Escrevo esta coluna com o coração cheio de gratidão. Quando iniciei esta jornada de escrever quinzenalmente em A Gazeta não poderia imaginar tudo que passaríamos nesses quase três anos de pandemia.
Vivenciamos perda, dor e sofrimento. Compartilhamos indignação, raiva e luta em prol de mudanças e de uma saúde que pudesse ser mais inclusiva. Sonhamos um Sistema Único de Saúde (SUS) que pudesse atender as principais demandas da sociedade, mas principalmente um SUS que pudesse se basear nos indicadores epidemiológicos, o que poderia guiar as ações de saúde, como prevê nossa Constituição Federal.
Foi um período de muito aprendizado. A cada nova pesquisa publicada, compartilhávamos a esperança de sairmos da pandemia. Agradeço a cada pessoa que dividiu comigo essa caminhada. Hoje me despeço com muita emoção para dizer aos leitores que essa será minha última coluna. Encerro aqui um ciclo e inicio outro. E, portanto, essa diferentemente de outras colunas é uma muito especial e pessoal. É uma coluna de agradecimento, primeiro ao jornal A Gazeta, a que sou eternamente grata por ter aberto essa coluna de ciência em saúde, depois a cada pessoa que leu, seguiu e recomendou as orientações e reflexões feitas neste espaço.
Caros leitores e leitoras, esse "até breve" é para dizer que aceitei o desafio de compor a equipe do Ministério da Saúde do novo governo. Juntamente com a primeira mulher a assumir o Ministério da Saúde, serei a primeira mulher a assumir a Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), a secretaria que tem sob sua responsabilidade a vigilância das doenças no Brasil e na qual está localizado o Programa Nacional de Imunização. Sim, estarei agora auxiliando na coordenação das ações de vacinação no Brasil.
O mundo dá muitas voltas, alguns costumam dizer que capota, gosto de pensar que cada coisa tem seu tempo e para mim, que fui a primeira reitora eleita da Ufes e não fui nomeada pelo presidente que encerra a gestão, estarei agora tendo a oportunidade de auxiliar no novo governo federal as ações de vigilância em saúde para o meu país.
É o cargo dos sonhos de toda epidemiologista, o meu certamente: o de auxiliar o país na proposição da vigilância e controle das doenças. O desafio é gigantesco depois de tudo que vivenciamos, do desmonte, das desestruturações e dos erros sequenciais das políticas de vigilância em saúde.
Me despeço dessa coluna e espero que ela e o próximo colunista possam continuar essa jornada cobrando, apontando e refletindo as necessidades do país, pois é sempre importante ternos análises externas das nossas ações.
É com sentimento de dever que reassumo o compromisso que sempre me guiou desde que decidi seguir na carreira de epidemiologista e pesquisadora, qual seja: de fazer o melhor para a sociedade com ética, transparência e cuidado com as pessoas.
A você meu muito obrigada. E encerro deixando as minhas mensagens que sempre guiaram essa coluna: vacinas salvam vidas. Ciência é soberania nacional. O SUS é nosso! Viva o SUS!
Muito obrigada!!