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Democracia

O cada vez mais necessário debate sobre o bem comum

Pensar e agir criticamente sobre a disponibilidade desigual de serviços básicos e sobre a distribuição e apropriação concentrada de bens comuns pode ser um bom exercício de final de ano

Publicado em 16 de Dezembro de 2021 às 02:00

Públicado em 

16 dez 2021 às 02:00
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

arlindo@villaschi.pro.br

A ideia de bem comum pode ser associada a regras sociais às quais todos passam a prestar obediência mediante o respeito à vontade geral. Como o processo de deliberação sobre essas regras nem sempre envolve a participação de todos, a chamada vontade geral pode resultar da imposição de alguns poucos sobre a maioria. Por isso, para que o respeito a elas ocorra, recorre-se a instituições que raramente estão efetivamente voltadas para assegurar a melhor distribuição de direitos entre todos os indivíduos.
A inquietação percebida em muitos países bem antes da emergência da pandemia da Covid-19 indica que é considerável o descrédito pelo qual passam as principais instituições que devem estar voltadas para esse respeito à vontade geral e aos direitos naturais dos indivíduos. Uma razão possível para isso é o fato de que a vontade geral pode ser mascarada por pesquisas de opinião pública, e muitos indivíduos se sentem desconsiderados na definição do que é bem comum e desprotegidos na preservação de seus direitos.
Isso tanto com relação aos poderes que constituem o Estado – Executivo, Judiciário e Legislativo – quanto aqueles que têm outras formas de legitimação como os meios de comunicação de massa e as igrejas. O descrédito ganha corpo e objetividade quando são denunciadas as formas de atuação dos chamados poderes públicos – principalmente no que diz respeito a serviços básicos como saúde, educação, mobilidade urbana etc.
Mas igualmente significativo é o desconforto de muitos com a maneira como fatos e eventos são cobertos por veículos de comunicação social; com a crescente intolerância de muitas denominações religiosas; com a forma de atuação de sindicatos patronais e de trabalhadores, de partidos políticos, de associações profissionais etc..
O pouco espaço dado para o debate do diverso e do contraditório nesses poderes constituídos resulta em frustrações que tanto podem levar à apatia da maioria quanto à ação violenta de minorias. Se apatia e ação violenta são faces da mesma moeda chamada frustração, é importante discutir-se como construir novas bases para o bem comum.
A busca dessas novas bases pode ser orientada para a superação do individualismo que inibe a individualidade; para o progresso econômico que valorize a natureza e o ser humano, em contraposição ao crescimento voltado para poucos e destruidor do meio ambiente. Para o entendimento de que todos têm muito a ganhar quando é ampliado o acesso às cidadanias política, econômica e social.
Esse entendimento é alcançável diante das facilidades que emergem das chamadas tecnologias da informação e das comunicações. Mas para que isso aconteça é preciso superar zonas de conforto a que são levados quem adere a bolhas construídas entre iguais em redes sociais. Bolhas e zonas de conforto que separam pessoas e que resultam na cooptação por poucos de instituições que acabam por desconsiderar a necessária igualdade entre todos, independentemente de raça, sexo, filiação religiosa ou classe social.
O resultado de instituições que primam pela defesa de interesses particulares em detrimento do bem comum são crescentes custos sociais, políticos e econômicos. Isso pode ser constatado na forma como serviços básicos como saúde, educação e segurança, e outros, estão disponíveis e distribuídos entre pessoas, bairros, cidades, estados, países.
Pode ser também observado como bens comuns – tais como terra e água – são distribuídos entre pessoas, sejam elas indivíduos, sejam elas corporações travestidas como pessoas jurídicas.
Pensar e agir criticamente sobre a disponibilidade desigual de serviços básicos e sobre a distribuição e apropriação concentrada de bens comuns pode ser um bom exercício em tempos de final de ano para quem genuinamente deseja um mundo melhor para si, para os outros e para gerações futuras.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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