Com a sua nova encíclica social Fratelli Tutti, Todos Irmãos, o Papa Francisco confirma ser o único líder mundial, neste momento de história, que pensa no mundo como um todo, não defende nacionalismos, classes, ideologias e, muito menos, o mercado como a principal razão de ser da humanidade.
Dividida em oito partes, a carta papal tem como tema central a fraternidade e a amizade social como os caminhos para a construção de um mundo melhor, mais justo e pacífico, com o comprometimento das pessoas e das instituições. Nela, o Sumo Pontífice - ele não deve gostar desse tratamento, por sua humildade - reafirma com vigor o não à guerra e à globalização da indiferença nesses tempos de individualismos e de nacionalismos extremados.
No primeiro capítulo, "As sombras dum mundo fechado", a encíclica trata das muitas distorções da época contemporânea: a manipulação e a deformação de conceitos como democracia, liberdade, justiça; o egoísmo e a falta de interesse pelo bem comum; a prevalência de uma lógica de mercado baseada no lucro e na cultura do descarte; o desemprego, o racismo, a pobreza; a desigualdade de direitos e as suas aberrações como a escravatura, o tráfico de pessoas, as mulheres subjugadas e depois forçadas a abortar, o tráfico de órgãos.
A mensagem papal é clara: todos nós somos corresponsáveis na construção de uma sociedade que saiba incluir, integrar e levantar aqueles que sofrem.
Hoje, é feriado no Brasil, dia em que se comemoram três datas importantes: a chegada dos europeus à América, dando início ao genocídio americano, em que milhares de pessoas morreram, muitas vezes com a desculpa de que isso era necessário, para se implantar a fé católica.
Aqui mesmo, no Espírito Santo, temos o relato do hoje Santo Anchieta da mortandade ocorrida às margens do Cricaré, nas terríveis guerras contra os indígenas brasileiros ocorridas em todo o litoral do Brasil na época de Mem de Sá. Até hoje essas guerras continuam, em que fazendeiros e garimpeiros no Mato Grosso, Pará, Amazonas, Rondônia, Acre e Amapá, além de outros lugares, tentam tomar a terra dos sobreviventes a esse massacre que ocorre há 520 anos.
A segunda data é a comemoração da “Padroeira do Brasil”, Nossa Senhora da Conceição Aparecida, imagem encontrada por pescadores no Rio Paraíba há 303 anos, e que se tornou uma das maiores comemorações marianas do mundo. A questão atual é o crescimento das religiões evangélicas no Brasil e a não aceitação de um culto tradicionalmente católico.
Por último, o Dia das Crianças, data que não será comemorada por milhares de crianças brasileiras sem escola, sem teto, sem comida, sem brinquedos. A recomendação final do Papa Francisco é que, em nome da fraternidade humana, o diálogo seja adotado como caminho, a colaboração comum como conduta e o conhecimento mútuo como método e critério.