A bola só vai rolar para as quartas de final do Capixabão quando a
Secretaria de Saúde do Estado (Sesa) garantir que o campo de jogo possa ser um lugar seguro pelo menos a jogadores, comissões técnicas e demais colaboradores essenciais para uma partida de futebol, ainda que o jogo aconteça com os portões fechados. O que não deve acontecer nos próximos dias, já que os números do novo coronavírus permanecem alarmantes no
Espírito Santo.
Entretanto,
este cenário de imprevisibilidade já cobra caro ao futebol capixaba. Das oito equipes classificadas para as quartas de final do Estadual, quatro (
Rio Branco, Rio Branco VN, Estrela e São Mateus) já se viram obrigadas a rescindir os contratos com os jogadores.
Real Noroeste, Desportiva, Serra e Vitória mantêm seus atletas, mas as dificuldades já batem à porta.
Presidente da FES, Gustavo Vieira reconhece o momento difícil para os clubes. “A situação é de muita dificuldade não só aqui no Estado, mas no futebol mundial. O futebol precisa de evento para gerar receita. Todos os clubes passam por um momento de grandes dificuldades. Com as atividades paradas por completo, clubes e federações ficam sem as rendas de TV, bilheteria e patrocinadores. É um cenário muito difícil”, pontuou.
“Conseguimos fazer uma redução de 40% dos custos na folha de pagamento. Acabaram praticamente as receitas, infelizmente vai chegar um momento, de junho em diante, que teremos que tomar outra providência. E não sei se vamos ter time para acabar o campeonato”, declarou Antônio Perovano, presidente do Conselho Deliberativo do Alvianil ao colunista, em entrevista na
Rádio CBN Vitória. Um baque para um clube que vinha desenvolvendo um ótimo trabalho nas últimas temporadas.
Em um futuro ainda desconhecido, o Campeonato Capixaba será decidido dentro de campo. Gustavo Vieira reiterou que não há a menor possibilidade de algum clube ser declarado campeão sem a bola rolar. “Desde o início da paralisação venho dizendo que nosso objetivo é continuar de onde parou. Tentar retomar assim que for possível e seguir a ordem cronológica. Temos condições de terminar a competição em três semanas, com jogos às quartas e sábados, por exemplo. Não é um campeonato de pontos corridos, temos mais três fases. Não dá para declarar um campeão”, afirmou.
Com relação a partidas com portões fechados, trata-se de uma possibilidade real, mas que ainda não foi discutida porque no Brasil ainda não há indícios de retorno de nenhuma competição. Mas a FES, assim como a CBF está atenta às orientações dor órgãos de saúde. “Participo frequentemente de reuniões com A CBF, por videoconferência, e não há nada definido em nenhum Estado. Precisamos aguardar as possibilidades e as orientações das autoridades públicas de saúde. Estamos acompanhando situação e temos que ter muita responsabilidade, pois estamos lidando com vidas”.