No último fim de semana, durante um comício, praticamente às vésperas da convenção do partido Republicano, o ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump foi vítima de um atentado. Alguns poucos centímetros de movimento foram fundamentais para que ele não fosse alvejado por um dos disparos que partiu de um fuzil AR-15.
Por mais que alguns mais incrédulos especulem teorias, tudo indica que, de fato, por razões políticas, quase ceifaram a vida de Trump. Esse foi mais um dos vários episódios de violência política durante a história dos EUA. Quatro dos 45 presidentes americanos em exercício foram assassinados: Abraham Lincoln (1865, por John Wilkes Booth), James A. Garfield (1881, por Charles J. Guiteau), William McKinley (1901, por Leon Czolgosz) e John F. Kennedy (1963, por Lee Harvey Oswald). Isso sem contar os atentados que falharam.
Além disso, assim como em diversos outros locais do mundo, nos últimos tempos, acirraram-se, de modo preocupante, os ânimos nas discussões políticas. Nos Estados Unidos não foi diferente.
Inclusive, Trump foi um grande incentivador do ódio aos adversários. Os oponentes políticos jamais devem ser tratados como vilões ou inimigos da pátria, como fizeram (e ainda fazem), exaustivamente, os republicanos, sobremaneira os mais supremacistas. Assim, sem embargo do repúdio à violência, pode-se dizer que Donald Trump foi vítima da violência política que ele mesmo ajudou a fomentar.
Derrotados nas eleições para o democrata Joe Biden, apoiadores do ex-presidente Donald Trump, claramente instigados pelo ex-chefe de Estado, invadiram o Capitólio, sede do Congresso americano em Washington, durante a contagem oficial dos votos do Colégio Eleitoral. Nos EUA, o ato antidemocrático convocado por Trump culminou em um saldo de 250 feridos, três mortos e quase mil processados pela prática de crimes federais.
A violência política é totalmente inaceitável e deve ser veementemente rechaçada por todos os lados. De igual maneira, utilizar um atentado político para fins eleitoreiros é, igualmente, reprovável. Não deve haver mártires ou heróis, a vítima da agressividade e do ódio é a democracia e o povo. A violência não deve ser arma política, nem a favor, nem contra.
Na vida adulta, em especial, os dilemas e impasses não se resolvem por intermédio de brigas ou de violência, em especial na política, em que o diálogo deveria ser a única arma em busca do convencimento. Quem não consegue controlar seu ímpeto violento ou reage com fúria às frustrações pode representar um perigo na vida em sociedade.
Não adianta plantar laranjas e querer colher morangos ou, noutras palavras, é dizer, os discursos de ódio fomentaram a violência, o terrorismo e o golpismo. Uma cultura de paz não se ergue com bases em discurso de ódio e intolerância. Como Margaret Thatcher alertou: “Cuidado com seus pensamentos, pois eles se tornam palavras. Cuidado com suas palavras, pois elas se tornam ações. Cuidado com suas ações, pois elas se tornam hábitos. Cuidado com seus hábitos, pois eles se tornam o seu caráter. E cuidado com o seu caráter, pois ele se torna o seu destino. O que nós pensamos, nos tornamos”.