Conforme o 2º Inquérito Nacional sobre Insegurança Alimentar no Contexto da Pandemia de Covid-19, ao menos 33,1 milhões de pessoas não têm o que comer no Brasil, representando um aumento de 14 milhões em relação ao ano anterior. Além disso, cresceu significativamente o número de brasileiros que convivem com a insegurança alimentar, de modo que 58,7% da população não sabe se terá alimentação adequada. Trata-se do pior cenário da fome no Brasil desde os anos 1990. O Brasil regrediu!
Especialistas são uníssonos em indicar que contribuem para esses dados alarmantes, além da já conhecida pandemia de Covid-19, o desmonte das políticas públicas por parte do governo federal, bem como a piora do quadro econômico do país. Tudo isso, em conjunto, levou ao acirramento do abismo social que distancia a imensa maioria de pobres de uma diminuta parcela de super-ricos no Brasil.
Enquanto a ala governista tenta eximir-se das responsabilidades, tentando transferir a culpa para a pandemia, para o Supremo Tribunal Federal, para imprensa ou para fatores externos, a população brasileira continua carente de soluções urgentes! Quem tem fome, tem pressa (e muita).
É inequívoco que o governo federal tem sim grande responsabilidade pelo caos social e econômico que se instalou no país, haja vista que muitos dos impactos negativos na economia decorreram diretamente do descrédito que o presidente Jair Bolsonaro e sua equipe foram atraindo ao país. Com a economia mal das pernas, não era difícil prever que se recrudesceriam a fome e a miséria no Brasil. Todavia, em vez de combater a fome, a pobreza e a miséria, o governo central trata os pobres e miseráveis como inimigos.
A situação é ainda mais preocupante quando se relembra o grande número de desempregados, subocupados e de trabalhadores informais, enquanto, lado outro, a inflação e a desvalorização do real atingem níveis históricos. A alta recorde do preço dos alimentos e do gás de cozinha, inclusive, inúmeras famílias a terem que preparar suas refeições em fogões a lenha, isto é, se conseguem comprar comida, já que os itens da cesta básica puxaram os índices de inflação. Destarte, alta inflacionária atinge sobremaneira as pessoas que já se encontram em vulnerabilidade financeira.
Pensar e implementar políticas públicas voltadas a assegurar melhores condições de vida às pessoas mais pobres não se trata de caridade, é uma obrigação do Estado! Para tanto, contudo, é preciso força e interesse político e o atual governo já deixou claro que seu objetivo não é socorrer os brasileiros que precisam. Pelo contrário, a atual gestão central desde a campanha já orientava que seu foco outro não era senão defender aqueles que já têm muito em detrimento daqueles que não têm quase ou nada.