Lucas Margotto, experiente analista de pesquisas, aponta o favoritismo do
governador Renato Casagrande (PSB) para a reeleição, caso ele seja candidato. E mostra a competitividade potencial de
Sergio Meneguelli (Republicanos), caso ele seja candidato ao Senado. Com aprovação próxima de 56%, Casagrande é o "player" mais competitivo, diz Lucas. Ainda mais porque, nas pesquisas, “ele inspira expectativas positivas de 69% de melhoria da economia e da pandemia”. Já Meneguelli, segundo Lucas, tem grande viabilidade, “principalmente se Paulo Hartung não disputar”.
Para a governadoria, o único pré-candidato que poderia ameaçar o favoritismo do governador seria
Fabiano Contarato (PT), afirma Margotto. “Com ele na disputa, as eleições poderiam ir para o segundo turno, com alto risco para Renato. Mas, como 80% das intenções de voto em Contarato migrariam para o governador, caso ele não fosse candidato, isso significa que Renato Casagrande poderia até ganhar no primeiro turno”.
“Os demais pré-candidatos – Manato, Guerino, Audifax, Erick, Aridelmo e Rigoni – são vistos como à direita e pulverizam os votos nesse campo, não ameaçando o favoritismo de Renato”, constata Lucas. Ele estima, pelas pesquisas, que o espectro político mediano do ES está assim: 36% à direita; 20% no centro; e 16%/18% à esquerda. Cerca de 26% do eleitorado não se identifica ideologicamente. Esses teriam expectativa de moderação e seriam propensos à volatilidade e à alienação eleitoral (brancos, nulos e abstenções).
Lucas mostra que os índices de indefinição são baixos, mas que a “alienação eleitoral é o grande fantasma”: nas pesquisas, o “ninguém” é maior que o “indecisos”. Ele ressalta que a conquista dos jovens é uma das grandes incógnitas das eleições de 2022, no campo da alienação e volatilidade.
Assim, para ele, se Casagrande se aproximar do centro, com um vice dessa faixa e alianças com outros partidos, para além do PSB, ele fica muito forte. “Atrai o grande contingente de moderados do centro e constrói uma chapa imbatível”, vaticina. E especula: “quem se aproximar agora de Renato, poderá ganhar em 2026”. Uma aliança de Campanha, seguida por um governo de coalizão, sem a hegemonia do PSB.
Na disputa para o Senado, Lucas enxerga grande viabilidade para Meneguelli. “Ele supera Rose, Magno e Da Vitória”. E pode ser páreo para Hartung, se esse for candidato. Nesse ponto da análise, ele especula que o Republicanos poderia, então, “ter dois federais, três estaduais e um senador”. Uma força política emergente.
Em geral, Margotto enumera algumas características possíveis nas eleições de 2022: não haverá espaço para “outsiders” ou para aventuras, como em 2018; o eleitorado busca a segurança da experiência de gestão e moderação. Para ele, é um perfil que favorece Casagrande. Aliás, diz ele, Renato é visto como esquerdista pelos da direita e como direitista pelos à esquerda, dada a sua imagem moderada e conciliatória.
Eleições intrincadas. O desafio é conseguir dialogar com os jovens, que representam mais de 30% do eleitorado, e mobilizar a atenção do grande contingente que está com medo do futuro, que não acredita mais na política, e que tende à alienação eleitoral. No meio tempo, prestemos atenção em Paulo Hartung, Fabiano Contarato e Sergio Meneguelli. São atores políticos importantes no xadrez de 2022.