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Desenvolvimento sustentável

O Brasil na transição para a economia de baixo carbono

País pode vir a ser um líder do Pacto Verde que se espraia pelo planeta, especialmente no caso da energia, mas não apenas

Publicado em 13 de Março de 2021 às 02:00

Públicado em 

13 mar 2021 às 02:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

acmdob@gmail.com

Dinheiro em moedas
Pandemia mostrou as conexões entre clima, natureza, desenvolvimento e vida Crédito: master1305/Freepik
Volto à janela de oportunidade aberta para o Brasil com a decisão do governo Biden de retomar o Acordo de Paris, como vetor para o desenvolvimento sustentável do planeta. São ecos da pandemia, que mostrou as conexões entre clima, natureza, desenvolvimento e vida.
O embaixador Rubens Barbosa cita declarações das porta-vozes da Casa Branca e do Departamento de Estado, segundo as quais “a prioridade é manter o diálogo e buscar oportunidades para trabalhar conjuntamente com o governo brasileiro nas questões em que haja interesse nacional comum, pois existe uma relação econômica estratégica entre os dois países”. Barbosa lembra, também, que Tod Stern, um dos negociadores dos EUA na questão climática, afirmou que “os EUA usarão toda a força da diplomacia para conseguir atingir a meta: parar o desmatamento. E mais: “Sem a Amazônia intacta o Acordo de Paris é impossível”. A janela está aberta.
Pois bem. É crescente a constatação, prática e conceitual, de que é preciso entender a natureza como valor econômico, não apenas como “matéria prima”. É também crescente a superação da oposição entre “natureza” e “desenvolvimento”. Neste contexto, é cabal o fato de que o Brasil tem enorme potencial econômico de desenvolvimento pela via sustentável.
O Brasil pode vir a ser um líder do Pacto Verde que se espraia pelo planeta, especialmente no caso da energia, mas não apenas. O Pacto Verde, como se sabe, tem sido liderado pela Alemanha (e União Europeia), China e Estados Unidos, na direção de uma economia de baixo carbono com metas até 2050. Uma transição que parece não ter mais volta. Virou imperativo de realidade. Melhorar a combinação entre luz, água e ar na Terra. Natureza, energia e vida.
Em livro seminal (“Brasil Paraíso Restaurável”), Jorge Caldeira, Julia Sekula e Luana Schabib evidenciam que a matriz do novo conceito ganhou tração. Não se trata mais de “progresso ou natureza”, e sim de “natureza é progresso”, afirma Caldeira. É esta matriz que está sendo tecida, aqui e acolá. A energia renovável é o vetor catalisador de uma reorganização mais ampla da vida econômica e social. Ela induz novo modo de vida, produção, convivência e desenvolvimento. O livro mostra este caminho.
O Brasil está na frente. Na matriz elétrica, o país tem 83% de energia renovável. Já o mundo tem 77,4% de combustíveis fósseis. Na matriz energética, o Brasil tem 43,3% de energia renovável. O mundo tem 10,46%. Esta é a base real para buscar a co-liderança do Brasil no Pacto Verde, “caso o país entre num regime de metas ambientais consoante com o que hoje predomina nas economias da União Europeia e China”, afirma Jorge Caldeira.
O conceito da natureza como valor já se espraiou para além da energia e penetrou nas empresas, nas seguradoras e nos mercados financeiros. No Brasil, precisa ser internalizado pelo governo Bolsonaro. O país não pode seguir na contramão do mundo.
*Este texto não traduz, necessariamente, a opinião de A Gazeta

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

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