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Literatura

Crítica literária no ES: completo meio século de leitura e estudos

A função do crítico é, no mínimo, mostrar outras possibilidades de sentir, de ver, de apreender o texto literário, de refletir sobre ele, para motivar sua leitura, despertando a vontade de ler no leitor

Publicado em 11 de Março de 2024 às 01:50

Públicado em 

11 mar 2024 às 01:50
Francisco Aurelio Ribeiro

Colunista

Francisco Aurelio Ribeiro

faribe@gmail.com

No Espírito Santo, a atividade de crítica literária tem sido parcamente exercida, desde o século XIX. Inicio dizendo que “crítico não é aquele que, por força de uma instrumentação técnica, ‘mostra’ aos leigos o que eles por si não saberiam ver, senão aquele que usa de uma instrumentação, só às vezes técnica, para tornar visível, a presença de uma propriedade que, em tese, seria a todos acessível”, conforme Luiz Costa Lima.
A função do crítico é, no mínimo, mostrar outras possibilidades de sentir, de ver, de apreender o texto literário, de refletir sobre ele, para motivar sua leitura, despertando a vontade de ler no leitor. Crítica literária também é literatura e, conforme sua etimologia, do grego Kríneim, significa julgar, conferir valor às coisas.
Parece que o primeiro capixaba a ver os autores capixabas de uma forma crítica foi José Marcelino Pereira de Vasconcelos (1821-1874), quando organizou a primeira antologia de escritores locais em seu "Jardim Poético", de 1856. Ao selecionar os autores que entrariam em sua antologia, fez uma seleção crítica impressionista.
Todavia, foi Afonso Claudio (1859-1934) o primeiro a quem se pode, realmente, chamar de crítico literário por sua grandiosa "História da Literatura Espírito-santense", publicada em 1912. José Victorino de Lima, em 1934, fez uma antologia de "Poetas Capixabas", com pequenos comentários críticos sobre cada um, que serve para documentar um período de vacância nas atividades da AEL. Foi o primeiro a incluir uma mulher, Maria Antonieta Tatagiba, entre os escritores capixabas, pois os anteriores não o fizeram.
Abílio de Carvalho (1916-1977) fez uma conferência, em 1943, intitulada "Quatro séculos de literatura Espírito-santense". Como era comum, recuou até a literatura catequética jesuítica do séc. XVI para situar a literatura aqui produzida. Nos anos 50 a 60, os principais jornais de Vitória, A Gazeta e A Tribuna, tinham páginas literárias, onde se publicavam textos e críticas impressionistas de Cristiano Ferreira Fraga ou Guilherme Santos Neves, entre outros.
Nos anos de 1970, comecei a me interessar pela literatura produzida pelos capixabas, mas o que encontrei, em Cachoeiro e Guaçuí, onde vivi, foram as crônicas de Rubem Braga e as de Carlinhos Oliveira, os poemas de Geir Campos e alguns livros publicados fora do Espírito Santo como as "Lendas Capixabas", de Maria Stella de Novaes, "Karina", de Virgínia Tamanini e "A oferta e o altar", de Renato Pacheco.
Somente nos anos 80, com a criação da Editora da FCCA-Ufes, a literatura produzida no Espírito Santo se deslanchou e muitos autores se revelaram, conforme estudei em minha tese de doutoramento "A Modernidade das Letras Capixabas", em 1990. Ainda nos anos 80, destaca-se o "Panorama das Letras Capixabas", de José Augusto Carvalho, publicado em 1982; a antologia "Poetas Capixabas", org. de Elmo Elton, 1982; e as obras de Oscar Gama, "História do teatro Capixaba", 1981, e "Teatro Romântico Capixaba", 1987.
Literatura
Haidee Nicolussi, escritora Crédito: Arquivo
Em 1990, publiquei "Estudos Críticos de Literatura Capixaba" e, em 1995, "A Literatura do Espírito Santo: uma marginalidade periférica", além de uma "Antologia de Escritoras Capixabas", em 1998 e da vida e obra de Adilson Vilaça, em 1999, na col. Roberto Almada.
Já neste século, fiz a biografia de Haydée Nicolussi, em 2005 e 2007; um "Dicionário de Escritores e Escritoras do Espírito Santo", em 2008; a "Literatura do Espírito Santo, Ensaios, História e Crítica", em 2010; as biografias de Mendes Fradique, 2012; Amâncio Pereira, 2020; Saul de Navarro, 2022; Jeanne Bilich, 2022 e Ciro Viera da Cunha, 2023, todos na coleção Roberto Almada.
Agora, em 2024, entrego-lhes este "Diferença e Alteridade na Literatura do Espírito Santo: Ensaios Críticos", obra que reúne 27 estudos de obras de importantes escritores capixabas realizados nos últimos dez anos. Com ele, completo meio século de leitura e estudos da obra literária produzida no Espírito Santo e, como o apóstolo Paulo, creio que posso dizer: “Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé”. Lançamento nesta segunda-feira (11), às 18h, na Academia Espírito-Santense de Letras (AEL), e nesta terça-feira (12), às 16h, na Ufes.

Francisco Aurelio Ribeiro

É doutor em Letras, professor e escritor. Seus textos tratam de literatura, grandes nomes do Espírito Santo e atualidades.

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