Sair
Assine
Entrar

Entre para receber conteúdo exclusivo.
ou
Crie sua conta A Gazeta
Recuperar senha

Preencha o campo abaixo com seu email.

4ª Rodada

Jazida gigante de sal-gema no ES pode entrar em leilão do governo federal

Inclusão de áreas capixabas no edital de concessão de direitos minerários foi um pedido do deputado federal Felipe Rigoni, que acredita que as jazidas podem ser ofertadas ao mercado nos próximos meses

Publicado em 01 de Junho de 2021 às 02:00

Públicado em 

01 jun 2021 às 02:00
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

bseixas@redegazeta.com.br

Produção de sal: jazidas de sal-gema poder passar a ser exploradas no ES
Produção de sal: jazidas de sal-gema poder passar a ser exploradas no ES Crédito: Tawatchai/Freepik
Descobertas há mais de 40 anos, as jazidas de sal-gema localizadas no Norte do Espírito Santo podem vir a ser exploradas em breve e desenvolver uma nova atividade econômica no Estado. 
As áreas, que ficaram décadas sob o poder da Petrobras, agora estão de volta à carteira da Agência Nacional de Mineração (ANM) e podem vir a entrar no edital da 4ª Rodada de Disponibilidade de Áreas do órgão ainda em junho e serem ofertadas ao mercado nos próximos meses.
A jazida gigante em Conceição da Barra - a maior reserva de sal-gema do Brasil e uma das maiores da América Latina - está passando por avaliações da ANM, que vai identificar se o ativo vai ter o sinal verde para fazer parte das mais de 1.600 áreas previstas para pesquisa mineral na 4ª Rodada. 
A potencial inclusão de 11 reservas capixabas - que também estão nos municípios de Ecoporanga e Vila Pavão - no edital do governo federal foi adiantada à coluna pelo deputado federal Felipe Rigoni. O parlamentar acompanha o tema de perto desde 2019, quando iniciou o seu mandato na Câmara dos Deputados. 
De acordo com ele, após ser provocado por eleitores, buscou mais informações e passou a monitorar a situação das jazidas, que há anos estavam com a Petrobras, mas não eram exploradas.
O deputado chegou a ter uma reunião, em setembro de 2019, com representantes da estatal, quando na ocasião eles informaram que a petrolífera não pretendia investir no negócio, conforme a coluna publicou à época.
Deputado federal Felipe Rigoni (PSB)
Deputado federal Felipe Rigoni Crédito: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados
"Como a Petrobras não tinha interesse de tocar esse projeto e também não cumpriu algumas solicitações da ANM, ela perdeu o direito de explorar as áreas, que voltaram para o governo. Com isso, desde março de 2020 as reservas ficaram passíveis de serem disponibilizadas em um leilão"
Felipe Rigoni - Deputado Federal 
A partir dessa devolução, o parlamentar enviou ofícios e solicitou reuniões junto a representantes da Agência Nacional de Mineração. Até que em março deste ano conseguiu um encontro com o presidente da entidade, que expôs a intenção da agência de atender ao pedido do deputado e ofertar as reservas capixabas em uma rodada licitatória, compromisso que foi reforçado posteriormente em um documento da ANM. 
"(...) informamos que os processos minerários abaixo [são listados 11] foram inclusos na lista de áreas a serem avaliadas para a próxima Rodada da Oferta Pública, Rodada 4, cujo o edital está previsto para ser publicado até o final de junho/2021. Antes de serem incluídas no edital, as áreas passarão por análise de interferência e por análise processual para confirmar se realmente estão desoneradas, e só irão para o edital se estas forem consideradas aptas para a Oferta Pública de áreas em Disponibilidade", informa trecho do ofício enviado ao deputado pela ANM.
Para Rigoni, a possibilidade de o Espírito Santo dar início à exploração do sal-gema, depois de décadas sem respostas sobre essa atividade, é animadora, uma vez que ela pode representar a criação de muitas oportunidades para a economia e para o desenvolvimento da região Norte capixaba. 
"Essa importante substância, se for devidamente beneficiada, tem potencial para criar ao longo dos próximos anos cerca de 15 mil empregos. A exploração dessas reservas, além de gerar mais oportunidades, pode atrair mais negócios para o Espírito Santo. Para se ter uma ideia, cerca de 20 cadeias industriais utilizam o sal-gema como insumo"
Felipe Rigoni - Deputado Federal
A coluna procurou a Petrobras e a ANM, mas até o momento desta publicação não teve retorno. 

DESENVOLVIMENTO DE UM POLO SAL-QUÍMICO

O desenvolvimento da atividade salineira no Espírito Santo pode ter efeito sobre várias cadeias da indústria. Segundo especialistas, o sal-gema pode ser aplicado em diferentes áreas, como na produção de PVC, de baterias, de defensivos agrícolas, de tecidos, vidros, metalurgia, no saneamento básico, no segmento de celulose, além da própria indústria de alimentos. 
Felipe Rigoni lembra que parte das dificuldades de desenvolver essa atividade minerária no Espírito Santo se deu pelo forte lobby de outros estados produtores, anos atrás. Políticos e empresários do Rio Grande do Norte, por exemplo, temiam que a entrada do Espírito Santo nesse mercado abalasse os negócios potiguar.
Mas, para o deputado capixaba, há mercados e oportunidades para todos. "Tanto é que o Brasil não é autossuficiente e importa, por São Paulo, sal do Chile."
Atividade salineira: desenvolvimento do setor pode criar oportunidades no ES Crédito: Falco/Pixabay

INVESTIDORES INTERESSADOS

Antes mesmo das reservas de sal-gema do Norte capixaba serem leiloadas no mercado, há interessados em entrar para o negócio. O deputado federal Felipe Rigoni garante que, há mais de um ano, grupos de investidores mantém contato com ele com a intenção de apostar na área.
"Entre os interessados está um representante de um fundo de investimento em mineração no Brasil. Fora que no Espírito Santo tem investidores com capacidade de entrar nesse mercado."

O SAL-GEMA 

Sal-gema é o nome que se dá ao cloreto de sódio (NaCl), acompanhado de cloreto de potássio e de cloreto de magnésio, que ocorre em jazidas da superfície terrestre.
Usando-se a eletrólise , obtém-se do sal-gema o cloro e o sódio, que são usados na fabricação da soda caustica, no tratamento de óleos vegetais, como germicida, na fabricação de plásticos e na polpa da madeira (para a obtenção da celulose).
Descoberta há mais de 40 anos no município de Conceição da Barra, Norte do ES, a reserva do mineral conta com uma área de aproximadamente 300 mil metros quadrados e corresponde a mais da metade de todo o estoque nacional do produto, segundo informações do deputado Felipe Rigoni. 
Ainda de acordo com ele, estudos indicam que são estimados a criação de cerca de 15 mil postos de trabalho e a exploração do item somaria algo em torno de 12 bilhões de toneladas do mineral.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

Viu algum erro?
Fale com a redação
Informar erro!

Notou alguma informação incorreta no conteúdo de A Gazeta? Nos ajude a corrigir o mais rapido possível! Clique no botão ao lado e envie sua mensagem

Fale com a gente

Envie sua sugestão, comentário ou crítica diretamente aos editores de A Gazeta

A Gazeta integra o

Saiba mais

Recomendado para você

Imagem de destaque
Como um brasileiro buscou apoio de Thomas Jefferson, autor da independência americana, para separar o Brasil de Portugal
Fernando Tatagiba
Parte 2: para o aniversário de morte de Fernando Tatagiba
Presídio
Quanto custa manter cada preso do sistema carcerário do ES

© 1996 - 2024 A Gazeta. Todos os direitos reservados