Um dos maiores conglomerados de empresas de transporte e logística do país, o grupo capixaba Águia Branca (GAB) tem crescido ano após ano, mas a expansão dos negócios não necessariamente representa aumento das emissões de gases poluentes. Aliás, a companhia caminha na direção justamente contrária.
Assim como vem acontecendo entre grandes indústrias brasileiras e mundiais, que estão buscando substituir a energia convencional por energia renovável, o GAB mira no mesmo objetivo: o de gerar e consumir mais energia limpa.
Prova disso é que a organização atua em várias frentes para utilizar fontes sustentáveis e planeja fazer investimentos de mais de R$ 13 milhões na área. Um dos passos para isso é por meio da AB Energias Renováveis, um consórcio que acaba de ser formado pelas empresas do grupo localizadas no Espírito Santo e em Minas Gerais.
A partir do consórcio, pioneiro no Estado, estão sendo construídas duas usinas de geração de energia solar, sendo uma em Pinheiros, no Norte capixaba, e a outra em Nanuque, Minas Gerais. Elas têm a finalidade de gerar energia limpa para atender às necessidades do próprio grupo nos dois Estados.
No Espírito Santo, vão ser 2,6 megawatt/pico em potência (MWp) e, em Minas, 0,7 MWp, o que equivale ao consumo médio de mais de 2.600 residências. Além disso, essa produção vai evitar o lançamento de mais de 2,8 mil toneladas de gás carbônico por ano na atmosfera.
Para o presidente do Grupo Águia Branca, Renan Chieppe, a iniciativa reforça o compromisso que há anos o grupo busca ter em relação à sustentabilidade. O empreendedor, em entrevista à coluna, frisou que a preocupação com o meio ambiente sempre existiu na organização, mas reconhece que agora o tema é ainda mais relevante e precisa receber a atenção da iniciativa privada, do poder público e da sociedade como um todo.
"Nosso propósito é mover o mundo com excelência e respeito às pessoas. E as pessoas querem alternativas, esperam esse movimento mais sustentável. Nós como empresa, como empreendedor, como profissional temos que ter essa visão. As pessoas estão incluindo e vão incluir cada vez mais nas suas ponderações de consumo e nas suas percepções de marca as ações que tomamos. Por isso, o nosso olhar está atento para o que está acontecendo na sociedade, o que espera o cliente e como trabalhar da melhor forma a sustentabilidade."
O empresário explica que com as duas unidades de geração de energia solar, o GAB vai atuar no regime de compensação de energia elétrica. Isso significa que toda a energia gerada pelas usinas será injetada nas redes de distribuição da EDP (ES) e da Cemig (MG), gerando créditos de compensação nas faturas de 98 unidades consumidoras localizadas em diversas cidades desses Estados.
Outro projeto para tornar a matriz energética do grupo mais sustentável é a aposta no modelo de geração distribuída (GD) e autoconsumo na região Sul do país, onde o grupo também tem operações. A companhia está fazendo obras de reforço na estrutura do telhado de uma das suas concessionárias Mercedes-Benz, em São José dos Pinhais (PR), para receber os painéis solares.
A energia gerada vai ser capaz de atender ao consumo de quatro unidades localizadas em Curitiba, Ponta Grossa, Telêmaco Borba e a própria sede geradora, em São José dos Pinhais.
Nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, por sua vez, onde o grupo também está presente, foram feitos investimentos nas garagens da Vix Logística em Canaã dos Carajás e Parauapebas, no Pará, e em São Luís, no Maranhão. Em ambos os Estados, as instalações dos painéis solares foram concluídas.
Considerando todos os projetos do grupo em iniciativas de geração de energia limpa, Renan Chieppe destaca que o conglomerado vai poder produzir de 50% a 60% de todo o seu consumo de energia e que passa a ter capacidade para gerar energia que seria suficiente para abastecer mais de 3.300 residências com consumo médio de 150kw/h mês.
"Acredito que cada vez mais iniciativas de geração de energia renovável vão se viabilizar. Ainda mais considerando o momento que a gente vive, com crise hídrica e com o custo da energia subindo. Investir em energia limpa passa a ser mais viável do ponto de vista econômico e é uma forma de contribuirmos com o meio ambiente."
INVESTIMENTOS EM VEÍCULOS ELÉTRICOS
Outra frente de atuação do Grupo Águia Branca envolvendo energia limpa é com o ônibus 100% elétrico para uso rodoviário. Em parceria com a EDP, o projeto pioneiro no Brasil recebeu investimentos de R$ 6,6 milhões e terá duração de 18 meses.
O objetivo é conhecer e avaliar a viabilidade técnico-econômica da eletrificação do sistema de transporte. Vão ser feitos testes em ambiente real no transporte de passageiros, em linhas selecionadas, para identificar se a solução é competitiva como uma alternativa ao diesel.
Entender a fundo esses resultados é um ponto-chave para a tomada de decisão no setor, conforme ponderou o presidente do GAB, Renan Chieppe. Ele contou à coluna que hoje o grupo opera uma frota de cerca de 23 mil veículos e que grande parte dela é abastecida pela própria companhia, ou seja, a aplicação de novas tecnologias e soluções tem um reflexo sobre um grande volume de negócios.
Além da parceria com a EDP no ônibus 100% elétrico, Chieppe adianta que empresas do grupo estão fazendo testes em veículos de passeio. Há cerca de um mês foi iniciado um desses projetos, que deverá ter duração de pelo menos um ano.
"Em frota, o teste é muito importante. Você não pode multiplicar sem fazer testes. É preciso ter massa crítica. E para isso é necessário fazer testes pelo período de um a dois anos"
O empresário pontua que apesar dos avanços nos estudos e testes relacionados aos veículos elétricos ainda existem muitos desafios a serem superados, como pensar na infraestrutura para carregar automóveis, ônibus e caminhões; quais os custos que vão chegar até o consumidor, afinal os preços também precisam ser sustentáveis; como vai acontecer o descarte de baterias, entre outros pontos.
Diante do contexto que temos, para Chieppe, o Brasil tende a levar cerca de 10 anos para ter efetivamente mais veículos elétricos circulando, mas ainda assim de forma híbrida, ou seja, a eletricidade combinada com outros combustíveis.
NOVO MERCADO DE GÁS PODE VIABILIZAR SOLUÇÕES NO SETOR DE VEÍCULOS
A utilização do gás natural como fonte energética é também uma das apostas. O Grupo Águia Branca está desenvolvendo estudos para aplicação do gás natural no transporte rodoviário.
O presidente Renan Chieppe cita que na Europa o uso do gás já é bastante difundido, mas que no Brasil a utilização dessa fonte esbarra no preço. De acordo com ele, com as mudanças previstas no setor e o novo mercado do gás, há uma perspectiva mais otimista de médio e longo prazo para viabilizar projetos que se apropriem desse insumo, mais limpo do que os combustíveis fósseis.
"Nós acreditamos que vale a pena fazer testes, dominar a tecnologia e ter portfólio de informação para aplicar quando for o momento adequado"