Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Política

Renovação do contrato social é o que vai conter nosso retrocesso civilizatório

Esse redesenho político-institucional requer que o Senado da República assuma com mais vigor a sua função precípua de Casa dos Estados. E que os governadores se articulem com mais vigor e efetividade no plano nacional

Publicado em 04 de Junho de 2022 às 02:00

Públicado em 

04 jun 2022 às 02:00
Antônio Carlos Medeiros

Colunista

Antônio Carlos Medeiros

acmdob@gmail.com

Congresso Nacional, em Brasília: dever de acelerar debates sobre reformas
Congresso Nacional, em Brasília: dever de acelerar debates sobre reformas Crédito: Waldemir Barreto/Agência Senado
Os cenários para 2023 e depois são turbulentos. O reencontro do país com um norte vai requerer ajustes finos entre os Três Poderes da República. Para reconectar o Estado com a sociedade e retomar caminhos para a prosperidade. Nessa direção, será preciso ampliar canais de diálogo e mediação política. Vem daí o imperativo político-institucional de nova ancoragem política. A ancoragem federalista.
A grande tarefa da defesa da democracia brasileira (e da prosperidade do Brasil) é fortalecer o seu caráter negociado e consensual. Assim como outras sociedades plurais e heterogêneas, construímos uma democracia-por-consenso, como a Itália e a Alemanha. Nesse contexto, uma nova ancoragem federativa de nossa democracia-por-consenso poderia revigorar o contrato social brasileiro e criar condições de governar com efetividade e estabilidade.
Esse redesenho político-institucional requer que o Senado da República assuma com mais vigor a sua função precípua de Casa dos Estados. E que os governadores se articulem com mais vigor e efetividade no plano nacional, catalisando forças regionais e sociais. A política brasileira tem inequívoca dimensão regional. Ela advém de acentuadas diversidades e heterogeneidades, que fazem deste país um grande mosaico.
A lógica da carreira política no Brasil é local e regional. E a nossa tradição presidencialista dá centralidade política aos governadores no processo decisório, reforçando o caráter “estadualista” do federalismo brasileiro. Tudo somado, acaba-se reforçando a necessidade do federalismo na consolidação da nossa democracia.
Hoje, o ponto central é que os Estados e municípios precisam desempenhar outro papel, num contexto de recuperação da capacidade de indução e articulação do governo federal. Os Estados precisam assumir o papel de instrumentos de catalisação do desenvolvimento. Já os municípios precisam assumir o papel de prestadores de serviços locais e microrregionais. Nesse arcabouço, o governo central tem que ganhar “leveza” e agilidade para articular e induzir a direção do desenvolvimento nacional, além de normatizar e regular a prestação de serviços públicos.
A construção pactuada e negociada de um arcabouço institucional centrado no conceito e prática de federalismo cooperativo, substituindo o modelo atual de federalismo competitivo e assimétrico, vai significar uma saudável direção descentralizadora - seja na dimensão gerencial da prestação de serviços públicos, seja na dimensão política da mediação de interesses e relações sociais e na dimensão econômica de avanço no processo de diminuição das desigualdades regionais.
A recentralização financeira e político-institucional, ocorrida desde os governos FHC e Lula, não contribui, neste momento histórico, com a governabilidade do Brasil e volta a exacerbar o conflito federativo: os interesses da unidade nacional e das suas partes não coincidem. Encontrar a porta da saída política para a superação desse conflito é um grande desafio colocado hoje para o Brasil.
O Senado da República, a Casa dos Estados, precisa tomar a iniciativa. Criar condições para a concertação do federalismo cooperativo. Dialogar com os outros poderes da República. Dialogar com os governadores e com os prefeitos. Dialogar com a sociedade. Esta é uma questão de Estado. A renovação do contrato social brasileiro. Com ancoragem federativa.

Antônio Carlos Medeiros

É pós-doutor em Ciência Política pela The London School of Economics and Political Science. Neste espaço, aos sábados, traz reflexões sobre a política e a economia e aponta os possíveis caminhos para avanços possíveis nessas áreas

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Como um brasileiro buscou apoio de Thomas Jefferson, autor da independência americana, para separar o Brasil de Portugal
Fernando Tatagiba
Parte 2: para o aniversário de morte de Fernando Tatagiba
Presídio
Quanto custa manter cada preso do sistema carcerário do ES

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados