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Meio ambiente

Diagnóstico e ações imediatas: gases de efeito estufa e mobilidade urbana no ES

É preciso que haja disposição de governantes nas esferas estadual e municipais para fazer o simples e enfrentar o lobby das montadoras de automóveis e da indústria do petróleo

Publicado em 13 de Julho de 2023 às 00:15

Públicado em 

13 jul 2023 às 00:15
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

arlindo@villaschi.pro.br

É importante que questões como a da emergência climática combinem estudos técnico-científicos com ações em áreas nas quais existem soluções de curto prazo, a baixo custo e com positivos impactos sociais e econômicos. Estudos técnico-científicos que precisam se legitimar através do sempre necessário diálogo com a sociedade. Soluções de curto prazo que podem ser buscadas no bom senso e no pensar e agir fora da caixa.
Tendo isso em mente, valem algumas observações sobre o relatório técnico publicado pelo governo estadual em 2022 referente ao Plano de Descarbonização e Neutralização das Emissões de GEE do Espírito Santo. Neutralização mais do que urgente, já que o enfrentamento dos gases de efeito estufa (GEE) são determinantes para se entender e solucionar a questão do clima que a todos impacta.
Ainda que apresentado como ‘versão orientativa’, o estudo traz algumas indicações que já podem ser objeto de questionamento crítico. Aqui, esses questionamentos se restringirão ao setor transporte – mais especificamente ao transporte de passageiros - que, como consta do plano, é a quarta atividade econômica que mais emite GEE.
A escolha de transporte de passageiros se justifica, dentre outras, pelo impacto que tem na vida econômica e social das cidades, principalmente daquelas na Região Metropolitana da Grande Vitória e as de porte médio que são polos regionais. Todas com taxas de crescimento significativa como demonstram os resultados recentemente publicados pelo Censo Demográfico de 2022.
Justifica também porque no que se refere aos transporte de passageiros, o plano ilustra a importância de serem questionadas premissas e indicações técnica e politicamente equivocadas. Uma delas é a do determinismo tecnológico que se restringe a respostas certas para perguntas erradas.
Uma delas é a referente à fonte de energia para a chamada mobilidade urbana. Biocombustíveis, eletrificação de veículos leves, por exemplo, diminuem a emissão de GEE, mas deixam de considerar efeitos nocivos dos veículos individuais privados. Além dos custos sociais e ambientais que geram a expansão de sua frota, a pressão política dela resultante por construção de novas vias acaba por distorcer prioridades na aplicação de recursos públicos.
Ônibus do Sistema Transcol envolvido na ocorrência em Vila Velha
Ônibus do Sistema Transcol envolvido na ocorrência em Vila Velha Crédito: Tarciane Vasconcelos
Soluções tecnológicas como as apontadas no plano - Implantação do transporte coletivo por meio do modo ferroviário (Veículo Leve sobre Trilhos - VLT) e Smart Mobility (Mobilidade Inteligente) – devem ser buscadas no longo prazo. Os quase 20 anos que a primeira vem sendo discutida por governadores do estado e prefeitos da Grande Vitória demonstram dificuldades econômicas e institucionais.
Dificuldades que sinalizam que há que se buscar soluções mais rápidas e menos sofisticadas para a importância reiterada pelo plano para o uso do transporte público coletivo de passageiros. Mas o incentivo a esse vai muito além do nele indicado: “... aumento do conforto no ônibus (menos pessoas em pé), mais segurança dentro dos ônibus, nos pontos e nos terminais, e aumento da frequência dos ônibus nas paradas das rotas visando um menor intervalo de espera do passageiro”.
Passa por soluções de curto prazo; de forte impacto econômico e social para a maioria da população; e de baixo custo de implantação e manutenção para a administração pública. Estabelecer pistas exclusivas para o transporte público; expandir a malha de ciclovias; melhorar a qualidade de calçadas e dos abrigos nas paradas de ônibus, dentre outras medidas, são reconhecidas alternativas de uso de recursos públicos de baixo custo e com alto impacto social, econômico e ambiental.
Para tanto é preciso que haja disposição de governantes nas esferas estadual e municipais para fazer o simples e enfrentar o lobby das montadoras de automóveis e da indústria do petróleo. Simples, mas longe de ser fácil, esse enfrentamento pode ser um bom teste para avaliar o real compromisso das autoridades estaduais com o emergência climática.
Emergência que diz respeito, sim, a gerações futuras, mas que precisa ser entendida como algo prioritário para aquelas do presente, independentemente de qual faixa etária se encontra.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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