O ex-presidente Jair Bolsonaro — após se dizer imbrochável — por não aceitar a derrota nas urnas, preferiu não ir ao velório de Pelé e não passar a faixa presidencial ao agora presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Bolsonaro viajou aos Estados Unidos para se manter recluso, dois dias antes da posse de seu sucessor. Mas Lula fez do limão uma limonada: em vez de receber a faixa presidencial do antecessor, simbolicamente, recebeu o item alusivo à investidura no cargo das mãos de representantes do povo brasileiro, diversificado por essência.
Posse presidencial é sempre um momento importante e que marca a história democrática de um país. Entretanto, a posse deste ano foi ainda mais emocionante, seja pelo suspense que havia em torno das próprias questões de segurança, seja pelas inovações que em nada destoaram da liturgia do momento.
Jornais do mundo inteiro noticiaram em tom positivo a alternância de poder no Brasil, feito este que só é propiciado de modo perene pelo sistema democrático. A presença de diversos representantes de Estados estrangeiros demonstrou que são robustas as possibilidades de o Brasil recuperar seu posto de influência nas relações internacionais e comerciais com outros países.
Apesar de certas polêmicas envolvendo as decisões nas escolhas dos ministérios, é emblemático o aumento da presença feminina em posições de liderança. Além, é claro, da evidente mudança de posturas ideológicas, como nas áreas de saúde, meio ambiente, cultura e direitos humanos, por exemplo.
Não houve golpe, os acampados em frente a quarteis não alcançaram seu desiderato. A democracia brasileira se mostrou sólida com uma transição pacífica e ordeira, à exceção de alguns movimentos extremistas que ainda devem ser responsabilizados.
Os desafios do novo presidente não são simples ou de fáceis soluções, mas o cenário é positivo.