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Política

Bolsonaro pode returbinar as máquinas digitais dos engenheiros do caos

É hora de o presidente Lula materializar para valer a ideia da Frente Ampla. Isso não aconteceu ainda. Ainda é hora. Mas a ampulheta está na mesa

Publicado em 01 de Abril de 2023 às 00:15

Públicado em 

01 abr 2023 às 00:15
Antônio Carlos Medeiros

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Antônio Carlos Medeiros

acmdob@gmail.com

Ex-presidente Jair Bolsonaro acena para apoiadores pela janela do prédio onde fica a sede do PL em Brasília
Ex-presidente Jair Bolsonaro acena para apoiadores pela janela do prédio onde fica a sede do PL em Brasília Crédito: Reuters / Reuters Internacional
Atenção, alerta! Que o centro do espectro político se prepare. O retorno de Jair Bolsonaro ao Brasil já reativou as máquinas digitais dos “engenheiros do caos”, nas redes sociais e no ciberespaço.
É boa hora para ler, ou reler, o livro “Engenheiros do Caos”, de Giuliano Da Empoli. Ele narra os fatos, eventos e fenômenos que convergiram para a ascensão dos físicos, cientistas e consultores especializados em Big Data, oriundos das premissas da física quântica. Criaram, na metáfora de Empoli, “partidos-algoritmos”, sobrepujando os partidos políticos tradicionais.
São os protagonistas da utilização das plataformas digitais, a partir do Facebook, para a construção do neo-populismo em escala transnacional: Gianroberto Casaleggio, com o Movimento 5 Estrelas na Itália; Steve Bannon, com Trump nos EUA; Dominic Cummings, com o Brexit no Reino Unido; Milo Yannopoulos, o blogueiro inglês que trabalhou com Trump; e Arthur Finkelstein, conselheiro de Viktor Orban. Dentre muitos outros.
Entenderam e canalizaram o espírito da época para a construção do neo-populismo. O nome do jogo é engajamento. Para canalizar o medo, a raiva, o ódio e a cólera. Escolhendo inimigos políticos para calcificar a polarização política, em causação circular. Cultivar a cólera e estimular o narcisismo das “selfies”, para criar sensação de pertencimento, tensionando a polarização política com os seus algoritmos.
Esvaziam a possibilidade da moderação política que converge para o Centro, objetivo da democracia liberal. Estimulam os extremos. Direcionam a política para movimentos centrífugos. Que se voltam para reverter os movimentos centrípetos da democracia representativa. Em vez da moderação, o radicalismo.
O “partido digital” se torna adversário dos partidos políticos tradicionais, enfatiza Giuliano Da Empoli. Substitui a democracia liberal pela “iliberal”. Trolls, fake news, verdades alternativas que colocam a democracia representativa no canto do ringue.
Trata-se da hegemonia cultural do ciberespaço, retratada no trabalho seminal de Empoli. Aqui no Brasil resultou, como sabemos, no bolsonarismo, inspirado por Bannon e por Trump. Bolsonaro também na trilha de Carl Schimitt, citado por Empoli : “a política consiste, antes de tudo, em identificar o inimigo”.
Pois bem. Jair Bolsonaro está de volta. O seu PL, liderado por Valdemar Costa Neto, programa iniciar desde já viagens pelo Brasil, seja com Jair Bolsonaro, seja com Michelle Bolsonaro. Pé na estrada para alimentar engajamentos e a polarização antipetista com o governo Lula. Colocando, desde já, as eleições de 2024 nas ruas. Mirando 2024 e, principalmente, 2026. É o “modo eleição permanente”, que construiu o bolsonarismo.
Assim, mesmo com as possibilidades de inelegibilidade que pairam sobre Bolsonaro, o fato concreto é que o partido-algoritmo está de volta. Sinais de tensões centrífugas permanentes sobre a conjuntura política brasileira. É hora de o presidente Lula materializar para valer a ideia da Frente Ampla. Isso não aconteceu ainda. Ainda é hora. Mas a ampulheta está na mesa.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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