Frigorífico do Rio é adquirido por empresário que comprou supermercado do ES
Negociações
Frigorífico do Rio é adquirido por empresário que comprou supermercado do ES
Depois de comprar Supermercado Santo Antônio, em Guarapari, Creso Suerdieck Dourado adquiriu frigorífico Rioja
Publicado em 16 de Janeiro de 2020 às 04:00
Públicado em
16 jan 2020 às 04:00
Colunista
Beatriz Seixas
bseixas@redegazeta.com.br
Profissionais em atividade no frigorífico Rioja, no Rio de JaneiroCrédito: Foto do leitor
As negociações de compra e venda envolvendo o empresário Creso Suerdieck Dourado e a rede de supermercados Santo Antônio, que há mais de 50 anos atua em Guarapari, já extrapolaram os limites do Espírito Santo. Desta vez, está em jogo a aquisição de um frigorífico no Rio de Janeiro.
Depois de comprar no final de julho do ano passado sete unidades da rede da família Zouain (sendo seis em Guarapari e uma em Anchieta); em agosto, adquirir quatro lojas da Rede Smart, também na Cidade Saúde; e entre setembro e outubro de 2019 fechar negócios com uma fábrica de laticínios em Colatina, dona das marcas Quero Quero e Melissa; agora, Creso Suerdieck passou a ser proprietário do Frigorífico Rioja. Detalhe: a compra aconteceu por meio da razão social do Santo Antônio, J.Zouain, ou seja, além de Creso, a rede tradicional de Guarapari passou a responder pela empresa carioca.
Documento da Receita Federal mostra que J.Zouain e Creso Suerdieck Dourado fazem parte do quadro societário da RiojaCrédito: Receita Federal/Reprodução
A coluna apurou que os proprietários da Rioja, Jorge dos Santos e Denis Russo Moreno Ribeiro, venderam o negócio em novembro. Acontece que nesse mesmo mês, no dia 28 de novembro, a Justiça deu uma liminar para que o fundador do Santo Antônio, o empresário Jorge Zouain, retomasse o supermercado.
A decisão de mudança da gestão de Creso - que no caso do Santo Antônio fez a aquisição por meio da empresa DX Group Participações e Investimentos Eirelli - para o antigo dono aconteceu após a identificação de uma série de problemas nas unidades da rede, como a falta de mercadorias nas lojas e irregularidades em máquinas de cartões de crédito, além da quebra de contrato por parte de Creso, que deixou, por exemplo, de pagar prestações da compra à família Zouain.
A suspensão do contrato entre as partes não foi, entretanto, suficiente para inviabilizar a negociação do empresário da DX Group com Jorge dos Santos e Denis Russo. Tanto é que no dia 29 de novembro foram protocoladas na Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro, a Jucerja, alterações no contrato social da Rioja Indústria e Comércio de Alimentos LTDA.
Capital social da Rioja foi alterado. Os sócios Jorge dos Santos e Denis Russo transferiram suas quotas para a J.Zouain (Supermercado Santo Antônio) e para o empresário Creso SuerdieckCrédito: Jucerja/Reprodução
De acordo com documento da Jucerja, o qual a coluna teve acesso, Jorge dos Santos através da venda do frigorífico cedeu e transferiu 400 mil quotas do capital social da empresa para a J.Zouain & Cia Limitada, e Denis Russo transferiu, também para a J. Zouain, 590 mil quotas. Outras 10 mil quotas foram destinadas a Creso Suerdieck Dourado, totalizando 1 milhão de quotas, que passaram a ser administradas na pessoa do Creso, como mostra a imagem acima.
Apesar das alterações terem sido protocoladas na Jucerja no dia 29 de novembro, a data que consta ao final do documento de alteração da sociedade, onde estão as assinaturas das partes envolvidas, é 22 de novembro. Já o arquivamento na Junta Comercial do Rio de Janeiro é datado de 6 de janeiro deste ano, conforme é possível conferir no quadro ao final da imagem abaixo.
Alterações do contrato social da Rioja foram assinadas pelas partes no dia 22 de novembro, mas a data do protocolo na Jucerja é de 29 de novembro de 2019Crédito: Jucerja/Reprodução
Diante de todos esses fatores, há incertezas se a venda do frigorífico pode vir a ser contestada na Justiça e suspensa. Situação de dúvida parecida existe em relação à compra do Laticínios Colatina realizada em novembro por Creso, conforme a coluna publicou com exclusividade.
O que dizem as empresas
As partes ligadas ao negócio - Supermercado Santo Antônio, Rioja Alimentos e o empresário Creso Suerdieck Dourado - foram procuradas para comentar sobre o contrato de compra e venda do frigorífico e também sobre quais medidas pretendem tomar diante da situação. Mas todos os citados não se manifestaram até a publicação desta coluna.
Carnes distribuídas pelo frigorífico RiojaCrédito: Foto do leitor
DEPOIS DA COMPRA, FRIGORÍFICO DEMITIU 180 PROFISSIONAIS
Logo após adquirir a empresa Rioja Alimentos - que atuava como distribuidora de carnes e contava com a marca Vip Meat -, o empresário Creso Suerdieck Dourado fechou o frigorífico e demitiu cerca de 150 profissionais diretos e aproximadamente 30 representantes comerciais.
Segundo relatos de trabalhadores que atuavam na empresa - que estava no mercado desde 1993 -, os desligamentos aconteceram no início de dezembro e pegou todos de surpresa.
“Quando a nova gestão assumiu, ela veio com o mesmo discurso do que aconteceu aí no Espírito Santo, de que não ia demitir ninguém, mas colocou todos na rua”, lamentou um ex-funcionário que preferiu não se identificar.
Outro profissional que perdeu o emprego e atuava há anos no frigorífico comentou que a empresa não pagou as rescisões trabalhistas, o salário de novembro e o 13º salário de 2019. “Há muitas famílias passando dificuldades”, lamentou.
Por conta dos desligamentos, empregados da Rioja chegaram a fazer em dezembro do ano passado um protesto na frente da empresa e “buzinaço” com os caminhões da firma.
Crédito: Foto do leitor
De acordo com fontes ligadas à Rioja, a empresa vinha passando por dificuldades financeiras e acumula dívidas milionárias junto a fornecedores e bancos. Um dos fornecedores, que pediu o anonimato, contou à coluna que tem R$ 280 mil para receber, mas que desde outubro ninguém do frigorífico faz o acerto de contas. “E não me deram nenhuma perspectiva de quando vão pagar. Sumiram”, disse indignado.
O frigorífico foi procurado pela coluna mas não se manifestou.
Antes de a Justiça determinar que o fundador do Santo Antônio, Jorge Zouain, retomasse a gestão da rede, em 28 de novembro de 2019, o frigorífico Rioja chegou a realizar algumas entregas para o supermercado de Guarapari, conforme relatou uma fonte.
Supermercados Santo Antônio, em GuarapariCrédito: Carlos Alberto Silva
“Entregaram mercadorias para nós e o caminhoneiro no momento do descarregamento dos produtos falou a alguns funcionários que o Creso também tinha comprado o frigorífico (do Rio de Janeiro)”, lembrou ao citar que até então a empresa carioca nunca tinha fornecido carnes para o Santo Antônio.
A Rioja até então limitava a sua atuação ao Rio de Janeiro, mas depois que houve a negociação entre Creso Suerdieck e os antigos proprietários do frigorífico, algumas cargas foram enviadas para unidades do supermercado capixaba. “Foram poucas vezes, mas enviou. Foram uns cinco caminhões e mais nada”, observou um ex-funcionário.
Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica