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Diplomacia

Momento oportuno para lembrar de Sérgio Vieira de Mello

Em um documentário de 2009, disponível na Netflix, colegas e amigos de Sérgio dão conta de que ele era o tipo de brasileiro do qual hoje em dia sentimos tanta falta

Publicado em 26 de Outubro de 2022 às 00:30

Públicado em 

26 out 2022 às 00:30
Brunela Vincenzi

Colunista

Brunela Vincenzi

brunelavincenzi@hotmail.com

Provavelmente muitos capixabas já ouviram falar da Cátedra Sérgio Vieira de Mello do Alto Comissariado da ONU para Refugiados que funciona na Universidade Federal do Espírito Santo, a CSVM/Ufes. A Cátedra, como a chamamos, foi instalada na Ufes no ano de 2015, por meio de um termo de cooperação entre a universidade e o ACNUR, um órgão da Organização das Nações Unidas criado em 1950.
O órgão das Nações Unidas mantém no Brasil escritórios em Brasília, São Paulo, Boa Vista e Belém, tendo por missão o acolhimento e entendimento da questão do refúgio no Brasil e no mundo. Mais do que nunca, o Brasil tem sido local de refúgio para pessoas que fogem de seu país de origem em busca de uma vida em paz.
Dentro dessa tradição, o ACNUR Brasil criou o programa das Cátedras Sérgio Vieira de Mello em homenagem ao brasileiro Sérgio, como era conhecido dentro da estrutura das Nações Unidas, contando hoje já com 27 cátedras em funcionamento em todo o Brasil.
Apesar de conhecerem a Cátedra, a maioria das pessoas não traz à mente imediatamente a figura de Sérgio Vieira de Mello, infelizmente. Sérgio foi morto por um atentado em Bagdad à sede da ONU em 19 de agosto de 2003.
Sérgio Vieira de Mello foi o brasileiro que chegou aos postos mais superiores da estrutura onusiana, tendo sido Alto Comissário para Direitos Humanos, governador do Timor Leste logo após a independência desse país e chefe do governo de transição do Iraque depois do ataque norte-americano àquele país.
O que levou Sérgio a ter tamanha consideração no plano internacional foi o seu jeito de ser. Em um documentário de 2009, disponível na Netflix, colegas e amigos de Sérgio dão conta de que ele era o tipo de brasileiro do qual hoje em dia sentimos tanta falta, por onde ia tinha um sorriso cativante, não pensava dicotomicamente dividindo as pessoas entre bandidos e bons, pelo contrário fazia questão de conversar com todos os lados de uma disputa.
Ficou famosa a experiência de Sérgio com o Khmer Rouge para negociar o retorno de refugiados ao Camboja. Graças a essa intervenção de Sérgio, os refugiados puderam retornar às suas cidades em paz e sem maiores conflitos após à Guerra Civil e o genocídio no país.
Durante a cerimônia na Assembleia Geral da ONU, uma espécie de funeral para Sérgio, Kofi Annan, o então Secretário-Geral das Nações Unidas, diz que Sérgio era a única pessoa que ele conhecia que depois de 18 horas de trabalho ainda estava com um sorriso no rosto, demonstrando a certeza de trabalhar fazendo o que gosta e o que tinha se determinado a fazer pelo bem da humanidade.
Sérgio é um exemplo de brasileiro, logicamente com defeitos que remetem a uma criação patriarcal, que deve ser inspiradora para aqueles que buscam ingressar na seara no trabalho humanitário não só no sistema onusiano, mas também nas ONGs e outras organizações do terceiro setor.
Precisamos de mais pessoas que se doam pelo bem dos outros no Brasil.

Brunela Vincenzi

Professora da Ufes, coordenadora da Cátedra Sérgio Vieira de Mello ACNUR/ONU para refugiados e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ufes. Redes sociais: @brunelavincenzi

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