Desde tempos imemoriais a história, é pródiga em nos apresentar exemplos de como a soberba, a arrogância e a vaidade precedem a ruína.
O versículo bíblico, presente no livro de Provérbios 16:18, que utilizamos à guisa de título do presente artigo, traduz uma máxima não apenas do Cristianismo, mas, também, da Filosofia e dos principais documentos, normativas e diretrizes para uma vida pautada na sabedoria e na busca da felicidade.
Antes mesmo do Cristianismo nos envolver em um ideal de valores a serem cultivados como modo de compatibilizar nossa vida com os ensinamentos do Cristo, os filósofos já se enveredavam pelos estudos das virtudes humanas.
Na lista dos sete pecados capitais, a soberba sempre se destacou como o pecado mais traiçoeiro, perverso em suas consequências, o mais fácil talvez de nos arrastar em suas teias, aparentemente delicadas, mas tão belas quanto perigosas.
Em tempos recentes, temos assistido de camarote, seja pela televisão, seja pelas redes sociais, a figuras ilustres, antes admiradas por alguma qualidade profissional, artística, linguística, estética ou qualquer outra, vendo suas imagens serem desconstruídas e, em razão de minutos, passarem do topo da fama e do fascínio que exerciam sobre um grande número de pessoas, para um lugar de demérito, de vergonha e até de dor.
Em decisão recente, tomada pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, presenciamos uma situação emblemática e inusitada, na qual um governador, que se percebia como fortíssimo candidato à presidência da República no próximo pleito, viu seu processo de impeachment ser admitido, por unanimidade de votos, não podendo contar com nenhum daqueles que, em tempos recentes, fazia parte do grupo de sustentadores de sua provável candidatura ao cargo máximo da nação.
Da arrogância que o levou a acreditar-se, um recém-ingressado na política, capaz de alcançar a presidência da República, a partir de frágeis alianças, desfeitas no calor dos interesses, e sustentado por midiáticos episódios cinematográficos, como o desembarque de um helicóptero no vão central da ponte Rio Niterói, comemorando e batendo palmas pela morte de um sequestrador, até o desfecho da abertura de um processo de impeachment, no qual perdeu, em uma votação emblemática, histórica, pouco tempo se passou.
Isso nos remete à máxima de que os arrogantes tendem a cair mais cedo, porque o “espírito arrogante vem antes da queda”.
Além dele, muitos que se arvoraram como defensores da honra, da moral e da justiça, tiveram suas vidas devassadas e apresentadas ao público em suas mazelas, opróbrios e desonra e vergonhas.
Pensar de si para além de suas próprias capacidades e, a partir desse autoconceito, desprezar a inteligência e a competência dos outros, assumindo posturas arrogantes, carregadas de descortesia, vaidade e de desprezo, hostilizando aqueles que hoje são adversários, mas que poderão se tornar aliados em algum momento, pode representar a ruína precoce e o desmoronamento de projetos alicerçados em frágeis bases e alianças.
De patronos da ética, do cristianismo e da família, únicos a possuírem os requisitos necessários à ocupação dos lugares mais importantes na condução da vida e da política, paladinos de uma cruzada contra a corrupção, das quais acusavam duramente seus adversários políticos, passaram a sofrer as dores de se verem expostos cometendo os mesmos delitos dos quais prometeram livrar a sociedade.
A política, lugar por excelência da fama, da glória e do poder, almejada por tantos e alcançada por tão poucos, tem levado à ruína, sem qualquer condescendência, aqueles que por ela se deixam enredar, consumidos pelas promessas falsas e desleais de grandeza, perenidade de afagos, influência e poder.
É necessário olhar para a história e pensar na ascensão e queda dos arrogantes, dos soberbos e dos vaidosos para aprendermos a nos comportar de forma a que não pensemos de nós mesmos, para além daquilo que verdadeiramente somos.