A solidariedade internacional é um princípio que reconhece a interdependência entre os países, promovendo cooperação mútua para enfrentar desafios globais como desigualdades econômicas, emergência climática, pandemias, migrações e conflitos. Embora seja frequentemente invocada em fóruns e tratados internacionais, sua aplicação prática enfrenta desafios políticos, econômicos e éticos.
Em um mundo globalizado, nenhum país pode resolver sozinho questões como as ligadas às questões socioambientais, de saúde, de educação, de valorização da diversidade étnico-cultural. Dai a importância da solidariedade internacional na busca de soluções coletivas para problemas que transcendem fronteiras.
Muitas vezes, a solidariedade internacional é condicionada por interesses estratégicos e geopolíticos, em vez de um compromisso genuíno com a igualdade. Por exemplo, a ajuda financeira (diretamente ou através de organizações multilaterais como o Banco Mundial) de países ricos tem sido usada sistematicamente como instrumento de influência política e dominação econômica.
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Nesse contexto geral e em sentido distinto do praticado pelos países ricos, vale a pena valorizar a experiência cubana de solidariedade internacional. Desde a sua independência do neocolonialismo estadunidense nos anos 1950, Cuba adota política externa baseada na solidariedade, especialmente nas áreas de saúde e educação.
O envio de profissionais de saúde, especialmente médicos, é um dos pilares da solidariedade cubana. Programas como o ‘Mais Médicos’ no Brasil e a Brigada Médica Henry Reeve são reconhecidos mundialmente pela efetividade de suas ações na assistência médica onde ela é mais necessária.
Durante a pandemia de Covid-19, brigadas cubanas atuaram em mais de 30 países, reforçando sistemas de saúde em colapso. Essas e outras iniciativas do povo cubano são baseados em uma formação médica voltada para o atendimento comunitário e em princípios de equidade e acesso universal à saúde. Formação médica elogiada inclusive por Barack Obama quando presidente dos Estados Unidos (EEUU).
Apesar desse reconhecimento e admiração por quem valoriza a solidariedade, o povo cubano passa por sérias restrições econômicas e sociais como consequência do criminoso embargo dos EEUU. Embargo injustificável como demonstram diversas resoluções da Organização das Nações Unidas mas que a cada ano se aprofunda como retaliação estadunidense à independência cubana de seus interesses neocoloniais.
Como resposta ao embargo descabido e em reciprocidade ao que Cuba faz por outros países, há trinta anos ocorrem as brigadas internacionais de solidariedade ao povo cubano. Trata-se de mobilização da cidadania mundial de apoio a projetos que visam minimizar os efeitos perversos do embargo econômico promovido pelos EEUU e alguns poucos aliados.
Essas brigadas, compostas por voluntários de diversas partes do mundo, prestam apoio aos cubanos em áreas como saúde, educação e infraestrutura e devem ser celebradas como demonstrações de solidariedade global.
As brigadas promovem intercâmbios culturais e sociais, aproximando povos de diferentes partes do mundo da gente de Cuba. Criam uma rede internacional de apoio à nação cubana em resposta às tentativas de isolamento isolamento político e econômico imposto de forma desumana pela ainda maior potência mundial.
E reforçam um modelo de internacionalismo que valoriza a cooperação entre povos como alternativa a relações dominadas por interesses econômicos e geopolíticos que muito contribuem para a concentração de poder nas mãos de poucos em detrimento de justas causas sociais.
Ressalte-se que brigadistas retornam aos seus países com uma visão mais ampla sobre a realidade cubana, desmistificando narrativas hegemônicas que frequentemente reduzem Cuba a um país em colapso ou opressão. Isso fortalece movimentos sociais em outras partes do mundo, inspirados pelo exemplo cubano de resistência e solidariedade.
Quem com solidariedade se insere no cenário mundial, com solidariedade é tratada por quem mundo afora valoriza a construção de uma sociedade global mais justa e fraterna. Por isso, o exemplo do povo cubano com o dar e receber solidariedade pode inspirar outras estratégias de estreitamento das relações entre humanos em um mundo tão fragmentado por interesses financeiros e militares mesquinhos.