Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

Mundo

Solidariedade internacional: um princípio ético escasso

Oo exemplo do povo cubano com o dar e receber solidariedade pode inspirar outras estratégias de estreitamento das relações entre humanos em um mundo tão fragmentado por interesses financeiros e militares mesquinhos

Publicado em 06 de Fevereiro de 2025 às 03:00

Públicado em 

06 fev 2025 às 03:00
Arlindo Villaschi

Colunista

Arlindo Villaschi

arlindo@villaschi.pro.br

A solidariedade internacional é um princípio que reconhece a interdependência entre os países, promovendo cooperação mútua para enfrentar desafios globais como desigualdades econômicas, emergência climática, pandemias, migrações e conflitos. Embora seja frequentemente invocada em fóruns e tratados internacionais, sua aplicação prática enfrenta desafios políticos, econômicos e éticos.
Em um mundo globalizado, nenhum país pode resolver sozinho questões como as ligadas às questões socioambientais, de saúde, de educação, de valorização da diversidade étnico-cultural. Dai a importância da solidariedade internacional na busca de soluções coletivas para problemas que transcendem fronteiras.
Muitas vezes, a solidariedade internacional é condicionada por interesses estratégicos e geopolíticos, em vez de um compromisso genuíno com a igualdade. Por exemplo, a ajuda financeira (diretamente ou através de organizações multilaterais como o Banco Mundial) de países ricos tem sido usada sistematicamente como instrumento de influência política e dominação econômica.
Nesse contexto geral e em sentido distinto do praticado pelos países ricos, vale a pena valorizar a experiência cubana de solidariedade internacional. Desde a sua independência do neocolonialismo estadunidense nos anos 1950, Cuba adota política externa baseada na solidariedade, especialmente nas áreas de saúde e educação.
O envio de profissionais de saúde, especialmente médicos, é um dos pilares da solidariedade cubana. Programas como o ‘Mais Médicos’ no Brasil e a Brigada Médica Henry Reeve são reconhecidos mundialmente pela efetividade de suas ações na assistência médica onde ela é mais necessária.
Durante a pandemia de Covid-19, brigadas cubanas atuaram em mais de 30 países, reforçando sistemas de saúde em colapso. Essas e outras iniciativas do povo cubano são baseados em uma formação médica voltada para o atendimento comunitário e em princípios de equidade e acesso universal à saúde. Formação médica elogiada inclusive por Barack Obama quando presidente dos Estados Unidos (EEUU).
Apesar desse reconhecimento e admiração por quem valoriza a solidariedade, o povo cubano passa por sérias restrições econômicas e sociais como consequência do criminoso embargo dos EEUU. Embargo injustificável como demonstram diversas resoluções da Organização das Nações Unidas mas que a cada ano se aprofunda como retaliação estadunidense à independência cubana de seus interesses neocoloniais.
Como resposta ao embargo descabido e em reciprocidade ao que Cuba faz por outros países, há trinta anos ocorrem as brigadas internacionais de solidariedade ao povo cubano. Trata-se de mobilização da cidadania mundial de apoio a projetos que visam minimizar os efeitos perversos do embargo econômico promovido pelos EEUU e alguns poucos aliados.
Essas brigadas, compostas por voluntários de diversas partes do mundo, prestam apoio aos cubanos em áreas como saúde, educação e infraestrutura e devem ser celebradas como demonstrações de solidariedade global.
Manifestantes exibem bandeira de Cuba durante protesto em Havana, no dia 11 de julho
Manifestantes exibem bandeira de Cuba durante protesto em Havana Crédito: Reuters/ Folhapress
As brigadas promovem intercâmbios culturais e sociais, aproximando povos de diferentes partes do mundo da gente de Cuba. Criam uma rede internacional de apoio à nação cubana em resposta às tentativas de isolamento isolamento político e econômico imposto de forma desumana pela ainda maior potência mundial.
E reforçam um modelo de internacionalismo que valoriza a cooperação entre povos como alternativa a relações dominadas por interesses econômicos e geopolíticos que muito contribuem para a concentração de poder nas mãos de poucos em detrimento de justas causas sociais.
Ressalte-se que brigadistas retornam aos seus países com uma visão mais ampla sobre a realidade cubana, desmistificando narrativas hegemônicas que frequentemente reduzem Cuba a um país em colapso ou opressão. Isso fortalece movimentos sociais em outras partes do mundo, inspirados pelo exemplo cubano de resistência e solidariedade.
Quem com solidariedade se insere no cenário mundial, com solidariedade é tratada por quem mundo afora valoriza a construção de uma sociedade global mais justa e fraterna. Por isso, o exemplo do povo cubano com o dar e receber solidariedade pode inspirar outras estratégias de estreitamento das relações entre humanos em um mundo tão fragmentado por interesses financeiros e militares mesquinhos.

Arlindo Villaschi

É professor Ufes. Um olhar humanizado sobre a economia e sua relação com os avanços sociais são a linha principal deste espaço.

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Cartórios - 24/04/2026
Editais e Avisos - 24/04/2026
Sede do STF, em Brasília
Impasse sobre royalties do petróleo no STF precisa ser superado com a lógica

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados