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Relações internacionais

Aliança entre China, Rússia e Irã: quais os impactos para o futuro?

No que diz respeito à economia global, a aliança entre esses três países também pode ter impacto na alta do dólar e na posição da China no mercado internacional

Publicado em 17 de Abril de 2024 às 02:00

Públicado em 

17 abr 2024 às 02:00
Brunela Vincenzi

Colunista

Brunela Vincenzi

brunelavincenzi@hotmail.com

Nos últimos anos, temos testemunhado uma série de novas alianças geopolíticas surgindo, com potencial para reconfigurar as relações internacionais e impactar diretamente conflitos e guerras em diversas regiões do mundo. Uma dessas alianças envolve o Irã, a Rússia e a China, países que têm buscado fortalecer laços e cooperação em diferentes áreas.
A aliança entre China, Rússia e Irã representa uma mudança significativa no cenário geopolítico global, com potenciais repercussões em diversos setores, incluindo política, economia e segurança internacional. Essa parceria estratégica tem despertado preocupações e especulações sobre suas possíveis consequências e impactos no futuro.
Uma das principais áreas de interesse dessa aliança é o mercado de petróleo. Com a Rússia e o Irã sendo grandes exportadores de petróleo e a China sendo um dos maiores consumidores do mundo, essa união pode ter um impacto significativo sobre o preço do petróleo no mercado global. Juntos, esses países têm o potencial de controlar uma grande parte da produção e distribuição de petróleo, o que pode levar a oscilações no mercado e influenciar as políticas energéticas de outras nações.
Além disso, a influência crescente da China no mundo tem sido motivo de preocupação para muitos países ocidentais. Com seu rápido crescimento econômico e investimentos em infraestrutura em todo o mundo, a China está se tornando uma potência global capaz de desafiar a hegemonia tradicional dos Estados Unidos e de influenciar as decisões de outros países em diversos aspectos.
No entanto, a formação dessa aliança também levanta questões sobre novas possíveis guerras e conflitos. A cooperação entre Rússia, China e Irã pode desafiar as alianças existentes e criar novas rivalidades no cenário internacional. Além disso, a ascensão desses países pode despertar desconfianças e temores em outras nações, levando a um aumento das tensões e potenciais conflitos.
Por outro lado, essa aliança também pode ser vista como uma busca por estabilidade e paz, especialmente em um momento de crescentes incertezas e divisões no cenário mundial. A cooperação entre Rússia, China e Irã pode ser vista como um esforço para promover o diálogo e a diplomacia, em vez de recorrer a medidas unilaterais ou agressivas.
Presidentes da Rússia e China
Presidentes da Rússia e China Crédito: Alexei Druzhinin/Sputnik/AFP
Já no que diz respeito à economia global, a aliança entre esses três países também pode ter impacto na alta do dólar e na posição da China no mercado internacional. Com a China buscando cada vez mais diversificar suas relações comerciais e reduzir sua dependência do dólar, a cooperação com Rússia e Irã pode fortalecer sua posição no cenário econômico global e desafiar a hegemonia do dólar como moeda de reserva mundial.
Essa nova dinâmica pode influenciar diretamente o papel do Brasil nas novas guerras que estão ocorrendo ao redor do mundo. O país tem desempenhado um papel importante como mediador de conflitos e promotor da paz em diferentes regiões, buscando contribuir para a resolução de conflitos e a construção de um mundo mais justo e pacífico.
A teórica britânica Mary Kaldor, conhecida por seus estudos sobre novas guerras, argumenta que os conflitos atuais são marcados por uma série de características distintas em relação aos conflitos do passado, como a presença de atores não estatais e a utilização de estratégias de violência indiscriminada. Nesse contexto, a formação de novas alianças entre países como o Irã, a Rússia e a China pode ter um impacto significativo na forma como esses conflitos se desenrolam.
Mary Kaldor é uma renomada acadêmica que introduziu o conceito de "Novas Guerras" em seu livro de 1999, explicando que as guerras modernas não seguem mais os padrões tradicionais de conflitos entre Estados. Ela argumenta que, ao invés disso, as guerras contemporâneas são caracterizadas por uma mistura de atores estatais e não estatais, motivos étnicos e econômicos, e uso de tecnologias avançadas.
Um exemplo recente que reflete o conceito de Mary Kaldor é justamente o conflito entre o Irã e Israel. No último sábado (13), houve relatos do lançamento de drones e mísseis do território iraniano em direção a Israel, além de outros ataques vindos do Iêmen e do Líbano, por grupos atuantes em nome do Irã. Esse tipo de ataque, realizado por um ator não estatal contra um Estado, é um exemplo claro das novas formas de guerra que estamos testemunhando no mundo contemporâneo.
Somando-se a tudo isso, nos últimos dias, tem se observado um paradoxo no cenário internacional: a crítica aos ataques israelenses à faixa de Gaza, em meio à defesa de Israel contra os ataques iranianos ocorridos no último sábado. Esse paradoxo tem gerado certa controvérsia, especialmente entre os críticos de Israel, que apontam o genocídio em Gaza enquanto defendem a ação defensiva de Israel contra o Irã.
Os críticos de Israel argumentam que os ataques israelenses à faixa de Gaza são desproporcionais e resultam em um número alarmante de mortos e feridos civis, incluindo crianças e mulheres. Muitos desses críticos veem as ações de Israel como um verdadeiro genocídio em Gaza, e pedem por uma intervenção da comunidade internacional para proteger os palestinos.
No entanto, o paradoxo surge quando esses mesmos atores que criticam Israel pelo número de mortos em Gaza, agora defendem veementemente a ação defensiva de Israel contra os ataques iranianos. O ódio mútuo entre Israel e o Irã é bem conhecido, e os ataques iranianos representam uma ameaça direta à segurança nacional de Israel. Nesse contexto, a defesa de Israel pelos críticos de seu governo parece contraditória e levanta questões sobre a consistência dessas posições.
Um exemplo claro desse paradoxo é a postura do primeiro-ministro britânico, Rishi Sunak, em relação aos recentes acontecimentos no Oriente Médio. Após condenar publicamente os ataques israelenses à faixa de Gaza, ele foi rápido em apoiar a coalizão que repeliu ainda no ar o ataque iraniano à Israel. Conclamando Israel a aceitar a derrubada de 99% dos mísseis e drones iraninos pela força de coalizão como uma vitória contra o Irã.
Em resumo, o paradoxo das críticas aos ataques israelenses à faixa de Gaza e a defesa de Israel contra os ataques iranianos mostra a complexidade e as contradições presentes nas relações internacionais. É importante analisar cada situação de forma independente, levando em consideração os contextos político, social e histórico envolvidos, para uma compreensão mais completa e precisa dos eventos que moldam o cenário global.
Diante desse cenário, é importante que os líderes mundiais atuem de forma diplomática e busquem soluções pacíficas para resolver os conflitos na região. A guerra nunca é a melhor opção e é fundamental que todas as partes envolvidas priorizem o diálogo e a negociação para evitar um derramamento de sangue desnecessário, ainda mais se considerarmos que todos os países envolvidos nesse cenário ou já possuem bombas atômicas ou estão em vias de tê-las.

Brunela Vincenzi

Professora da Ufes, coordenadora da Cátedra Sérgio Vieira de Mello ACNUR/ONU para refugiados e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ufes. Redes sociais: @brunelavincenzi

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