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Racismo e classismo de estudantes da PUC-SP: o Direito pode e deve dar o exemplo

Lapidar jovens implicados com valores éticos e jurídicos, conscientes de sua responsabilidade ética e social, é uma missão que demanda esforço coletivo, liderança institucional e compromisso inegociável com a dignidade humana

Publicado em 18 de Novembro de 2024 às 18:43

Públicado em 

18 nov 2024 às 18:43
Elda Bussinguer

Colunista

Elda Bussinguer

elda.cab@gmail.com

O racismo e o classismo estão por todo canto, entranhados na cultura e na vida dos brasileiros. É preciso extirpá-lo de forma radical e urgente, como se extirpa um tumor maligno, que ameaça se alastrar ainda mais pelo corpo social como metástases se espalham pelo corpo humano.
Para cada passo que se dá no sentido de efetivar Direitos Humanos de caráter antidiscriminatório, como cotas no sistema educacional e no ingresso nos serviços públicos, são milhares de tentativas de resistência, vindas de onde menos se deveria vir. Resistência por parte daqueles que sempre se beneficiaram de privilégios e que alcançaram patamares sociais e econômicos que, talvez, não alcançassem se fôssemos, de fato, uma nação de livres e iguais.
Pensar que estudantes de Direito da PUC-SP — uma das mais importantes e celebradas escolas de Direito de nosso país, que tantas lutas por justiça e por democracia protagonizou, uma instituição que lutou contra a ditadura militar e que teve, e tem, em seus quadros alguns dos mais prestigiados intelectuais do Direito Brasileiro — foram capazes de romper os limites do absurdo ético e jurídico como o fizeram, é constatar que a luta que precisamos travar é muito maior do que imaginamos em nosso sonho de uma educação libertadora e emancipadora.
O racismo é intolerável, e quem o sofre cotidianamente tem pressa. A PUC precisa agir com urgência e certamente o fará. Tolerar o intolerável seria inconciliável com a grandeza de sua histórica luta por direitos em vários momentos de nossa democracia.
Estancar o sangramento com técnica jurídica adequada, respeito ao devido processo legal e ao direito de defesa e com bom senso educacional é o grande desafio da instituição. A forma como agir será determinante para uma modelagem que estamos construindo no meio educacional: como enfrentar o racismo no tempo e na medida que a gravidade do ato exige.
Resgatar a dignidade dos atingidos, tratá-los com o respeito que lhes é devido, não será tarefa fácil. A Escola de Direito da USP precisará adotar medidas internas de apoio e sustentação psicológica e jurídica a esses estudantes.
A exposição pública, tornada assunto de âmbito nacional, faz parte da continuidade da violência, carregada de vergonha e dor. Agir de forma a que a revolta e a raiva não sejam transformadas em ódio contra os ofensores e todos que eles representam como classe e raça é o maior desafio.
Justiça
Justiça, juiz, direito, advogado, martelo, livro Crédito: Pixabay
A dor que provoca é insuportável. É dor de alma, dilacerante, paralisante. Não há dor física que possa se comparar à dor da alma, dor de dignidade violada. É preciso agir com rapidez. A violência, em todas as suas formas, precisa ser combatida.
USP e PUC-SP têm a oportunidade de construir juntas uma história de superação do racismo. Propor um projeto compartilhado de enfrentamento desse caso em particular e uma modelagem de prevenção da cultura do racismo que nos envergonha e entristece.
O Direito pode e deve dar o exemplo. Formar juristas não é tarefa fácil. Formar juristas comprometidos com Direitos Humanos é tarefa hercúlea. Lapidar jovens implicados com valores éticos e jurídicos, conscientes de sua responsabilidade ética e social, é uma missão que demanda esforço coletivo, liderança institucional e compromisso inegociável com a dignidade humana.

Elda Bussinguer

Pos-doutora em Saude Coletiva (UFRJ), doutora em Bioetica (UnB), mestre em Direito (FDV) e professora universitaria

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