No dia 24 de fevereiro, depois de muita ameaça e incredulidade, tropas russas atravessaram a fronteira para a Ucrânia e começaram uma guerra que ninguém gostaria que acontecesse. As forças aliadas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), aliança militar internacional fundada em 1949, sem poder agir diretamente em território ucraniano, passam os dias deliberando sobre como reagir ao ataque.
De outro lado, o presidente russo, Vladimir Putin, à medida que os dias vão passando, vai aumentando a aposta na guerra, ao ponto de, neste domingo 27, colocar de prontidão armas de destruição em massa, o que inclui armas nucleares. Essa, talvez, a maior ameaça à paz mundial vivida pela humanidade desde o fim da Segunda Guerra Mundial.
Por isso o mundo assistiu nesta segunda-feira (28), com renovada esperança, a uma primeira rodada de negociações de paz entre delegações russas e ucranianas, que teve lugar numa área fronteiriça entre a Ucrânia e a Bielorrússia. Segundo as agências de notícias internacionais, as delegações retornaram a seus países sem uma decisão, para consultas e uma posterior segunda rodada de conversas.
O que se espera, porém, é que as sanções impostas pelos Estados Unidos, os países de União Europeia, o Reino Unido e o Canadá contra a Rússia comecem a produzir efeitos muito em breve. De acordo com manifestações da Casa Branca, a ideia é ir escalando as sanções com o passar dos dias, para levar o presidente russo a recuar.
Ao mesmo tempo em que os dois países negociam um armistício, o que o mundo assiste é a fuga de aproximadamente 660 mil pessoas em busca de refúgio nos países vizinhos à Ucrânia, sendo que o Alto Comissariado da ONU já estima o número total de até 4 milhões de refugiados ucranianos, no mundo, até o final da guerra (estimativas divulgadas, na terça-feira, 1º).
A respeito da questão do refúgio em países vizinhos, em especial, por enquanto, na Polônia, Hungria, Romênia e Moldávia, muito se tem debatido sobre a recepção calorosa recebida pelos refugiados ucranianos nas fronteiras com esses países, contrapondo-na com a situação enfrentada por refugiados vindos do continente africano ou da Síria ao tentarem entrar na Europa.
O ponto levantado, certamente, não deixa de ser importante, mas não nos parece ser este o correto momento para a contraposição e a crítica. Importante lembrar que toda vida importa, toda guerra é injusta e todos os seres humanos têm direito ao refúgio. Se agora, em razão da investida da Rússia, vê-se uma outra dinâmica na recepção de refugiados e na atenção dada ao conflito pelos países europeus, é porque essa guerra pode muito rapidamente evoluir para uma guerra mundial (caso os Estados Unidos entrem na guerra) com o uso de armas nucleares.
Preocupa, ainda, relatos de organizações internacionais que informam que a Rússia está utilizando bombas de fragmentação, o que aumenta o risco de morte para civis que não conseguiram escapar a tempo dos ataques russos. Tamanha a ameaça a civis, que o papa Francisco, em manifestação no Vaticano, pediu aos contendentes para que se estabeleça um corredor humanitário por onde civis possam fugir para outros países, sem riscos, e para que a ajuda humanitária possa ingressar em território ucraniano levando suplementos médicos e alimentares.
Não se sabe ao certo se o armistício que começou a ser negociado entre a Ucrânia e a Rússia nesta segunda-feira vai avançar, porém essa seria uma das poucas esperanças para um rápido fim do conflito. Em que pesem tantos outros conflitos que existem no mundo atual, a importância decisiva deste está no fato de que esta guerra tem tudo para ser um daqueles momentos decisivos na história da humanidade, o qual pode alterar completamente o jogo de poder mundial.