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Ciência

O oportuno retorno da SBPC ao Espírito Santo

Entre 19 e 21 de fevereiro,  a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) realizou com a Ufes sua Reunião Regional no Espírito Santo

Publicado em 06 de Março de 2025 às 02:00

Públicado em 

06 mar 2025 às 02:00
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

arlindo@villaschi.pro.br

Após a sua bem-sucedida 46ª Reunião aqui realizada em 1994, a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) voltou para realizar  com a Ufes sua Reunião Regional no Espírito Santo. Entre 19 e 21 de fevereiro último esse encontro divulgou trabalhos científicos e discutiu dimensões sociais, econômicas e políticas do mais que que necessário tema ‘Clima e oceano: a urgência de construir um futuro sustentável’.
Necessário porque dos trabalhos científicos apresentados e das discussões que emergiram durante o evento ficou mais do que explícita a relações de causa e efeito entre oceano; enchentes; secas e queimadas; planeta cada vez mais quente e aumento do nível do mar, entre outras.
Sem alarmismos, mas com indicações científicas cada vez mais contundentes, ficou claro para quem esteve na Ufes nesses três dias que as mudanças climáticas deixaram de ser uma ameaça futura e passaram a ser uma realidade avassaladora que já impõe desafios contundentes à humanidade.
Entender esses desafios sob as especificidades do Espírito Santo foi um dos objetivos de algumas mesas de apresentação de trabalhos. Nelas ficou claro que o enfrentamento deles pode começar pelo debate aberto e plural baseado em pesquisas e estudos científicos já realizados e disponíveis para debates.
Entre os trabalhos apresentados sobre o que hoje se sabe ser específico do Estado, destaque, por um lado, para alertas sobre a exploração de recursos naturais (sal-gema, gás e petróleo) na costa capixaba, e sua utilização para instalações portuárias e projetos de especulação imobiliária. Por outro, pelos ônus ambientais, sociais e econômicos provocados pelo crime da Vale em Mariana e seus continuados desdobramentos ao longo do Vale do Rio Doce e da Costa do Espírito Santo e do Sul da Bahia.
Alertas baseados em trabalhos científicos e estudos deles derivados, realizados majoritariamente por pesquisadores da Ufes/Ifes e apoiados com recursos humanos e financeiros do governo estadual. Diante das evidências que trazem, cabe sempre indagar o quanto esses trabalhos e estudos estão servindo para instrumentalizar políticas públicas no âmbito de agentes políticos e econômicos no território capixaba.
Indagação pertinente porque competências científicas e recursos financeiros são mobilizados para que os poderes melhor exerçam suas funções de defender o bem comum. Defesa do bem comum que precisa ir além da apresentação de resultados de partes de trabalhos científicos e estudos em eventos governamentais como se fossem um fim em si.
Superação porque o que eles indicam precisa ser debatido e transformado em ações pelo do governo estadual que os contratou e/ou financiou. Deixar de dar passos necessários para transformar em ações as medidas indicadas nas pesquisas e estudos é negar a ciência; utilizar de forma inadequada a recursos do erário; e comprometer a sustentabilidade socioambiental no território capixaba.
Exemplo típico dessa negação, utilização inadequada de recursos e competências e comprometimento da sustentabilidade socioambiental pelo governo Casagrande é a forma como desconsidera trabalhos científicos e estudos ao insistir no processo de concessão por 30 anos de 6 Unidades de Conservação (UCs) no estado. UCs que em diversos momentos no encontro da SBPC foram mencionadas como essenciais no cuidar do clima e do oceano para que se construa um futuro sustentável no Espírito Santo.
O governador Casagrande precisa dar real significado às palavras proferidas quando da abertura do encontro regional da SBPC. Palavras críticas ao terraplanismo que vigorou na gestão Bolsonaro e às intenções do governo federal de explorar gás e petróleo na margem equatorial da Costa brasileira.
Críticas ao terraplanismo e a intenções de exploração de recursos naturais de outros governantes que precisam ser consideradas pelo seu próprio governo antes de dar continuidade ao processo de concessão de UCs e à sua persistente busca de aprofundar o modelo de crescimento capixaba baseado em recursos naturais não renováveis como sal-gema e gás/petróleo.
No tema clima e oceano tão oportuno e bem debatido no encontro da SBPC o exercício do poder e da cidadania precisa ir muito além de discursos. Como reiterado inúmeras vezes ao longo do encontro, ele tem que se transformar em ações orquestradas de governos e sociedade na busca de um futuro sustentável para filhos e netos de todos, inclusive de quem hoje governa e exerce poder político, econômico e social.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

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