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Guarapari

As promessas e as dúvidas que envolvem rede de supermercados do ES

Desde que grupo de São Paulo assumiu a administração da rede Santo Antônio, faltam produtos nas lojas, mas investimentos também foram anunciados

Publicado em 17 de Outubro de 2019 às 05:00

Públicado em 

17 out 2019 às 05:00
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

bseixas@redegazeta.com.br

Fachada do supermercado Santo Antônio no bairro Muquiçaba, em Guarapari Crédito: Foto do leitor
O sentimento de otimismo com a chegada de um novo grupo para comandar a rede de Supermercados Santo Antônio, em Guarapari e Anchieta, em pouco tempo se transformou em apreensão e preocupação.
Em agosto deste ano foi tornada pública a venda da empresa, com mais de 50 anos no mercado capixaba, para a companhia DX Group Participações e Investimentos Eireli, comandada pelo empresário Crezo Suerdieck Dourado. O grupo de São Paulo adquiriu sete lojas (seis em Guarapari e uma em Anchieta) da família Zouain e, poucos dias depois, comprou mais quatro unidades na Cidade Saúde, desta vez da Rede Smart. Ou seja, o empreendedor passou a administrar 11 unidades.
No primeiro momento, a informação transmitida aos funcionários foi de que reformas estão previstas para acontecer para melhorar a estrutura dos supermercados e que novas contratações estão no radar da empresa.
Mas nas últimas semanas, essa perspectiva positiva foi ameaçada por algumas situações que chamaram a atenção de funcionários, clientes, fornecedores e também de outros supermercadistas. Vou citar aqui algumas delas:

Máquinas de cartão

Começaram a faltar produtos nas prateleiras dos supermercados. Diferentes unidades da rede estavam ou estão desabastecidas. Itens perecíveis como frutas, hortaliças, frios (queijos, presuntos, mortadela), pães e carnes foram os primeiros a faltar nas lojas, já que esse tipo de produto não é estocado em grandes quantidades. Mas outras mercadorias também estão desfalcadas, como é o caso de papel higiênico. A coluna conversou com alguns funcionários do Santo Antônio e o relato foi o mesmo: “Muitos fornecedores não estão batendo mercadorias. Os que estão entregando estão batendo uma quantidade pequena com receio de não receberem.” O que a diretoria do grupo alega é que a rede está trocando alguns fornecedores e que  tomou a decisão de reduzir a quantidade de dias de estocagem dos produtos.
A insegurança entre fornecedores é grande, já que muitos deles estão sem receber por mercadorias que já foram fornecidas. Uma fonte do setor revela que há empresas de diversos segmentos, que vão do de alimentos ao de materiais de limpeza, com pagamentos em atraso, com valores que variam de R$ 16 mil a R$ 1 milhão. Um empregado do supermercado contou à coluna que a explicação que foi dada internamente é que está acontecendo uma auditoria avaliando e revisando alguns contratos, motivo pelo qual vários pagamentos foram suspensos e/ou negociados. “Disseram que a auditoria vai durar seis meses. Ou seja, vamos continuar com essa instabilidade de entregas de produtos por algum tempo. Agora, ficar sem mercadoria na bica do verão? É um tiro no pé!”, avaliou um profissional do grupo. Mas oficialmente, os responsáveis pela empresa garantem que a transição será finalizada antes mesmo da alta temporada.
Outro ponto que chama a atenção é o fato de o centro de distribuição da rede Santo Antônio, localizado no bairro Muquiçaba, estar vazio. Caminhões já não batem mercadoria e o espaço, de acordo com a diretoria do grupo, será transformado em um atacarejo, que deverá começar a funcionar, segundo  o empresário Crezo Suerdieck, até dezembro. Enquanto isso, a logística de distribuição para as lojas de Guarapari e Anchieta vai acontecer por meio de galpões que o grupo tem no Rio de Janeiro. Em um segundo momento, será avaliada uma área para implantar um novo centro de distribuição no Espírito Santo, conforme explicou a diretoria da rede.
Desde que o grupo assumiu a gestão da rede, o pagamento dos salários dos funcionários, que acontecia por meio de contas do Banco do Brasil, está passando por mudanças. O grupo explica que os salários estão sendo pagos em dia, mas que a normalização dos pagamentos deverá acontecer em novembro, quando eles deverão ser realizados pelo Santander.
Também chamou a atenção dos funcionários e dos clientes do supermercado a mudança das máquinas de cartão que passaram a ser usadas nas operações de venda. Praticamente todas foram trocadas, além disso, a quantidade de unidades foi reduzida. “No dia em que seu Jorge [Zouain, ex-proprietário do Santo Antônio] saiu, no outro dia trocaram as máquinas de cartão, e as novas vieram com outros CNPJs e endereços diferentes, de fora do Espírito Santo. A coluna fez uma compra no supermercado de Muquiçaba e confirmou o relato dado por uma funcionária. Na nota fiscal, os dados são referentes ao Santo Antônio, mas na via impressa pela máquina de cartão Getnet o nome do estabelecimento que consta é “Versão Acústica Restaurante”, com endereço do Rio de Janeiro.
Foi justamente a soma de todas essas situações que deixou em alerta diferentes grupos. Como conta um funcionário: “É tudo muito confuso. Porque ninguém dá muita informação. Os novos donos não foram apresentados para os funcionários nem o seu Jorge [Zouain] se despediu. Antes, ele ia todo o dia na loja, mas o dia 17 de agosto foi o último contato que tivemos com ele. Depois sumiu. No primeiro momento ficamos esperançosos com as mudanças, mas passaram aproximadamente dois meses e hoje estamos apreensivos. Faltam informações e sobram dúvidas sobre o futuro”, desabafou um empregado antigo da rede.
Até esta quarta-feira (16),  quando Crezo concedeu uma entrevista coletiva para veículos de Guarapari , um dos poucos pronunciamentos oficiais que tinham sido feitos pelo novo gestor havia sido por meio de entrevista ao radialista Sandro Venturini, para o ES em Foco. Nela, o empresário busca passar uma mensagem de tranquilidade e afirma que a empresa tem o objetivo de investir e expandir os negócios na Região Sul capixaba. 
"Viemos para região não para fechar nada, mas para gerar mais empregos"
Crezo Suerdieck Dourado - Empresário  em entrevista para o ES em Foco
Entre as ações, ele afirma que reformas vão ser realizadas e que mais cinco lojas serão abertas nos próximos seis meses, gerando cerca de 150 empregos diretos. Também explicou que o centro de distribuição será transformado em um atacarejo.
“Existe já projeto com arquiteto especializado em que a partir do mês que vem nós vamos estar fazendo em cada loja já existente uma reforma, novo layout. Porque entendemos que o cidadão merece um supermercado mais moderno. Vai entrar em meados deste mês para o início de novembro a reforma de todas as lojas Santo Antônio”, frisou ao observar que todos os investimentos serão feitos com recursos próprios, sem nenhum tipo de financiamento, e que dentro do período de quatro anos todas as dívidas da rede Santo Antônio estarão zeradas junto a bancos.
Mesmo com todas as promessas do empresário,  o assunto continua nebuloso para quem é da área. Como a coluna já havia alertado, em 10 de setembro, empresários do ramo se mostraram surpresos com esse movimento, que se deu de uma maneira rápida e sem muita transparência.
Apesar dos sinais darem indícios de que o futuro do tradicional supermercado de Guarapari, com 54 anos no mercado, pode estar ameaçado, a fala de Crezo Suerdieck Dourado vai em sentido contrário. Ele promete mais unidades, empregos e melhorias para os clientes do supermercado do Sul capixaba.  Tomara que a segunda opção é a que vingue.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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