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Coronavírus

Quem desrespeita o isolamento nega responsabilidade pela saúde coletiva

Em um país em que o respeito às regras de convivência social, em especial de solidariedade, de respeito e de cuidado, são tidas como exemplo de ignorância e ingenuidade, onde correto é ser esperto e malandro, não se podia mesmo esperar nada diferente

Publicado em 10 de Junho de 2020 às 05:00

Públicado em 

10 jun 2020 às 05:00
Brunela Vincenzi

Colunista

Brunela Vincenzi

brunelavincenzi@hotmail.com

Isolamento social é uma das medidas para evitar contágio por Covid-19
Isolamento social é uma das medidas para evitar contágio por Covid-19 Crédito: Congerdesign/ Pixabay
O mundo tem estado tão conturbado nesses últimos dias e, aqui no Brasil, vemo-nos confrontados com a sensação de insegurança e incerteza quanto ao futuro da humanidade e do nosso planeta. Um vírus devastador, um presidente da república sem habilidade para governar, e pessoas totalmente desconectadas da realidade e do dever de solidariedade para com os seus cocidadãos perturbam as nossas mentes desde março. 2020 tem sido um ano muito difícil em todas as partes do mundo, mas aqui no Brasil as coisas têm-se complicado enormemente.
Nas cidades grandes e pequenas, as autoridades têm-se cansado de implorar o auxílio da população para a prática do distanciamento social. Aqui no Espírito Santo não tem sido diferente. É triste ver pessoas que, mesmo podendo ficar em isolamento social para garantir a saúde de todos negam a sua parcela de responsabilidade pela saúde da coletividade.
Eu nunca esperei nada diferente, infelizmente! Em um país em que o respeito às regras de convivência social, em especial de solidariedade, de respeito e de cuidado são tidas como exemplo de ignorância e ingenuidade, onde correto é ser esperto e malandro, não se podia mesmo esperar nada diferente.
Será que o grupo de pessoas que insiste em desrespeitar as regras de isolamento social, que continuam tomando hidroxicloroquina em casa sem receita médica, que acham mais importante praticar esportes coletivos na praia do que salvar vidas são somente uma parcela pequena da população?
De acordo com os números que vêm sendo divulgados recentemente pelos governos municipais e estaduais, o índice de isolamento social tem sido em média, no Brasil, de 50%. Assim, podemos dizer que cerca de metade da população brasileira tem consciência da necessidade de respeito, cuidado, solidariedade e responsabilidade pela vida do nosso povo, já os outros cinquenta...
O problema é que a maioria das mortes pela Covid-19 acontece no seio da população preta, parda e pobre aqui no Brasil. Os relatos de médicos é de que essa camada da população já vive em estado de grande vulnerabilidade antes mesmo de serem expostas ao coronavírus, de modo que quando chegam aos hospitais públicos com a síndrome respiratória aguda causada pelo vírus, estão com a saúde muito comprometida por outras comorbidades pré-existentes.
O que fazer então? Como sensibilizar amigos e conhecidos para a necessidade de ser solidário e ter cuidado com o outro? É a solidariedade um valor que se aprende, que se ensina?
Ontem, terça-feira (9), perdemos uma grande professora da Universidade Federal do Espírito Santo, a Luzimar Luciano, do Departamento de Enfermagem, para a Covid-19. A professora Luzimar era defensora de direitos humanos, fazia parte da Comissão Permanente de Direitos Humanos da Ufes desde o seu início e não merecia partir assim, sem velório e sepultamento, sem uma despedida digna.
Assim como a professora Luzimar, mais de 37 mil brasileiros e brasileiras tiveram suas vidas ceifadas pelo descaso daqueles que continuam nas ruas como se nada estivesse acontecendo, por aqueles que insistem na reabertura do comércio, de academias de ginástica e de shopping centers.
Sim, senhor governador do Estado do Espírito Santo, o senhor poderia ter salvo a vida de muitas pessoas se não tivesse cedido às pressões para a reabertura do comércio, dos shopping centers, academias etc. Nossos amigos, familiares e todos os pretos e pardos que morreram no Estado, estariam aqui conosco, senhor governador... Se o senhor tivesse decretado o lockdown assim que os especialistas o aconselharam. O sangue está em suas mãos!

Brunela Vincenzi

Professora da Ufes, coordenadora da Cátedra Sérgio Vieira de Mello ACNUR/ONU para refugiados e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ufes. Redes sociais: @brunelavincenzi

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