A saída da Petrobras do píer de barcaças no Porto de Tubarão, em Vitória, pode levar alguns meses a mais para acontecer. Com o contrato previsto para ser encerrado em novembro, a Petrobras está prestes a deixar a área da Vale e, portanto, parar de abastecer navios com o bunker, que é o combustível usado na navegação. Mas um acordo entre as companhias pode fazer com que a operação pela Transpetro - subsidiária da Petrobras - ganhe sobrevida no local.
À coluna, o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), afirmou que existe a possibilidade das atividades da Transpetro continuarem na área da Vale por mais seis meses. A postergação do prazo vem sendo construída pelo governo junto às empresas.
"Eu já coloquei a Petrobras e a Vale em diálogo. É possível que a Petrobras tenha mais algum tempo até achar outro local. Tem a possibilidade de a Petrobras ficar mais seis meses. A Vale sinalizou para mim que é possível (a permanência) se a Petrobras tomar algumas medidas de ajustes que têm que ser feitas lá"
A ideia, segundo Casagrande, é que a estatal ganhe tempo para buscar uma área alternativa de operação e preserve os empregos dos profissionais que atuam com o abastecimento do bunker. De acordo com dados do Sindipetro-ES, o fim das atividades da companhia pode representar a demissão de cerca de 100 terceirizados.
Para o governo, existem várias opções onde a Petrobras pode se instalar, como nos portos de Vitória e Vila Velha. "Temos locais, e a Codesa tem todo o interesse que a operação seja feita com ela", frisou o chefe do Executivo estadual. Uma das áreas que especialistas avaliam como pronta para receber a operação é a CPVV (Companhia Portuária Vila Velha). "A CPVV está 'parada'. Seria uma solução", sugeriu um conhecedor da área.
Apesar da mobilização do poder público, do Sindipetro-ES - que foi a entidade a chamar a atenção do governo para o impasse - e de alguns atores do setor para buscar uma solução para reverter a saída da Petrobras desse tipo de atividade no Estado, cabe ressaltar que não é de hoje que a companhia sabe que a permanência na área estava com os dias contados. O contrato já havia vencido em 2019 e a Vale postegou por mais um ano.
Nos bastidores, a informação é de que a mineradora não tem interesse de continuar tendo a Petrobras como cliente pelo fato de a operação da estatal não ser realizada nos moldes desejados pela Vale. "As condições não são ideais. E há um receio de que se houver qualquer problema operacional isso acabe recaindo sobre a Vale", contou uma fonte que considera que a solução teria que ser a mudança imediata de local e não o adiamento do fim do contrato.
O governador Casagrande reconhece que atualmente não há uma grande demanda no Estado em relação ao combustível bunker, mas considera que vale a pena "brigar" para que a Transpetro continue com as operações no Estado como um dos passos importantes na transformação do Espírito Santo em um hub da navegação.
"Perder esse negócio agora é um sinal trocado dentro do programa BR do Mar (que estimula a cabotagem) e dentro da redução do ICMS da navegação que aprovamos recentemente. Mas nós não vamos perder não"
REUNIÃO COM A PETROBRAS VAI TRATAR SOBRE INVESTIMENTOS
Nesta sexta-feira (23), está prevista uma agenda entre o governador e representantes da Petrobras em que a operação da Transpetro deverá ser tratada. Além desse tema, estará na pauta os planos de investimentos da petroleira para o Espírito Santo. O governador Casagrande quer mais clareza sobre quais são as perspectivas que a estatal tem para o Espírito Santo.
A cobrança do poder público acontece após a estatal anunciar o adiamento pela terceira vez do projeto Integrado Parque das Baleias, que prevê a instalação de uma plataforma no Litoral Sul capixaba. Inicialmente a unidade era prevista para começar a operar em 2021, a nova data agora é 2024.
"Nós precisamos saber de fato quais são os planos da Petrobras e os detalhes deles para o Espírito Santo. Porque quando a Petrobras anuncia seus planos, anuncia os macroinvestimentos. Nós precisamos saber de fato o que a companhia vai cuidar aqui no Estado. Se ela não quer cuidar mais de campo terrestre, tudo bem. Então que ela agilize o desinvestimento, a transferência para o setor privado, que também nos interessa, porque assim colocamos para funcionar (junto à iniciativa privada) o que estava parado."
Para Casagrande, a ociosidade de algumas instalações da Petrobras no Estado também merecem mais transparência. Ele cita o caso da Unidade de Tratamento de Cacimbas (UTGC), em Linhares, que, segundo ele, tem capacidade de processar cerca de 15 milhões de metros cúbicos de gás natural por dia, mas processa atualmente apenas de 3 milhões a 4 milhões.
"Isso tudo vai ficar ocioso? Precisamos de clareza nessas posições da Petrobras. Claro que compreendo que o momento do petróleo é ruim. Nós temos uma redução de consumo no mundo pela crise que estamos passando. Então, não estou desconsiderando isso. Mas mesmo que seja de médio e longo prazo precisamos entender qual o planejamento da Petrobras para o Espírito Santo", cobrou o governador.