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Janeiro a outubro

Espírito Santo abriu mais de 11 mil empresas em 2020

Apesar da crise da Covid-19, quantidade de novos negócios é 5% maior que a média dos 10 primeiros meses de cada ano na última década, segundo dados da Junta Comercial

Publicado em 20 de Novembro de 2020 às 04:00

Públicado em 

20 nov 2020 às 04:00
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

bseixas@redegazeta.com.br

Comércio da avenida Expedito Gárcia, em Campo Grande, Cariacica
Loja em Cariacica: município abriu 1.668 empresas em 2020 Crédito: Ricardo Medeiros
De janeiro a outubro deste ano, o Estado registrou a abertura de 11.392 empresas, conforme dados da Junta Comercial do Espírito Santo (Jucees). O número é quase 5% maior do que a média do mesmo período na última década, quando foram implantados 10.879 negócios. Na comparação ano a ano, 2020 fica atrás de 2019, que contabilizou 12.256 novas empresas, e de 2011, com 12.153 registros.
Mesmo com a terceira posição no comparativo desde 2011, o dado mostra-se positivo diante dos desafios que o país e o mundo vêm enfrentando do ponto de vista sanitário e econômico, em decorrência da crise do novo coronavírus, e indica que a pandemia não interrompeu de forma drástica o interesse do capixaba de empreender.
Claro que cabe ressaltar aqui que, possivelmente, parte dos novos CNPJs enquadra-se no chamado empreendedorismo por necessidade, ou seja, em que uma pessoa inicia um negócio por estar desempregada, não ter opções de trabalho e precisar de alguma renda para o sustento da família. Mas ainda assim o dado demonstra que existe dinamismo na economia local, mesmo ele apresentando que foram constituídas 864 empresas a menos do que em igual período do ano passado.
Para o presidente da Junta Comercial do Espírito Santo, Carlos Rafael, o desempenho, sem nenhuma mudança muito substancial, revela que o Estado tem sido capaz de conduzir de uma forma madura os efeitos da pandemia e da crise econômica. Ele avalia que as condições de ambiente de negócios, segurança institucional, quadro fiscal e as decisões ligadas ao enfrentamento da Covid-19 estão permitindo ao Estado atravessar esse período sem sobressaltos maiores como acontece entre outros entes federativos.
"O ES é ponto fora da curva na comparação com outros Estados. Não que ele seja uma ilha de total eficiência e maravilha, mas é sim uma ilha que oferece um bom ambiente de negócios, que é bem governado, tem atratividade fiscal, está sabendo conduzir a pandemia. Por isso, a tendência é que essa crise seja menos traumática para nós. Além disso, existem alguns projetos e empreendimentos, como volta da Samarco, portos, ferrovia, que vão ajudar na retomada. E a Junta tem a tarefa de ser uma facilitadora para esse ambiente", avalia Rafael.
O presidente do órgão chama a atenção para os negócios que passaram a se destacar neste ano, entre eles os ligados ao setor da saúde. Em 2019, o segmento chamado de "atividade médica ambulatorial restrita a consultas" ocupava a 7ª posição no ranking das atividades, já em 2020 é o 2º colocado.
Carlos Roberto Rafael, presidente da Jucees, afirma que a instituição está antenada na tecnologia para agilizar serviços
Carlos Rafael é presidente da Junta Comercial do Espírito Santo  Crédito: Jucees/ Divulgação
"Houve uma relativa migração das atividades prioritárias. Havia um histórico de abertura e fechamento de empresas nas áreas de alimentos e vestuário, mas neste ano estamos vendo o interesse maior por atividades ligadas à saúde"
Carlos Rafael - Presidente daa Junta Comercial do ES

VITÓRIA FOI A CIDADE QUE MAIS ABRIU NEGÓCIOS NO ES

Em 2020, Vitória apresentou o maior volume de instalação de empresas do Estado, com 2.245 registros de janeiro a outubro. Na sequência estão Vila Velha (1.854), Serra (1.668), Cariacica (780) e Cachoeiro de Itapemirim (608). Nesse ponto, Carlos Rafael pondera que não houve muita mudança em relação às cidades mais empreendedoras. Tradicionalmente esses são os locais que mais contabilizam novos CNPJs.

EXTINÇÃO DE EMPRESAS TEM O PIOR RESULTADO DESDE 2011

Se por um lado, o Estado não sofreu um grande baque no volume de criação de empresas pela série histórica, quando analisamos os números, disponíveis no site da Junta Comercial,  de fechamento de negócios o desempenho é mais preocupante. De janeiro a outubro de 2020, foram encerrados 8.079 CNPJs no Espírito Santo, 17% a mais do que em igual período de 2019 e mais que o dobro do que o registrado nos 10 primeiros meses de 2015, ano em que o país vivia uma crise econômica interna.
Os números, entretanto, não devem ser analisados de forma pura e simples e considerar apenas a pandemia do novo coronavírus, de acordo com o presidente da Jucees, Carlos Rafael. Segundo ele, é preciso observar que neste ano houve mudança na legislação em relação ao fechamento de  empresas, isentando empreendedores de pagarem algumas taxas para se regularizarem. "Isso facilitou o processo e pode ter sido entendido como uma oportunidade para alguns empresários", justificou.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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