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Nova ameaça?

Três perguntas sobre a variante Ômicron que precisam ser feitas

Muitas perguntas ainda devem ser respondidas nas próximas semanas, mas após passarmos por várias ondas já entendemos alguns padrões

Publicado em 09 de Dezembro de 2021 às 02:00

Públicado em 

09 dez 2021 às 02:00
Ethel Maciel

Colunista

Ethel Maciel

ethel.maciel@gmail.com

Em 24 de novembro, pesquisadores da África do Sul reportaram à Organização Mundial de Saúde (OMS) a presença de pessoas infectadas com uma nova variante do vírus Sars-Cov-2, que ganhou o nome de variante Ômicron. Com inúmeras mutações na proteína Spike, a parte do vírus que foi utilizada para desenvolver vacinas e testes diagnósticos, sua identificação criou uma comoção mundial.
Rapidamente, a OMS designou a Ômicron como variante de preocupação. Isso significa dizer que o conjunto de mutações pode levar a um escape das vacinas, ou quando pode ocorrer algum comportamento diferente do vírus, como mais transmissibilidade ou maior gravidade dos casos.
A Ômicron está rapidamente se tornando a variante dominante na África do Sul e segue se espalhando por todo o mundo. Muitas perguntas ainda devem ser respondidas nas próximas semanas, mas após passarmos por várias ondas já entendemos alguns padrões. E, ao avaliar uma nova variante, três perguntas precisam ser feitas:
  1.  Quão transmissível é a Ômicron?
  2. Quão patogênica (capacidade de levar à doença grave) é a Omicron?
  3. A imunidade anterior, vacinas ou doenças anteriores fornecem proteção?

QUÃO TRANSMISSÍVEL É A ÔMICRON?

Essa variante parece altamente transmissível. Durante a primeira onda, a transmissibilidade de Covid-19 foi motivo de preocupação. A taxa de reprodução do vírus original, que se espalhou na primeira onda, foi de 2-3, ou seja: cada indivíduo infectado era capaz de infectar outras duas ou três pessoas. A variante Gama mudou a transmissibilidade e cada caso era capaz de infectar outros três a cinco indivíduos.
A variante Delta superou as primeiras variantes em transmissibilidade: cada pessoa contaminada transmitia para cinco a oito novos casos. No Brasil, muitas pesquisas ainda estão sendo feitas, mas a infecção prévia com a variante Gama parece ter conferido proteção e não tivemos uma onda agressiva com a variante Delta, na contramão do que foi observado em outros países.
O que vimos desde o surgimento da Ômicron é o aumento expressivo de novos casos, sugerindo alta taxa de transmissão. A Ômicron se tornou dominante em pouco mais de uma semana na África do Sul, o que sugere alta transmissibilidade.

ATÉ QUE PONTO A ÔMICRON PODE ADOECER AS PESSOAS?

A experiência prática desde o dia 24 de novembro tem sido reportada por vários países que identificaram a variante, mas até o momento vimos doenças leves e poucos casos de doença moderada em pacientes. Febre baixa a moderada apenas, congestão nasal, dor no corpo, garganta inflamada e dor de cabeça têm sido os sintomas relatados.
Poucas pessoas reportaram perda do paladar ou do olfato. Todos responderam bem aos medicamentos para esses sinais e sintomas. Importante salientar que os dados são ainda de poucos pacientes e a maioria na África do Sul, onde a cobertura vacinal ainda é baixa.
Outro ponto importante: embora nenhum quadro clínico de maior gravidade tenha sido observado até agora, essas são informações preliminares e de poucos casos, por isso devem ser tratadas com cautela. Como vimos em ondas anteriores da doença, casos graves de Covid-19 geralmente aparecem semanas após os sintomas iniciais associados a um quadro moderado da doença. Portanto, temos poucos dados e pouco tempo de observação para tirarmos conclusões mais robustas.
Até o momento, a hospitalização de vacinados é baixa e não houve nenhum óbito, o que é uma excelente notícia. Entretanto, os sistemas de saúde têm sido advertidos pelas autoridades sanitárias em relação às crianças. A maioria das crianças tem apresentado doença leve, mas como elas não foram vacinadas no Brasil, podem ser o grupo sob maior risco em uma possível nova onda da variante Ômicron no país. Por isso, é preciso atenção para qualquer aumento de hospitalização nessa faixa etária, além da necessidade de incluirmos as crianças na vacinação o mais rápido possível.

COMO A IMUNIDADE (VACINA OU DOENÇA ANTERIOR) PROTEGE?

Do que sabemos até agora, a imunidade passada tem um papel importante na proteção à doença. Ainda é muito cedo para dizer o quanto protege, pois os estudos mais robustos ainda estão em andamento. Mas, ao menos até este momento, os números de hospitalizados vacinados têm sido muito pequeno ao redor do mundo.
De modo geral, estou mais otimista do que estava na semana do anúncio da identificação da variante Ômicron. Apesar das 30 mutações na proteína Spike, essa versão parece ser menos agressiva que a Delta e a Gama, principalmente em um cenário de vacinação em massa. No entanto, devemos continuar vacinando para desenvolver o máximo de imunidade possível. As próximas semanas são importantes, porque mais dados científicos serão reportados.
Sempre é importante relembrar que para a Ômicron, assim como para todas as outras variantes do vírus, as mesmas medidas de proteção continuam valendo: use máscaras, evite aglomerações, higienize sempre as mãos e esteja vacinado. Entre as muitas incertezas sobre o futuro da pandemia, essas medidas de prevenção são nossas ilhas de certeza para seguirmos controlando o vírus e nos protegendo!

Ethel Maciel

É enfermeira. Doutora em Epidemiologia (UERJ). Pós-doutora em Epidemiologia (Johns Hopkins University). Professora Titular da Ufes. Aborda nesta coluna a relação entre saúde, ciência e contemporaneidade

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