O assunto passou meio batido pela mídia brasileira, mas o Palazzo Pamphilj, que abriga a embaixada brasileira em Roma desde a década de 1920, está sendo restaurado com recursos oriundos da publicidade. O que chama atenção é uma enorme publicidade da marca de uma montadora chinesa à sua porta.
Segundo reportagem da revista Veja em maio de 2024, o edifício encontrava-se em estado de abandono e a última manutenção havia sido feita no governo de FHC. O prédio foi adquirido pelo governo brasileiro em 1960 e é uma das joias arquitetônicas de Roma, construída em 1644 e, segundo a reportagem, corria sérios riscos de incêndio.
A questão aqui é a utilização da publicidade como forma de levantar recursos para o restauro ou mesmo a reforma e atualização de mecanismos de segurança do local. Através de painéis publicitários de grandes formatos, é possível levantar recursos, como contrapartida para manutenção de edificações públicas. Fato muito comum na Itália e também na Europa. Segundo o Itamaraty, o restauro de edifícios históricos na Itália é ‘’frequentemente financiado pela exploração publicitária das fachadas dos prédios’’.
Um bom exemplo da utilização da publicidade com grandes formatos é a cidade de Barcelona na Espanha. Praticamente todo o centro histórico da cidade foi restaurado com painéis publicitários ou lonas perfuradas gigantes, que tanto serviam de proteção obrigatória da obra, e também como para a divulgação de marcas e produtos em locais que numa situação normal não seria possível.
A empresa Urban Vision foi selecionada pelo governo brasileiro e comprometeu-se com a elaboração do projeto de restauro que compreende a reforma das fachadas do Palazzo Pamphilj, o restauro dos afrescos da Galeria Cortona e das salas de apresentação, além da modernização dos espaços e instalações físicas do edifício. No momento, a marca exposta é da montadora chinesa de automóveis Geely que está entrando no mercado italiano. No ano passado, a Samsung foi a marca vencedora para explorar publicitariamente o local.
Algo que poderia ser copiado em terras brasileiras. Esse tipo de publicidade em locais de grande fluxo de pessoas, além de movimentar e aquecer o mercado publicitário, também poderia começar a fazer parte do cotidiano das nossas grandes cidades.