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Desempenho da economia

PIB do ES: o que já não ia bem, vai ficar ainda pior

Dados do Instituto Jones dos Santos Neves mostram que a economia do Estado já estava fragilizada antes da crise. Com pandemia do coronavírus, perspectiva é preocupante

Publicado em 20 de Junho de 2020 às 05:00

Públicado em 

20 jun 2020 às 05:00
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

bseixas@redegazeta.com.br

Segmentos da economia capixaba como de petróleo, comércio e mineração estão sendo impactados pela pandemia do novo coronavírus
Segmentos da economia capixaba como de petróleo, comércio e mineração estão sendo impactados pela pandemia do novo coronavírus Crédito: Beatriz Seixas/Fernando Madeira/ Tadeu Bianconi-Agência Vale
O resultado do Produto Interno Bruto (PIB) capixaba do primeiro trimestre deste ano, apresentado na última quarta-feira (17) pelo Instituto Jones dos Santos Neves (IJSN), traz duas constatações nada animadoras para o Espírito Santo.
Mas antes de citá-las, vamos aos números. A economia do Estado encolheu 1,2% de janeiro a março deste ano na comparação com os últimos três meses de 2019. É o terceiro trimestre consecutivo em que o desempenho do PIB é negativo, ou seja, o Estado encontra-se na chamada recessão técnica.
Quando comparamos os dados com igual período do ano anterior, a queda é de 1,7%, bem superior à registrada pelo Brasil no primeiro trimestre de 2020, com -0,3%.
Outra métrica nada favorável para o Estado é a que calcula o acumulado de quatro trimestres. Essa registrou uma retração de 0,6%, o pior resultado dos últimos 11 trimestres, ou seja, o pior desde o segundo trimestre de 2017.
Volto agora às constatações que citei no início deste texto. A primeira é de que, antes mesmo da pandemia do novo coronavírus, a atividade econômica do Espírito Santo apresentava-se deteriorada.
Tanto é que ao longo de 2019 a expansão capixaba ficou abaixo da do país. Somente no primeiro trimestre do ano passado elas foram equivalentes. De lá para cá, já é a quarta vez consecutiva que amargamos números piores. Detalhe: a comparação é com um país que vinha andando de lado.
A fala do coordenador de Estudos Econômicos do IJSN, Antônio Ricardo Freislebem, durante a apresentação à imprensa, reforçou que as coisas não iam bem por aqui. De acordo com ele, mesmo se os 15 dias de março que tiveram os impactos da pandemia fossem excluídos do cálculo do PIB trimestral, ainda assim, o resultado seria negativo.
"A gente vem acompanhando desde o ano passado um resultado muito ruim da indústria. Independentemente desta pandemia, a queda seria verificada pelo fato de a indústria estar sofrendo tanto e o setor de serviços estar patinando nos últimos trimestres"
Antônio Ricardo Freislebem - coordenador de Estudos Econômicos do IJSN
A segunda constatação que trago, ainda mais óbvia, é a do estrago que está por vir no próximo trimestre, que engloba abril, maio e junho, justamente os meses em que o Espírito Santo praticamente parou por conta das medidas adotadas para o combate à pandemia da Covid-19.
Até aqui, era o comércio que vinha contribuindo para o desempenho da economia não ser ainda pior. Exemplo disso é que de janeiro a março deste ano foi o único setor no azul, com um avanço no PIB de 4,4%. Já a indústria recuou 13,3% e serviços - 2,4%.
Com as portas fechadas e com as restrições de funcionamento, não será, desta vez, o comércio a atenuar a recessão. Mesmo que o IJSN não projete números, a expectativa dos técnicos é de que o cenário será muito pessimista e não só para o próximo trimestre. A queda de 17,9% nas vendas em abril, a pior em 20 anos registrada pelo IBGE, já é um aperitivo de como 2020 será um ano perdido.
Se esse quadro já não fosse suficientemente negativo, ainda teremos que conviver com os reflexos de sermos uma economia com grande abertura para o comércio exterior. Essa característica do Espírito Santo, segundo o presidente do IJSN, Pablo Lira, pode fazer com que o desempenho do PIB local sofra ainda mais do que o do Brasil. Afinal, diante de uma crise de proporções mundiais, o impacto para nós virá de todos os lados. 

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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