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Religião

Papa Francisco recorre ao samba para colocar a sua fé em um mundo melhor

O mais ecumênico de todos os papas acertou em cheio trazendo a frase de Vinicius de Moraes para lembrar que precisamos nos unir para vencermos a racionalidade do globalismo sem ética que permeia o mundo contemporâneo

Publicado em 07 de Outubro de 2020 às 05:00

Públicado em 

07 out 2020 às 05:00
Brunela Vincenzi

Colunista

Brunela Vincenzi

brunelavincenzi@hotmail.com

Vídeo com mensagem do papa será projetado no Convento
Papa Francisco nos convida a formar “uma sociedade onde as diferenças convivem integrando-se” Crédito: Vatican
Ele é o primeiro e único papa a escolher o nome de Francisco, o primeiro Papa Francisco. Isso nos deve fazer lembrar que o carisma que ele possui e o respeito ecumênico que a maioria da população do mundo tem por ele devem-se ao seu modo de vida que espelha a vida de Francisco de Assis, o irmão do sol, o humilde de Assis, aquele que abriu mão de toda riqueza para viver em pobreza e ajudar ao próximo.
Nesta semana, o Papa Francisco divulgou a Encíclica Fratelli Tutti, sobre a fraternidade e a amizade social, e chamou minha atenção o item “Uma nova cultura”, a cultura do encontro como propõe Francisco no seu texto.
Essa nova cultura é representada na encíclica justamente por uma frase do nosso (pois era brasileiro) Vinicius de Moraes: “A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro na vida”, um verso da música “Samba da Bênção”. Para quem não está lembrando da música pelo título, essa é aquela que começa assim: “é melhor ser alegre que ser triste...!”.
Mais uma vez, o mais ecumênico de todos os papas acertou em cheio trazendo a frase de Vinicius para lembrar que precisamos nos unir para vencermos a racionalidade do globalismo sem ética que permeia o mundo contemporâneo.
No mesmo item da encíclica em que Francisco traz a frase de Vinicius, ele nos lembra que “ninguém é inútil, ninguém é supérfluo”, nos exortando a incluir as periferias nos debates, nas tomadas de decisão sobre a vida no planeta. Nos dizeres do Papa Francisco, “quem vive nelas tem outro ponto de vista, vê aspectos da realidade que não se descobrem a partir dos centros de poder onde se tomam as decisões mais determinantes.”
Sabemos que o samba vem da periferia, vive nas periferias e nos morros brasileiros, fazendo parte da identidade cultural de uma parte importante da nossa sociedade, notadamente esquecida pela lógica de segurança pública e financeira que domina o discurso da política brasileira atual. E foi justamente no samba, nas periferias, nas pessoas, onde Francisco colocou a sua fé num mundo melhor. Nada mais simbólico!
Ao invés de cultivar a cultura de elites que se afastam cada vez mais dos problemas sociais para viver em suas bolhas, isoladas do restante da sociedade, o Papa Francisco nos convida a formar “uma sociedade onde as diferenças convivem integrando-se”.
Para Francisco, não há diferença – inclusive religiosa – insuperável. Em sua nova encíclica, o Papa Francisco nos lembra que mesmo Francisco de Assis, em plena época das Cruzadas, convivia com muçulmanos e conversava com eles sobre as questões prementes do seu tempo.
Ora, se a fé cristã de Francisco de Assis não o impediu de conversar e se aproximar de pessoas de outras religiões não cristãs, por que em pleno século XXI alguns cristãos ainda insistem em considerar-se superiores em sua fé? O direito humano à liberdade religiosa garante a todos o exercício da sua religião, sem ranquear uma religião como melhor que a outra. Francisco de Assis respeitava a fé dos outros, o Papa Francisco a respeita, nós temos que respeitar também.
Líderes religiosos são muito importantes para guiar as suas congregações pelo caminho do entendimento mútuo, da fraternidade e da amizade social, como nos ensina agora o Papa Francisco.
Que o seu exemplo seja seguido por outros líderes religiosos, para que passem a conclamar a paz, a amizade entre os povos e as nações e, acima de tudo, a verdadeira cultura ecumênica que inclui a todos, sem exceção.

Brunela Vincenzi

Professora da Ufes, coordenadora da Cátedra Sérgio Vieira de Mello ACNUR/ONU para refugiados e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ufes. Redes sociais: @brunelavincenzi

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