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Beatriz Seixas

Casagrande dá passos acertados

Primeiras medidas reforçam preocupação com austeridade fiscal

Publicado em 06 de Janeiro de 2019 às 00:10

Públicado em 

06 jan 2019 às 00:10
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

bseixas@redegazeta.com.br

Renato Casagrande durante discurso de posse na Assembleia Legislativa Crédito: Carlos Alberto Silva
Os primeiros passos dados na área econômica pelo governador Renato Casagrande (PSB) e por sua equipe transmitem recados importantes para a sociedade. A decisão de determinar que os seus secretários enxuguem em 10% o custeio da máquina pública reforça que a preocupação com a austeridade fiscal não foi apenas um discurso de campanha.
A medida traz indicativos de prudência e, ao colocar o pé no freio neste momento, Casagrande reúne dois pontos que estão a seu favor: o primeiro é que ele acabou de ser o escolhido pela população, portanto, agora está com uma boa popularidade, o que facilita a execução de ações mais duras. O segundo fator é justamente a cobrança que vem da própria sociedade em relação à responsabilidade com o dinheiro público e também o crescente clamor pela redução do Estado, ainda muito inchado em todas as esferas.
Por isso é tão importante que esse rito da gestão fiscal não se faça presente só neste momento de início de governo, mas que seja contínuo e consciente ao longo de todo o mandato. Se traçarmos um paralelo com a vida orçamentária de uma família, fica ainda mais simples de entender porque o olhar para as contas nunca deve ser abandonado.
Neste início de ano, muitos de nós colocamos na ponta do lápis o que dá para rever dentro de casa. Por exemplo, reduzir planos com telefonia, tentar economizar na conta de luz, diminuir as idas a restaurantes e a salões de beleza ou acabar com a gastança no cartão de crédito. Cada um, dentro da sua realidade, busca identificar onde estão os ralos do dinheiro para então empregá-lo em um objetivo maior: uma viagem, uma futura aposentadoria, um curso, a compra de um eletrodoméstico ou de um carro, e, nos casos mais extremos, para sair do vermelho. O importante é que exista um foco do que é prioridade para que faça sentido todo sacrifício que venha a ser realizado.
Mas de nada adianta definir os cortes de despesas e as estratégias para gastar em algo maior se, logo nas primeiras oportunidades, eles são abandonados. Um, dois... seis meses apenas de ajuste não levam o cidadão, assim como o poder público, a lugar algum. O planejamento orçamentário e a execução austera devem ser perenes.
No caso do governo do Estado, os primeiros anúncios já foram feitos, e certamente outros ainda estão por vir, mas será ao final do ano, quando olharmos o resultado do caixa do Tesouro, que a efetividade dessas medidas ficará mais clara e mostrará em qual grau ela deverá ser mantida.
Avaliação
Em relação à equipe econômica de Casagrande, a percepção de quem é servidor de carreira do órgão é de que os primeiros dias dos novos membros foram positivos. “O novo secretário Rogelio Pegoretti pareceu uma pessoa bem preparada no que diz respeito ao funcionamento do setor público, o que já é um bom começo. Mas ainda é cedo para sabermos como vai ser a condução da pasta”, diz uma fonte da secretaria.
Um outro funcionário comentou que a exoneração de poucos profissionais – só deixaram a Sefaz aqueles muito ligados ao ex-governador Paulo Hartung – facilita o processo de continuidade das atividades e dá mais segurança para o novo chefe assumir o comando. “Isso evita que a secretaria seja muito submissa à troca de gestões e prevaleça o trabalho técnico, contribuindo para o novo gestor chegar com a casa organizada.”
Um dos destaques que vem sendo tratado nos bastidores é o novo subsecretário do Tesouro Estadual, Bruno Pires Dias. Apesar de novato no cargo, ele já tem grande experiência na área. Funcionário de carreira, era na gestão anterior gerente de Contabilidade Geral do Estado. “Ele conhece as atividades da Fazenda em profundidade e é um cara muito veloz. Em poucos dias que assumiu a subsecretaria já mostrou que teremos um trabalho muito mais dinâmico.”
Até agora os ares são de otimismo, tanto nas ações quanto nas escolhas feitas pelo governo. Que assim continue, afinal ninguém quer trocar esse sentimento pelo de decepção.
 
A conferir
Como a coluna publicou na última sexta-feira, a sinalização do governo federal de construir a ferrovia EF-118 é positiva para o Estado. Resta saber se as condições envolvendo a renovação antecipada da Vitória-Minas serão as mesmas. Será que o governo Bolsonaro vai rever, por exemplo, o valor de outorga, que foi alvo de
À espera de respostas
Outra pergunta que não quer calar é: Considerando que só um trecho, o de Cariacica a Anchieta, foi prometido, como ficará o restante? A ideia de melhorar a nossa infraestrutura até o Rio de Janeiro foi abandonada?
Sem consenso
Cada hora um nome é usado para a ferrovia. Além de EF-118, como é chamada pelo governo federal, há integrantes do novo governo do Estado e também parlamentares que a denominam de Litorânea Sul. Mas o mais inusitado é o caso de uma deputada eleita que tratou a ferrovia como Leste-Oeste.
Fica a dica
Ainda sobre a ferrovia, teve leitor sugerindo que A GAZETA crie, como fez na época da novela do Aeroporto de Vitória, uma contagem de quando o empreendimento vai sair do papel. A ideia do ferroviômetro é bem pertinente considerando os históricos de promessas que vêm da União.
 
 
Mais petróleo
A Shell Brasil pretende realizar em 2019 a perfuração de poços adicionais no Parque das Conchas, litoral Sul capixaba, com o objetivo de aumentar a produção de petróleo e estender o tempo de vida útil do ativo.
É mole?
Uma consumidora contou que comprou uma peça de carne em um supermercado de Vitória. Depois de pesar, o atendente limpou e retirou as pelancas. Mas quando a senhora solicitou as sobras para levar para o seu cachorro, simplesmente teve o pedido negado. Ela alegou que pagou pelo produto todo, mas, mesmo assim, o funcionário e o gerente disseram que era uma norma da empresa e não entregaram as gordurinhas. A senhora saiu decepcionada e pronta para ir ao Procon.
De olho no futuro
As possíveis mudanças nas regras da aposentadoria já estão causando reflexos na demanda por produtos como a previdência privada. Um levantamento da Icatu Seguros reforça a preocupação do capixaba com o futuro. Entre janeiro e novembro, a companhia registrou captação líquida superior a R$ 90 milhões em previdência no Espírito Santo e um aumento de mais de 40% no faturamento, em relação ao ano anterior.
Vitrine
A petrolífera norueguesa Equinor tem dito que o Espírito Santo está sabendo vender bem o seu peixe na área de óleo e gás. O vice-presidente de Suprimentos, Mauro Andrade, elogiou o trabalho da Findes, do governo do Estado e do Fórum Capixaba de Petróleo e Gás. “O que tem sido apresentado está atraindo o olhar de investidores. O Espírito Santo está sabendo criar boas condições para o desenvolvimento e a competitividade dessa cadeia.”
Café on-line
Um novo negócio no mercado de café será lançado em fevereiro de olho na demanda mundial da bebida. A startup capixaba Farmly vai comercializar, a partir de uma plataforma on-line, cafés especiais brasileiros para torrefadores e cafeterias internacionais. A ideia, segundo o sócio Adriano Salvi, é aproximar consumidores dos produtores, reduzindo custos e fazendo com que os interessados encontrem um cardápio diversificado de cafés e façam as compras conforme a sua preferência. “É como se fosse uma Amazon, mas de café”, brinca.
 
Ele explica que produtores de diferentes regiões do país vão se cadastrar e criar perfis, onde estarão disponíveis características e imagens dos grãos que vão estar à venda, além de informações sobre a propriedade. “Além disso, terá a avaliação dos nossos profissionais, que vão dar notas, a partir de amostras recebidas.”
O empreendedor ressalta que o foco inicial será a Europa sendo que as comercializações deverão começar por Portugal. Salvi acrescenta que já existem produtores conectados à plataforma, principalmente de propriedades de Minas Gerais. “Mas queremos trabalhar com o café capixaba e de outras regiões.”
 

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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