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Eleições 2022

Como deve ser a corrida de curto percurso pelo governo do ES?

O favoritismo de Casagrande nas pesquisas indica possibilidade de vitória no primeiro turno. Mas há indicadores que corroboram a máxima de que “eleições não se ganham de véspera”

Publicado em 27 de Agosto de 2022 às 00:15

Públicado em 

27 ago 2022 às 00:15
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

acmdob@gmail.com

Na largada, a disputa pela governadoria do Espírito Santo começa confirmando indícios de volatilidade do voto e de alienação eleitoral (brancos, nulos e abstenções).
O favoritismo de Renato Casagrande (PSB) nas pesquisas indica possibilidade de ganhar no primeiro turno. Mas há indicadores que corroboram a máxima de que “eleições não se ganham de véspera”.
A rejeição ao governador Casagrande é de 24%, a mais alta. Natural pela fadiga de material, após tantos anos na estrada. Mas não é extraordinária, bem abaixo do corte de 40%, considerado sinal de alerta. Mas, ainda assim, rejeição. O que relativiza a rejeição de Casagrande é o fato de que a rejeição de Manato (PL) é de 19% e de que as rejeições de Audifax (Rede); do Capitão Vinicius Souza (PSTU); de Aridelmo (Novo); e de Guerino Zanon (PSD), estão emboladas em 16%, considerando os limites da margem de erro de 4% da última pesquisa Gazeta/Ipec.
Além da rejeição pela fadiga de material, a reeleição de Renato Casagrande também enfrenta indícios de volatilidade do voto. Segundo o Ipec, ele tem 52% na intenção estimulada, mas cai para 24% na intenção espontânea, que representa os votos cristalizados. Há, portanto, potencial de mudança do voto no decorrer da campanha eleitoral. Combinada com a volatilidade está a potencial alienação eleitoral, captada na pesquisa Gazeta/Ipec.
O que favorece a chapa de Casagrande na largada é a expectativa de poder gerada pela possibilidade de ele ganhar no primeiro turno. Pode atrair novos apoios de prefeitos, vereadores e lideranças políticas e empresariais. Além disso, a escolha de Ricardo Ferraço (PSDB) como vice na chapa abre possibilidade de ampliação das alianças políticas para disputar a eleição. E, depois, vai ampliar a possibilidade de melhorar a governabilidade, com novos apoios na sociedade civil, caso a chapa seja vencedora.
Nesse cenário, o tiroteio na direção de Casagrande já foi acentuado nas redes sociais. É um “todos contra um”. No chumbo trocado, entretanto, Manato, Audifax, Guerino, Aridelmo e Capitão Souza vão precisar ganhar musculatura para enfrentar a disputa no campo das melhores propostas e da experiência de gestão. Não basta acusar. O eleitor, normalmente, não gosta de “baixo nível”. Será preciso propor soluções factíveis e críveis.
O desafio é: como eles vão ampliar as respectivas candidaturas. Vejamos. Manato baseia-se na experiência legislativa e na aproximação com os maranatas e bolsonaristas. Mas tem pouca experiência no executivo. Audifax tem aproximação com os evangélicos e experiência administrativa, mas tem perfil paroquial de político local da Serra. Guerino adotou o discurso bolsonarista e tem boa experiência no executivo e no legislativo, mas também tem perfil de político local. Aridelmo tem capacitação técnica e experiência administrativa, mas ainda é pouco conhecido e precisa superar o tom professoral. Já Capitão Souza precisa ser mais conhecido para entrar no páreo.
Uma incógnita, ainda, é saber quem vai conquistar os jovens. Outra incógnita é saber como todos vão conseguir convencer os eleitores a comparecer e votar. Começou a disputa para valer. São 2.921.506 eleitores em 2022, sendo 53% de mulheres e 47% de homens.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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