No próximo domingo, dia 6 de outubro, estaremos todos, os mais de 155 milhões de eleitores, envolvidos em nosso exercício democrático mais simbólico, ao menos no que diz respeito à institucionalidade de nossa cidadania.
A eleição é, sem sombra de dúvidas, a mais importante declaração de nossa liberdade e soberania. Ao visualizarmos, na urna eletrônica, a foto dos candidatos escolhidos e apertarmos a tecla “confirma”, sem que estejamos sendo acompanhados ou vigiados por alguém, estamos tendo a oportunidade de dizer o tipo de nação que queremos e como gostaríamos de ser representados no parlamento e no executivo.
Nossas escolhas precisam representar nossas opções políticas, nosso caráter, nossos valores, nossa visão de mundo e nossos sonhos e projetos de futuro. A compatibilidade entre eleitor e o candidato é fundamental para que a representação de fato se efetive.
Toda escolha dessa natureza pressupõe um exercício de busca do que há de verdadeiro por detrás das personas construídas pelo marketing que se apresentam a nós totalmente reconfiguradas por profissionais de comunicação. Resta ao eleitor uma tentativa arqueológica de escavar o passado e enxergar o presente desses candidatos, para além da persona construída pelo setor de comunicação das campanhas e pelas informações ou desinformações que transitam pelas redes sociais.
O certo é que, independentemente do processo investigativo acerca do verdadeiro ethos de cada candidato, qual seja, sua verdadeira essência, para além das maquiagens feitas cuidadosamente em seu caráter e em seu discurso, há algo que transpira e não se deixa colocar debaixo do véu da ignorância.
Nos debates e nos discursos acalorados é possível conhecer, quem é, de fato, o candidato que se apresenta a nós. Por meio de pequenos atos falhos, liberados sem as travas colocadas pela comunicação, e, portanto, fora dos limites impostos pela persona tão cuidadosamente forjada, o inautêntico se torna autêntico em sua essência.
A democracia, como um projeto civilizatório, conquista de muitos, na busca por liberdade e direitos, pressupõe a paz como caminho único para o alcance da felicidade e da justiça.
Não há justiça sem paz. Não há igualdade/equidade de direitos fora dos limites da ética, que pressupõe radical compromisso e respeito com e ao outro, esteja ele em que condição estiver.
A violência política, entre muitos outros tipos de violências, praticada hoje de forma radical e sem qualquer tipo de trava ou escamoteamento, precisa ser nosso prumo no momento da escolha de nossos candidatos. A violência política é incompatível com a democracia e com o estágio civilizatório que alcançamos. Estratégias políticas de acirramento e estímulo de nossos instintos primitivos de violência precisam ser fortemente rechaçados.
Em nosso projeto civilizatório, democrático, que tem a paz como condição indispensável, a aparente “utopia”, mas realizável e revolucionária, deve conduzir nossas decisões e, principalmente, a escolha de nossos candidatos.
Na Democracia não há lugar para violências, sejam elas de que natureza forem. A paz é nossa imagem, objetivo, lugar a ser construído e alimentado cotidianamente.
A violência política deve ser, portanto, radicalmente rechaçada, denunciada e eliminada de nossos processos democráticos.