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Beatriz Seixas

Economia do Espírito Santo entra em recessão

É o terceiro trimestre consecutivo que PIB capixaba é negativo

Publicado em 19 de Junho de 2019 às 14:53

Públicado em 

19 jun 2019 às 14:53
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

bseixas@redegazeta.com.br

PIB Crédito: Marcello Casal Jr/Agência Brasil
“No Brasil, até o passado é imprevisível.” A frase, atribuída ao ex-ministro da Fazenda Pedro Malan (a origem de sua autoria, entretanto, vire e mexe é contestada), foi lembrada ontem e citada pelo presidente do Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), Luiz Paulo Vellozo Lucas, durante a apresentação do desempenho do PIB do Espírito Santo do primeiro trimestre.
Dita há uns 20 anos, ela continua atual e se encaixa em várias situações. Luiz Paulo, por exemplo, a usou quando foi questionado sobre qual a perspectiva de crescimento para a economia capixaba em 2019. Conhecendo bem o país onde vive e carregando com si a experiência de uma figura pública, cravar qualquer número poderia ser uma armadilha para si próprio. Safo, como é, preferiu repetir a frase antológica e dizer que projetar qualquer dado é difícil em um momento como o que o Brasil atravessa.
Mas de forma bem-humorada e avaliando que no primeiro trimestre houve uma retração na economia local de 1,3%, brincou que se tivesse que fazer uma aposta, apostaria que o crescimento no Estado vai seguir o mesmo patamar que analistas projetam para o PIB nacional, de uma alta da ordem de 1%. “De um modo geral, nosso comportamento segue o do Brasil. Na ausência de qualquer fato relevante regional, como foi Mariana ou Brumadinho, minha aposta é de acompanharmos o país.”
Embora trate-se, por enquanto, apenas de um palpite, convenhamos que seguir o Brasil neste momento não é o melhor dos caminhos, mas de fato tudo indica que é para esta direção que estamos indo. Ir no fluxo do país não está sendo vantagem, especialmente considerando que a cada semana o Boletim Focus, do Banco Central, traz uma revisão para baixo do PIB. Em janeiro, o mercado projetava alta de 2,53%, na última segunda-feira (17), ela já estava em 0,93%. Foi a 16ª queda consecutiva.
O problema é que por aqui os rumos da produção de riqueza podem estar indo por uma linha ainda mais sinuosa. Não foi só neste trimestre que o Espírito Santo teve um resultado pior do que o do Brasil – que retraiu 0,2% em igual período. Este é o terceiro trimestre consecutivo que o desempenho do PIB capixaba é negativo, ou seja, já estamos no estágio de recessão, tecnicamente falando.
No terceiro trimestre de 2018 houve recuo de 1,4%, no quarto trimestre a queda foi de 0,3% e, agora, de -1,3%, todos comparando com o trimestre imediatamente anterior. Desde o final de 2012 e início de 2013, o Estado não registrava três números negativos seguidos para o PIB trimestral.
Mesmo assim, Luiz Paulo não considera o cenário da economia capixaba como recessivo. Para ele, o ambiente é de estagnação e tende a melhorar nos próximos meses, desde que não existam intercorrências externas.
Independentemente da denominação que seja usada, a constatação é de que economia do Espírito Santo está andando para trás. O sinal amarelo já foi aceso e é necessário ficar em estado de alerta, caso contrário, nem no 1% vamos chegar. Só para lembrar, em 2017 e 2018, enquanto o Brasil avançava na casa de 1%, nós avançamos o dobro: 2,7% e 2,3%, para ser mais precisa. Triste será se em 2019 esta lógica se inverter.
Vilã até quando?
Os perigos de a recessão se instalar de vez por aqui vêm principalmente da indústria. Foi justamente ela que neste primeiro trimestre foi a grande vilã, ao apresentar uma queda de 10,1%, com influência negativa principalmente dos segmentos de mineração, celulose e petróleo e gás.
Como em uma perspectiva de curto prazo, esses três segmentos não devem ter muitas oscilações positivas, o Estado tende a manter um mau desempenho. A menos que outros setores como o de comércio e serviços ganhem tração e contribuam para uma guinada da economia capixaba.
Luiz Paulo também avalia que a indústria não deve sair de vilã para mocinha ainda neste ano. Ele acredita que só em 2020 é que o Espírito Santo poderá voltar a colher frutos melhores deste segmento.
“Há uma expectativa pelo retorno da Samarco, a Vale está buscando contornar os problemas que teve em Minas (com o acidente de Brumadinho), a Petrobras tem o plano de vender campos onshore, o que vai aumentar a produção em terra, e o setor de celulose tende a avançar, com a fusão da Fibria com a Suzano mais consolidada. Mas, por enquanto, o que temos é um nível de produção abaixo do período do pré-crise”, reconheceu. 
Voltando ao início deste texto, acrescento umas palavras à frase de Pedro Malan: No Brasil, até o passado é imprevisível. O presente está sendo sofrido e o futuro segue indefinido.
Vivemos uma estagnação na economia capixaba, num movimento semelhante ao do país.E alguns fatores regionais fizeram com que os efeitos negativos fossem mais sentidos pela indústria
Luiz Paulo Vellozo Lucas, presidente do IJSN
Reforço rochoso
Se por um lado o acidente em Brumadinho está afetando a economia local, por outro está abrindo algumas oportunidades de negócios. De acordo com Luiz Paulo Vellozo, a Vale vem adquirindo blocos de granito com menor valor de mercado entre as rochas ornamentais para reforçar barragens em Minas Gerais.
Assista ao vídeo: Economia capixaba acende sinal amarelo

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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