Em menos de uma semana após um homem-bomba ter se explodido em frente ao Supremo Tribunal Federal, a Polícia Federal cumpriu mandados de prisão preventiva em desfavor de quatro militares do alto escalão do Exército e um agente da própria PF suspeitos de terem planejado o homicídio do presidente, do vice-presidente Geraldo Alckmin e de Alexandre de Moraes, ministro do STF, que à época dos planos de execução presidia o Tribunal Superior Eleitoral. Conquanto o clã bolsonarista tente convencer do contrário, esse e outros episódios não são fatos isolados.
As notícias vindas à tona esta semana reiteram que tanto o homem-bomba quanto o chamado plano “Punhal Verde e Amarelo” são, a bem da verdade, consequências lógicas e desdobramentos de um discurso de ódio e avesso à democracia, sobremaneira em face à derrota nas urnas em 2022.
Principalmente quando se recorda a tônica de violência e agressividade dada à política nos quatro anos da gestão de Jair Bolsonaro que atingiram patamares ainda mais preocupantes após a vitória de Lula na última eleição presidencial.
Enquanto estiveram no Palácio do Planalto, os bolsonaristas criaram um gabinete do ódio para disseminar mentiras, difundir discurso de ódio e perseguir reiteradamente opositores políticos, inclusive, a imprensa quando divulgava informações que o governo pretendia acobertar.
Pouco antes das eleições de 2022, como se estivesse antevendo que a reeleição não seria possível, tentaram, a todo custo, colocar em xeque a credibilidade das urnas eletrônicas e da Justiça Eleitoral, chegando, inclusive, a convocar embaixadores estrangeiros.
Confirmada a vitória da oposição, decidiram não aceitar os resultados das urnas: acamparam em frente a quartéis pedindo intervenção militar, fecharam rodovias, criaram um ambiente de caos na capital federal no dia da diplomação de Lula, tentaram explodir bombas nas proximidades do aeroporto de Brasília, promoveram os atentados terroristas de 8 de janeiro de 2023 na praça dos Três Poderes, e, mais recentemente, a explosão do homem-bomba em frente ao STF.
Em meio a isso tudo, a minuta de um golpe e o plano “Punhal Verde e Amarelo”, impresso no Palácio do Planalto quando Bolsonaro ainda era presidente.
As evidências já divulgadas até o momento colocam em situação complicada os principais figurões do bolsonarismo, incluindo o próprio Bolsonaro, que, além de ser beneficiário direto, ao que tudo indica, tinha conhecimento da trama golpista. A cronologia, o contexto geral e as novas informações praticamente colocam Bolsonaro na cena do crime. Talvez, justamente por isso, Bolsonaro tentou se esconder na embaixada da Hungria dois dias após a PF ter apreendido seu passaporte.
É importante que fique claro que todos esses fatos estão concatenados e o objetivo outro não era senão o de abolir o Estado democrático de Direito, ainda que, para tal afã, tivessem que rasgar a Constituição, atacar as instituições e matar inimigos políticos. Planejar golpes e homicídios é repugnante e não deveria ser tratado com naturalidade.
Anistiar os envolvidos nos atentados terroristas de 8 de janeiro de 2023 ou não punir adequadamente todos os mentores do plano de golpe de Estado (que passava pela morte dos eleitos e de outras autoridades) não é civilizatório. Pelo contrário, transmitirá a mensagem de que aquele que não vencer nas urnas pode ocupar o cargo se matar quem estiver no seu caminho.