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Política

No fim do ano, surpresa e déjà vu nos rumos do Brasil

O que nos leva ao velho corolário: a economia é função da política. A melhoria das expectativas também. Até quando permanecerá o nosso déjà vu? Círculo vicioso?

Publicado em 16 de Dezembro de 2023 às 01:29

Públicado em 

16 dez 2023 às 01:29
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

acmdob@gmail.com

O Brasil termina o primeiro ano do governo Lula com a surpresa da ancoragem das expectativas econômicas. E com a sensação de déjà vu na ainda frágil ancoragem das expectativas políticas e institucionais.
Analistas de diferentes matizes enumeram as surpresas na economia. O crescimento foi maior do que o previsto. A inflação chega ao intervalo da meta. O Ministério da Fazenda formulou um arcabouço fiscal e uma reforma tributária que ancoraram expectativas e reduziram os temores fiscais do mercado financeiro. E a safra foi a maior da história, com o maior saldo na balança comercial do país. O que influenciou a estabilidade do câmbio.
Por sua vez, o déjà vu na esfera das expectativas político-institucionais tem a ver com os velhos problemas do sistema político e do arranjo institucional. Agora com o novo problema do parlamentarismo branco, configurando um semipresidencialismo que, por ser informal, é foco de instabilidade permanente.
Nessa área política, o presidente Lula teve que entrar em campo para liderar a articulação política. Instintivamente, ele calibrou a bússola para a rotação da realpolitik na política interna. Mas o velho calcanhar de Aquiles da dificuldade de formação de maiorias estáveis de governo mostra a sua cara todos os dias. Agora mais ainda.
No plano da economia, o que se espera para 2024, e depois, é a permanência da ancoragem das expectativas, apesar do fogo amigo recorrente e da exacerbação da polarização política.
O fogo amigo trombeteia por mais gastos, às portas das eleições municipais de 2024. A polarização calcificada entre bolsonaristas e petistas alimenta a busca por mais emendas orçamentárias - fragmentadas e eleitoreiras.
Tudo converge para comprometer a qualidade das políticas públicas e tornar o Orçamento Geral da União um queijo suíço.
É preciso acelerar as iniciativas de busca de qualidade nos gastos públicos, o que pressupõe reestruturação de gastos, para a realização de investimentos voltados para melhorar a produtividade na economia e a qualidade nas políticas públicas.
Pressupõe, também, a promoção de mudanças administrativas no modelo de recursos humanos do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. As estruturas de cargos e salários são anacrônicas, regressivas e ineficientes. Não se pautam pelo mérito. Há funções que não são mais necessárias.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversa por telefone com presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversa por telefone com presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas Crédito: Ricardo Stuckert/PR
Elas sobrecarregam o Orçamento da União com projetos que não têm mais relevância para a sociedade. A burocracia alimentando a burocracia. O que se precisa buscar é um estado empreendedor, e não um estado empresário.
No plano político-institucional , é preciso superar o déjà vu. Há que se ajustar as estruturas institucionais do sistema político em vigor. Continuando o processo incremental de reformas políticas, principalmente a democratização do sistema partidário oligárquico e a reforma eleitoral.
Quanto ao semipresidencialismo, na prática ele já está em vigor. Só que em padrão “jeitinho brasileiro”. Aí é que está o problema. Não impulsiona estabilidade política.
Enquanto não forem retomadas as reformas – em ritmo incremental – a governabilidade e a formação de maiorias continuarão instáveis.
Tudo contribui para pairar os fantasmas da instabilidade política e da incerteza econômica para 2024 e depois.
O Orçamento Geral da União (OGU), tal como está, estrangula a capacidade de investimentos do governo e cria incertezas para a realização de investimentos privados.
Tudo somado, o regime fiscal do país é função do seu arcabouço político-institucional. Ou seja, o OGU é expressão das opções e prioridades da sociedade em termos de políticas públicas, e não apenas do Executivo federal.
O que nos leva ao velho corolário: a economia é função da política. A melhoria das expectativas também. Até quando permanecerá o nosso déjà vu? Círculo vicioso?

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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