Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Sociedade

Além de tudo, riscos pelo mar, pelo ar e nas calçadas

Se é mais difícil o enfrentamento de questões mundiais pela complexidade das questões que se apresentam nesse nível, o que acontece mais próximo do território onde se habita, trabalha e circula, pode e deve ter cobrança mais direta

Publicado em 05 de Março de 2026 às 03:20

Públicado em 

05 mar 2026 às 03:20
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

arlindo@villaschi.pro.br

Dos efeitos negativos da distopia alimentada constantemente pelo que acontece mundo afora com a cobertura em tempo real pelos grandes noticiários e pelas redes sociais, destaque para o da apatia. Venha ela sob a forma de insensibilidade ou indiferença; apresente-se ela como estado d’alma insuscetível de comoção ou interesse.
Insensibilidade ou indiferença gerada e alimentada pelo volume e intensidade de informações que deixam pouca margem a dúvidas com relação à insustentabilidade socioambiental e à perspectiva de dias melhores para a humanidade. Atrocidades se espalham sob formas diversas. Como o recente ataque ao Irã e o genocídio patrocinado pela dupla Estados Unidos / Israel em Gaza; a expropriação de recursos naturais através de intervenções militares, como a dos estadunidenses na Venezuela; o bloqueio injustificável como o que ianques promovem crescentemente a Cuba desde os anos 1960.
No plano nacional, atrocidades são naturalizadas através da forma fria como são relatadas pelos meios de comunicação de massa e pela redes sociais como se normais fossem. Frieza que leva à indiferença de muitos diante do crescente feminicídio; da omissão dos poderes no enfrentamento à exarcebada concentração de rendas e propriedades; dos desvios de recursos públicos para a continuada sangria do pagamento dos serviços da dívida em detrimento de investimentos sociais em áreas essenciais como saúde, educação e saneamento básico.
Em nível estadual, é quase inexistente o debate sobre a forma como o governo estadual se propõe a conceder para exploração privada áreas destinadas à conservação de espécies da flora e fauna. Quase nada se discute sobre a terceirização para agentes de fora do estado da gestão de incentivos fiscais e financeiros voltados para o desenvolvimento da ciência/tecnologia/inovação e do crescimento sustentável social e ambientalmente.
No plano local, é ensurdecedor o silêncio das autoridades municipais diante das históricas e crescentes agressões feitas ao ar por todos respirados e ao mar usado para lazer e práticas esportivas. É praticamente inexistente o debate consistente sobre o pó preto respirado e depositado bem distante de suas fontes de emissão. Falta consistência no debate para que os diagnósticos feitos em vários momentos da história recente tenham encaminhamentos técnicos para a solução efetiva do problema.
Efetividade no enfrentamento do que indicam diagnósticos e encaminhamentos técnicos que se diluem e desaparecem com propagandas enganosas de quem polui. Esses usam e abusam de engenhosos esquemas de publicidade e marketing para se apresentarem como defensores do meio ambiente e promotores da arte e cultura locais. Tudo muito barato diante das agressões socioambientais.
O mar que banha a cidade também há muito é agredido por descargas de águas poluídas. Mais recentemente essa agressão foi escancarada com manchas nas águas de praias e fétidos odores facilmente perceptíveis para quem delas se aproxima.
Por último, mas nem por isso menos importante, às diversas formas de insegurança vivenciadas por quem circula pela cidade soma-se agora aquela representada por veículos motorizados de duas rodas que transitam pelas calçadas. Nada de campanhas educativas; nada de supervisão de agentes de segurança que coíba o uso indevido desses veículos.
O que sobra, por um lado, é a sensação de insegurança para quem – principalmente para crianças e idosos – utiliza calçadas para circulação a pé. E, por outro, a impunidade de quem aterroriza e atropela aqueles que têm prioridade no uso de calçadas: os pedestres.
Velocidade
Na Orla de Camburi, uma Placa da Guarda Municipal de Vitória alerta para o limite de velocidade de 20km. Crédito: Carlos Alberto Silva
Se é mais difícil o enfrentamento de questões mundiais pela complexidade das questões que se apresentam nesse nível, o que acontece mais próximo do território onde se habita, trabalha e circula, pode e deve ter cobrança mais direta. Nas instâncias federal e estadual, o processo eleitoral de 2026 pode ser um bom momento para renovar a composição do Congresso Nacional e da Assembleia e questionar as desastrosas ações do governo estadual no que se refere à sustentabilidade socioambiental.
No meio do exercício de seus mandatos, autoridades municipais precisam ser cobradas diante do ensurdecedor silêncio com que reagem aos continuados e crescentes perigos do ar respirado, do mar onde se banha e das calçadas por onde se caminha.
Ensurdecedor silêncio que precisa ser quebrado com ações que estão sob sua direta alçada e com cobranças a quem de direito nas esferas estadual e federal. Ações e cobranças que precisam ser compatíveis com os facilmente publicizados conceitos de ‘cidade inteligente’, metro quadrado mais valorizado e outros do gênero.
É passada a hora de valorizar soluções técnicas de humanos que tornem a cidade melhor e mais segura para todos. É passada a hora de ter ações em nível local que priorizem menos ganhos especulativos de poucos e foquem mais no bem-estar e bem viver da maioria da população.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Mulher roncando
Roncar é perigoso? Especialista explica os riscos e como tratar o problema
Cantor Roberto Carlos comemora os 85 anos em show em Cachoeiro de Itapemirim
Roberto Carlos emociona fãs em show de aniversário em Cachoeiro de Itapemirim
Imagem de destaque
'O dilema de Malaca': por que outra passagem crítica para a navegação gera preocupação no comércio global

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados