Há alguns meses, escrevi sobre o que foi considerado, por muitos especialistas, o maior ataque hacker da história do Brasil. Na ocasião, todos os dados e documentos do Superior Tribunal de Justiça (STJ) foram criptografados, impedindo que fossem acessados. Por quase uma semana o acesso aos sistemas de um dos maiores tribunais do país ficou completamente comprometido.
Em maio deste ano, o governo dos Estados Unidos chegou a declarar estado de emergência em algumas regiões do país, em razão de um ataque cibernético a uma rede de gasodutos que paralisou boa parte do fluxo de combustíveis no país. No ataque, a organização criminosa desconectou a rede e subtraiu mais de 100 gigas de informações da empresa Colonial, responsável pelo transporte de cerca de 45% do abastecimento de diesel, gasolina e querosene de aviação da costa leste dos EUA.
Segundo divulgado pela imprensa, a empresa Colonial Pipeline pagou 4,4 milhões de dólares de resgate para voltar a ter o controle de sua rede. Desse montante, 2,3 milhões foram recuperados pelo FBI. O prejuízo gerado pelo ataque, no entanto, é inestimável.
No último fim de semana, justamente quando os EUA celebravam o 4 de Julho, data em que é comemorada a independência americana, o país novamente foi alvo de um mega ataque cibernético. Desta vez, a empresa Kaseya, dona de um software de gerenciamento, foi atacada. A empresa tem cerca de 40 mil clientes e informou que o ataque tem potencial de alcançar não apenas seus contratantes, mas também os clientes de seus clientes. Como consequência direta do ataque, uma rede de supermercados sueca precisou fechar 800 lojas em virtude da paralisação completa de seu sistema de caixas.
Segundo foi noticiado pela imprensa, o grupo de hackers cobrou 70 milhões de dólares de resgate em bitcoins em troca da ferramenta que viabilizará a retomada do acesso aos sistemas da empresa. No sábado, dia 03/07, o próprio presidente americano, Joe Biden, afirmou ter ordenado uma investigação para apurar os fatos e checar se os criminosos têm alguma relação com a Rússia.
A recorrência de ataques cibernéticos de grande proporção é um dos maiores desafios dos países nos campos da segurança pública e defesa. Num mundo interconectado e altamente dependente de tecnologia, ataques hackers têm um potencial gigantesco de serem cada vez mais recorrentes e danosos. Cabe, portanto, a cada país estabelecer, como prioridade, a forma e os mecanismos de prevenção e repressão a esse tipo de crime.
Nesse contexto, mais do que nunca se torna imprescindível a cooperação entre agências e países. O intercâmbio de informações, a adoção de estratégias conjuntas e uniformes e, principalmente, a mudança de postura de alguns países que se apresentam como um terreno fértil para a atuação de cibercriminosos e ciberterroristas são medidas urgentes e importantíssimas para que possamos evitar a proliferação de ataques que colocam em risco a integridade de pessoas e empresas, em todos os cantos do mundo.