Sensação de segurança (ou de insegurança) é, como se sabe, um sentimento pessoal, subjetivo e, portanto, sujeito a variações de acordo com a percepção de cada indivíduo. Assim, nem sempre essa sensação será coerente ou alinhada às estatísticas que retratam a violência real.
Desta forma, um indivíduo que mora em um luxuoso e seguro edifício e que se desloca em seu próprio veículo (algumas vezes blindado) provavelmente terá uma sensação de segurança maior que aquele outro que reside em área dominada pelo tráfico de drogas (muito mais exposta, portanto, à violência) e que depende, invariavelmente, do transporte público.
Os dados objetivos de criminalidade e violência, no entanto, serão os mesmos para todos os indivíduos que vivam na mesma cidade, independentemente da percepção de cada um.
A insegurança, portanto, assim como outras mazelas sociais, tem um impacto muito maior sobre os cidadãos que se encontram em situação de maior vulnerabilidade social. Em áreas mais pobres, por exemplo, onde ocorre o maior número de homicídios.
Dados divulgados recentemente pela Secretaria de Segurança Pública do Espírito Santo indicam que cerca de 1246 residências já foram invadidas por bandidos somente neste ano. Apesar do número que, num primeiro olhar, parece ser alto e pode contribuir para aumentar ainda mais a sensação de insegurança do capixaba, a verdade é que a maior parte dos crimes patrimoniais tem diminuído durante a pandemia de Covid-19.
Números do Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2020 apontam que, nacionalmente, os roubos a residências caíram 16% durante a pandemia. Roubos a transeuntes (-34%), roubos de veículos (-22,5%), roubos de cargas (-25,7%) e roubos a comércio (-18,8%) também sofreram queda considerável. No Espírito Santo o Anuário aponta uma queda de 27% no número de roubos a residências.
A boa notícia pode ser explicada, em tese, pelo fato de que durante a pandemia o número de pessoas circulando nas ruas diminuiu consideravelmente. A permanência dos moradores em suas residências, portanto, pode ter contribuído para que um número menor de pessoas tenha sido vítima de crimes patrimoniais na rua e, também, tenham deixado de experimentar a péssima sensação de chegar em casa e descobrir que tiveram seu lar invadido por ladrões.
A queda nesses números é uma notícia especialmente boa se considerarmos que, no começo da pandemia, muitas pessoas chegaram a cogitar a ocorrência de saques e aumento do número de crimes patrimoniais, em razão das dificuldades econômicas geradas pelo avanço do vírus e aumento do desemprego.
O desafio agora será, portanto, manter a queda no número de crimes patrimoniais e, por óbvio, alcançar resultados semelhantes em outros tipos de delitos (especialmente os violentos) que, infelizmente, não tiveram redução nos últimos meses. Caberá aos gestores o estabelecimento de políticas que contribuam para a diminuição dos índices de criminalidade e, por conseguinte, para o aumento da sensação de segurança das pessoas.