Todos queremos um envelhecimento saudável, com qualidade e cabeça funcionando bem. Ainda com limitadas opções terapêuticas, a doença de Alzheimer, que afeta quase 2 milhões de brasileiros e perto de 6 milhões de pessoas nos EUA, continua a atrair atenção nas medidas de prevenção.
Uma pesquisa recente foi publicada no Jama, intitulada Coffee and Tea intake, dementia risk, and cognitive function (Consumo de café e chá, risco de demência e função cognitiva). Os autores da escola de saúde pública da Universidade de Harvard, liderados pelo epidemiologista Yu Zhang, acompanharam mais de 130 mil enfermeiras (Nurse´Health Study) e 53 mil homens profissionais de saúde (Health Professionals Follow-up Study) por, em média, 40 anos, analisando suas funções cognitivas e dieta.
Após ajustarem pelos fatores de risco conhecidos, os autores observaram que o consumo de café até três xícaras por dia, ou chás com conteúdo de cafeina em quantidade semelhante, estavam nitidamente associados a uma perda cognitiva menor. Não houve nenhum benefício adicional com ingestão diária de um maior número de xicaras de café além de três por dia.
Curiosamente, os autores comentam que achados semelhantes foram publicados por pesquisadores japoneses. Os mecanismos que podem explicar os efeitos neuroprotetores da cafeína são diversos. Estudos experimentais mostram que a cafeína reduz níveis de beta amilóide (A) no cérebro e melhoram a plasticidade neuronal.
A cafeína também reduz citocinas pró-inflamatórias no cérebro, reduzindo a neuroinflamação, que contribui para o declínio cognitivo. O consumo de café descafeinado não mostrou quaisquer benefícios no estudo citado aqui.
O leitor ou leitora pode se perguntar se é possível tomar café a qualquer hora... um trabalho extenso de revisão sistemática tenta responder a essa pergunta analisando o efeito da cafeína no sono. Atualmente, recomenda-se uma média de 7 a 9 horas de sono para uma boa saúde, inclusive para preservação da memória.
Pesquisadores da Austrália alertam que o consumo de cafeína pode prejudicar o sono. A meia vida da cafeína tem, curiosamente, uma larga variação entre adultos saudáveis, entre 2 e 10 horas. A Associação Americana de Medicina do Sono alerta que a cafeína pode interferir em uma boa noite de sono se tomada próximo à hora de deitar.
Você, leitor ou leitora, deve conhecer pessoas que se gabam de tomar café depois do jantar e dormir serenamente sem qualquer contratempo. Da mesma forma, muitos só tomam café pela manhã, e evitam daí em diante com medo do prejuízo ao sono. É possível que ambos estejam certos.
O que os pesquisadores australianos sugerem é que se você planeja dormir por volta das 22 horas, e tem dúvidas da sua agilidade em metabolizar a cafeína, é prudente tomar sua última xícara de café no máximo às 13 horas, 9 horas antes de deitar-se.
O Espírito Santo tem excelentes produtores de café. Tome seu café prazerosamente, mantendo prudentes 9 horas de distância da hora que quer dormir, se for o seu caso.