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Guarapari e Anchieta

Supermercado do ES demite 70 e é acusado de não pagar FGTS e INSS

Funcionários e ex-empregados dizem que rede Santo Antônio desligou profissionais de diversas áreas nesta quarta-feira (13) e estão com medo de não receber a rescisão

Publicado em 13 de Novembro de 2019 às 22:25

Públicado em 

13 nov 2019 às 22:25
Beatriz Seixas

Colunista

Beatriz Seixas

bseixas@redegazeta.com.br

Unidade do Supermercado Santo Antônio, em Guarapari Crédito: Foto do leitor
Cerca de três meses depois de ter assumido a gestão do Supermercado Santo Antônio, a empresa paulista DX Group Participações e Investimentos Eireli realizou nesta quarta-feira (13) uma série de demissões em diversas unidades da rede em Guarapari Anchieta.
Segundo informações obtidas pela coluna, cerca de 70 funcionários foram demitidos, alguns deles com mais de 20 anos de casa, o que gerou grande insegurança e ampliou as dúvidas que pairam sobre o futuro da empresa. Na lista de desligamentos constam profissionais como operador de caixa, embalador, fiscal de loja, conferente, ajudante de serviços gerais, açougueiro, motorista e ajudante de caminhão. O motivo para o fechamento dos postos de trabalho não foi informado aos funcionários desligados nem aos que continuam no quadro da rede.
A notícia vai, inclusive, na contramão do que representantes da própria empresa chegaram a declarar logo que assumiram o negócio. Em recente entrevista, o sócio do grupo, o empresário Crezo Suerdieck Dourado, prometeu a criação de vagas com a abertura de um atacarejo e de novas lojas na região Sul capixaba.
Em entrevista à imprensa local chegou a falar de 150 novos empregos diretos. “Viemos para região não para fechar nada, mas para gerar mais empregos”, disse em uma outra ocasião ao ES em Foco, meio de comunicação de Guarapari.
A coluna procurou o Supermercado Santo Antônio, mas não foram detalhados os números de afastamento pela empresa, que ponderou passar por uma readequação de equipe com objetivo de modernizar e crescer.
“A nova gestão do Supermercado Santo Antônio tem trabalhado diariamente para colocar a empresa no andamento necessário aos novos investimentos. Uma readequação da equipe está sendo feita. São cerca de 800 funcionários e a nova gestão está fazendo as alterações pontuais necessárias ao bom andamento da empresa, conforme é feito em gestões modernas. O Santo Antônio tem mais de 50 anos de mercado e continuará sendo referência no Estado. Lamentamos as informações equivocadas divulgadas constantemente e que só visam denegrir e prejudicar um trabalho sério e correto que está sendo feito. Estamos em processo de crescimento e modernização. Reiteramos que continuaremos trabalhando com o intuito de oferecer os melhores produtos e serviços aos nossos clientes”, declarou o grupo por meio de nota.

INSEGURANÇA

Profissionais demitidos temem não receber as verbas rescisórias que têm direito. Um deles contou à coluna que esse receio é por conhecer outras pessoas que estão nessa situação. De acordo com ele, quem foi desligado logo que o grupo assumiu ainda espera  pelas indenizações.
"Pessoas do alto nível da empresa foram demitidas logo no início da mudança. Mas a informação que tenho é que até hoje elas não receberam seus direitos. Meu medo é que isso aconteça com todos nós que saímos agora"
Profissional demitido - Pediu para não ser identificado

SEM FGTS E INSS

O grande número de demissões reforçou o clima de incerteza que já vem acontecendo nos últimos meses entre empregados, fornecedores e clientes da tradicional rede supermercadista.
Além dos cortes, profissionais que foram demitidos e outros colaboradores que continuam contratados se queixam de que o supermercado teria deixado de depositar o FGTS e o INSS dos empregados. Outra reclamação é que o convênio médico que o Santo Antônio tinha com a Unimed teria sido cortado por falta de pagamento.

DÍVIDAS COM FORNECEDORES

Outra insatisfação generalizada é quanto às dívidas com fornecedores do Estado. Fontes revelam que os débitos pendentes passam da casa do milhão. Com a falta de pagamentos, fornecedores locais estão deixando de vender os produtos. A consequência disso é vista nas prateleiras das lojas, que têm oferecido cada vez menos opções de mercadorias.
Prateleiras e bancas estão desabastecidas em unidades da rede de supermercados Santo Antônio, em Guarapari Crédito: Foto do leitor
"Como não estão pagando os fornecedores do Espírito Santo, eles estão trazendo mercadorias de fora do Estado. Provavelmente, porque fora daqui as pessoas ainda não tenham o conhecimento da situação complicada que estamos passando"
Funcionário do Santo Antônio - Pediu para não ser identificado
Uma outra pessoa contou que muitos desses produtos estão vindo do Sul do país e são pouco conhecidos dos consumidores capixabas, o que tem deixado clientes insatisfeitos.
Empresa diz que centro de distribuição em Guarapari vai virar atacarejo Crédito: Santo Antônio/Divulgação

DESDOBRAMENTOS

Desde a mudança da gestão do supermercado Santo Antônio, a coluna vem acompanhando o assunto. Em agosto, noticiou que a família Zouain vendeu a marca para a empresa paulista, uma negociação de sete unidades, além do centro de distribuição.
Em setembro, a DX Group Participações e Investimentos Eireli adquiriu mais quatro lojas em Guarapari, todas da rede Smart, que foram incorporadas à marca Santo Antônio. De lá para cá, o grupo controlador anunciou investimentos, como a reforma das atuais lojas, a abertura de mais unidades e de um atacarejo. Mas em meio às novidades que foram prometidas pelos novos gestores também surgiram muitas dúvidas sobre o futuro do negócio.
Supermercado Paris, da Rede Smart, na Praia do Morro, recebeu identificação da marca Santo Antônio após ser vendido Crédito: Francisco Nascimento
Situações como máquinas de cartão irregulares, falta de mercadorias em várias unidades, a desmobilização do centro de distribuição para virar um atacarejo (mas que até o momento só teve a fachada pintada), a forma de pagamento aos funcionários e ainda a dívida com fornecedores.

Beatriz Seixas

Jornalista de A Gazeta, há mais de 10 anos acompanha a cobertura de Economia. É colunista desde 2018 e traz neste espaço informações e análises sobre a cena econômica

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