Uso excessivo de telas
Outros comportamentos podem agravar esse cenário. O estudo identificou associação entre jet lag social e hábitos como excesso de telas, consumo de álcool e pular o café da manhã. “Esses comportamentos afetam o sono por diferentes mecanismos. O uso excessivo de telas à noite expõe o cérebro à luz artificial e mantém a mente estimulada, o que pode atrasar o início do sono e dificultar o adormecer. Já o consumo de álcool, mesmo que ocasional, interfere na qualidade e na organização do sono”, relata Martins.
Por sua vez, pular o café da manhã costuma ser um sinal de rotina desregulada, muitas vezes ligada a noites mais tardias e à falta de tempo ao acordar. “Em conjunto, esses hábitos contribuem para tornar os horários de sono mais irregulares e reforçam o desalinhamento entre o relógio biológico e as exigências do dia a dia, aumentando a probabilidade de jet lag social”, ressalta a pesquisadora da UFRGS.
O horário de ir para a escola é outro fator que pode piorar esse desajuste no sono. Não à toa, segundo o estudo, adolescentes que estudam no período da manhã apresentam maior prevalência do problema. “Há um conjunto de evidências internacionais consistentes mostrando que começar as aulas mais tarde melhora o tempo de sono, a atenção e até indicadores de saúde mental nos adolescentes”, afirma Letícia Soster.
Entidades como a Academia Americana de Pediatria recomendam que o início das aulas no ensino médio seja após as 8h30. Alguns distritos escolares nos Estados Unidos e na Europa já adotaram esse modelo, com resultados positivos.
Tem como prevenir?