Danuza Leão pode ser definida por uma frase de Emília, personagem de Monteiro Lobato, seu autor preferido de infância: "Eu sou independência ou morte". De tradicionais famílias capixabas, — os Leão, de origem portuguesa, da Serra, e os Lofego, italianos de Iúna —, Danuza era amada pelos dois lados da família e teve uma infância feliz na Praia do Canto, onde morava numa casa com o seu nome, conforme conta em suas memórias, "Quase Tudo".
Seu pai era o advogado Jairo Leão, que também era colunista social nos jornais de Vitória. Era de uma família de intelectuais e professores, sobrinha de Kozciusko e Aristóbulo Leão, proprietários do tradicional Colégio São Vicente de Paula. Seu avô se chamava Herodoto, sem acento mesmo, e ela brincava com isso, os nomes dados aos filhos pelo bisavô português.
Aos 12 anos, seu pai se mudou para o Rio, onde passou a viver com sua irmã, a querida Nara Leão, musa da bossa nova, também nascida em Vitória. Dizem que foi na casa de seus pais que nasceu esse movimento musical. Danuza e Nara viveram no Rio, na época em que a Cidade Maravilhosa era conhecida no mundo todo pelo glamour e não pela violência dos tempos atuais.
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Danuza foi modelo em Paris, desfilou para a Dior e outras marcas famosas, numa época em que não se precisava ser magra e alta para desfilar. Bastava ser elegante, culta e refinada, e isso ela tinha de sobra pela educação que recebeu. Casou -se com Samuel Wainer, poderoso jornalista e empresário carioca. Teve dois filhos com ele: Pinky, artista plástica, e Samuel, morto em acidente automobilístico em 1984.
Danuza entrou em profunda depressão, conforme já ocorrera com a morte do pai, a quem era muito ligada, e ada irmã Nara. Teve mais dois casamentos, com o cronista Antônio Maria e com o jornalista Renato Machado. Foi promoter da boate Hippopotamus, no Rio, inaugurando essa profissão no Brasil, como já o fizera com a de modelo.
Nos anos 1980-90, começou a publicar livros de crônicas e de comportamento social. O seu 'Na sala com Danuza' foi um best-seller bem como todos os seus livros, uma dezena. Cronista dos jornais O Globo e Jornal do Brasil, não temeu provocar polêmicas com seus textos, pois sempre colocou sua liberdade de ser e de pensar acima de tudo.
Danuza marcou sua vida pela elegância de comportamento e assim saiu dela, elegantemente. Diagnosticada com enfisema pulmonar, há dez anos se isolou, despiu-se de todo aparato com que sempre viveu e só foi à clínica São Vicente para morrer, na noite desta quarta (22), quando se despediu da vida.
Numa época de tanta grosseria, tanta violência e agressividade, deve ter se sentido aliviada por partir. Ela não devia mais conseguir respirar em meio a tanta falta de delicadeza.