” do carnaval. Até as águas de março. Bom carnaval para todos.
Antônio Carlos Medeiros
É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas