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Desenvolvimento sustentável

Inovações no saneamento têm impactos econômicos e sociais

A internet das coisas, num contexto de cidades inteligentes, pode controlar toda a operação em saneamento como pode em energia, comunicações, trânsito e desastres naturais

Publicado em 20 de Agosto de 2022 às 01:00

Públicado em 

20 ago 2022 às 01:00
Evandro Milet

Colunista

Evandro Milet

evandro.milet@gmail.com

Crédito:
Corre a história que políticos não gostam de obra de esgoto porque fica embaixo da terra e o eleitor não vê. No Ceará, o pessoal criou uma solução. Na Praia do Meireles, em Fortaleza, foi instalado na praia um vistoso monumento ao saneamento, um formato em V com dois canos da obra, no local onde passam enterrados os dutos do emissário submarino.
Uma ideia engenhosa como essa talvez ajude a motivar prefeitos a pressionarem os cidadãos eleitores a conectar as suas residências às novas redes de esgoto em implantação em todo o país. Obras caríssimas são feitas, muitos moradores não se conectam sem serem incomodados pelo poder público e o esgoto continua a ir para a rede pluvial. Atualmente, o esgoto de aproximadamente 150 milhões de brasileiros é lançado em lagos e rios sem tratamento, o que vem se apresentando como um dos maiores problemas ambientais do país.
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a cada R$ 1 investido em saneamento, economiza-se R$ 4 em custos com saúde. No período de pandemia, estudos apontaram que capitais com maiores níveis de acesso ao saneamento básico apresentaram menores taxas de incidência e mortalidade pela Covid-19.
Desde a aprovação, pelo Congresso Nacional, do marco regulatório do saneamento, em 2020, foram gerados R$ 72,2 bilhões  em investimentos no setor por meio da realização de concessões em mais de 200 municípios, o que beneficiou quase 20 milhões de pessoas. Com a nova legislação, as prefeituras e as companhias de saneamento passaram a ter que cumprir regras e atingir metas relativas à melhoria do serviço.
Apenas 53,2% da população brasileira tem acesso à coleta de esgoto. Isso significa que cerca de 100 milhões de pessoas não são atendidas por redes de saneamento básico. Os números ainda revelam que, do total do esgoto gerado, nem metade (46,3%) é tratado.
Além de 34 milhões de brasileiros não terem água encanada, quase 40% dos recursos hídricos se perdem na rede por desvios clandestinos e infraestrutura deteriorada.

INVESTIMENTO NECESSÁRIO

Para que o país possa atingir a universalização do saneamento básico, será preciso investir R$ 893 bilhões até 2033, diante dos R$ 750 bilhões previstos anteriormente. A inflação e o ritmo de investimento menor do que o esperado nos últimos anos elevou a estimativa geral da quantia que precisa ser direcionada ao setor até 2033. Investimento dessa ordem seria suficiente para gerar cerca de 700 mil empregos na construção civil nesse período. As empresas de equipamentos e produtos químicos para o setor também seriam altamente beneficiadas com encomendas.
Em Cariacica, Vila Velha e Serra, a Aegea, a maior empresa privada de saneamento operando no país - empresa de maioria de capital nacional - venceu licitações de PPP - Parceria Público Privada para a coleta e tratamento de esgoto - água é com a Cesan.

INOVAÇÃO

E a tecnologia pode contribuir bastante com a operação. Na sede da Aegea, na Serra, um painel acompanha o que acontece em todas as estações com sensores que controlam todas as variáveis de operação, evitando vazamentos e inconvenientes para os moradores. Bueiros com sensores detectam furtos e poderão controlar também os roubos de cabos de energia, uma praga generalizada no Brasil. A internet das coisas, num contexto de cidades inteligentes, pode controlar toda a operação em saneamento como pode em energia, comunicações, trânsito e desastres naturais.
O alcance da universalização no saneamento contribui diretamente com vários dos 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS), lançados na Conferência das Nações Unidas sobre desenvolvimento sustentável no Rio de Janeiro em 2012, como: boa saúde, água limpa, emprego decente, infraestrutura, cidades sustentáveis, vida na água e vida terrestre.
Matéria recente de capa da prestigiada revista The Economist defende que a onipresente sigla ESG seja concentrada no E de environment (ambiental) pela premência de salvar o planeta. Isso pode ser verdade para o primeiro mundo (cinicamente sem os imigrantes), mas no nosso mundo, se não atuarmos no S (Social) não haverá maneira de controlar o E. Atrasos no saneamento e jogar para lagos e mares toda espécie de sujeira são problemas que vem do pouco caso com o S e a omissão do G (Governança).
A universalização do saneamento é uma meta promissora e desafiadora para o verdadeiro desenvolvimento do país.

Evandro Milet

É consultor e palestrante em Inovação e Estratégia. Neste espaço, novidades e reflexões sobre mercado de trabalho e tecnologia têm sempre destaque.

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